Criação de taças: um algo a mais para o rugby da América do Sul

O saldo das duas primeiras rodadas do Americas Rugby Championship foi extremamente positivo para o Brasil. Foram duas derrotas, mas muito apertadas contra Chile e Uruguai, que valeram 2 pontos na classificação do torneio aos Tupis e a certeza de que estamos chegando ao nível de nossos mais fortes rivais continentais.

 

Vale lembrar ainda que brasileiros, uruguaios e chilenos voltarão a se enfrentar em abril pelo Campeonato Sul-Americano, (dia 23, em casa, com o Chile, e dia 30, fora de casa, com o Uruguai) o que totalizará duas partidas por ano a partir de agora entre essas três seleções. E é ainda importante não esquecer que ainda enfrentaremos o Paraguai no mínimo uma vez ao ano, pelo Sul-Americano.

 

Tal calendário anual que foi construído e o fato de, ao contrário do que ocorria há muito pouco tempo atrás, os confrontos entre essas seleções serem hoje parelhos – ainda que os favoritos não tenham deixado de ser facilmente apontáveis, pelo menos por enquanto – permite que um cenário de uma rivalidade real (sempre sadia, no caso de nosso esporte) se desenvolva com maior intensidade, uma vez que os jogos agora claramente não têm um vencedor definido antes mesmo de acontecerem.

 

Ótimo, mas e daí? O que isso significa?

É tradição de nosso esporte no mundo inteiro o hábito de se instituírem TAÇAS a serem dadas anualmente aos vencedores de jogos entre dois países. E a data de criação dessas taças varia enormemente, com diferenças também no seu modo de apuração.

 

As mais antigas, todo mundo conhece. A Calcutta Cup é dada ao vencedor de o jogo anual entre Inglaterra e Escócia (apenas 1 jogo por ano é contado) desde 1871. Já a Bledisloe Cup é entregue ao vencedor de uma melhor de 2 ou 3 partidas anuais entre Nova Zelândia e Austrália desde 1931.

 

Mas, essa prática não é resquício dos tempos amadores. Uma onda de taças sendo criadas foi vista nos últimos 30 anos. Em 1988 foi criado o Millennium Trophy, entre Inglaterra e Irlanda, enquanto em 1989 nasceu o Centenary Quaich (em alusão a uma taça celta), entre Irlanda e Escócia. Desde apenas 2000 Austrália e África do Sul disputam o Mandela Challenge Plate (em honra a Nelson Mandela), enquanto Nova Zelândia e África do Sul, eternas rivais, demoraram até 2004 para instituírem a Freedom Cup (Copa da Liberdade).

 

E como prova de que é preciso aproveitar o momento que jogos entre vizinhos se tornam mais parelho, França e Itália criaram somente em 2007 o Troféu Giuseppe Garibaldi (que, apesar do domínio francês, já teve dois anos com conquista italiana, e tem seu nome em tributo ao revolucionário do século XIX, importante na formação da Itália e na consolidação da República Francesa). Entre seleções fora dos holofotes, a tradição também existe. Geórgia e Romênia jogam anualmente pela Copa Antim desde 2002 (cujo nome é uma homenagem a um teólogo do século XVII importante aos dois povos). E esses são apenas alguns exemplos.

 

Hora de seguir a tradição das taças da bola oval

O momento é propício. É hora de termos taças para honrarem os vencedores das partidas anuais entre Tupis, Teros, Cóndores e Yakarés. Para os jogos entre Brasil, Uruguai e Chile, a melhor de duas partidas, uma pelo Campeonato das Américas e a outra pelo Campeonato Sul-Americano, deve ser considerada. Assim, independentemente da classificação final desses países em seus torneios, algo a mais estará em jogo: quem ficará com as taças anuais. Em poucos anos, o que seria uma novidade se tornaria uma tradição. Afinal, toda tradição teve o dia de sua criação.

 

O que você acha? Quais nomes devemos dar para os confrontos entre o Brasil e seus rivais diretos (e amigos de esporte)?

 

Foto: João Neto/Fotojump

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