Desde maio deste ano, três amigos organizam na capital paulista, treinos de Rugby para pessoas LGBTs e a iniciativa já tem sido um sucesso, um dos próximos passos é montar um time também para pessoas LGBTs e outras que não sejam mas que se interessem e respeitem a causa. E no dia 28 de junho, dia histórico para a sigla, o Rugby também se torna um espaço de resistência e orgulho.

Para o Bruno Kawagoe, um dos responsáveis pelo pontapé inicial para a equipe que vem nascendo em São Paulo, o comentário que mais recebe dos frequentadores dos treinos, “os homens gays não achavam que este era um ambiente receptivo e que pensavam que se trata de um esporte que só aceitaria pessoas heterossexuais e cisgêneras. É uma questão de surpresa, pensam que Rugby é só para homens no padrão clichê”.

Embora os treinos exclusivos tenham mostrado que o Rugby é um esporte acolhedor e que preza por respeito, outros homens gays que não estão neste ambiente e que frequentam times predominante heterossexuais mostram que a realidade não é tão simples por ainda existir alguns estereótipos que os homens devem seguir. A questão da masculinidade é exigida fortemente e ainda repassada constantemente, “se o seu time sabe que você é gay, não tem problema, mas para os outros times você precisa ficar na sua e mostrar uma postura mais dura e diferente“, é o que diz Rodrigo*, jogador de um clube em São Paulo também.

A saída para homens da sigla LGBT que jogam há bastante tempo é ocupar os ambientes se mantendo muitas vezes dentro do armário evitando exposições, Rodrigo* continua: “eu nunca sofri nenhum tipo de homofobia muito grave porque eu não me exponho. Mas sempre acontece uma brincadeira, piadinha de mau gosto e olhares.

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A questão para as mulheres das siglas L e B é bem mais naturalizada e aceita. Para Mariana Gonzalez, jogadora e diretora de modalidade universitária, “enquanto mulher lésbica, o Rugby é bastante acolhedor. Além disso, por ser considerado um esporte violento por quem não o conhece, se torna um espaço de resistência ainda maior“.

Foto retirada de: International Gay Rugby 

Rodrigo* é um nome fictício para um jogador que preferiu não ser revelado.