Não precisamos de maior scrum do mundo, precisamos de engajamento

Não precisamos de maior scrum do mundo.
Nem maior scrum das Américas.
Nem maior scrum da América do Sul.

 

Precisamos de um rugby brasileiro engajado em transformar a realidade de nosso esporte. A intenção de se organizar o maior scrum do mundo era criar um atrativo a mais para o público ir ao estádio. A ação não surtiu efeito.

E parece que poucos atrativos são capazes disso. Na Série Mundial de Sevens, o público teve de food trucks a show de intervalo, com as melhores jogadoras do mundo em campo, incluindo as Black Ferns da Nova Zelândia, com seu haka, e, claro, as Tupis, que merecem todo o apoio, e ainda assim a sensação foi que a Arena Barueri devia ter tido mais torcedores. Qual o motivo que muitos que não foram ao torneio alegaram? Que passaria na TV e na internet, que sevens “é chato” (o que é triste de ouvir, pois era o Brasil em campo) e que o estádio era distante.

 

E qual o problema do Ibirapuera então? Localização mais central, partida não conflitando em horário com a Copa do Mundo (no sábado, as finais da Currie Cup e ITM Cup aconteceram no mesmo fim de semana em África do Sul e Nova Zelândia, mas também em horários distintos do jogo entre Springboks e All Blacks, por exemplo), quatro grandes clubes brasileiros, rugby XV, e o “maior scrum do mundo”. O que aconteceu? Nada, menos de mil pessoas presentes. Faltou divulgação ou sobrou desinteresse?  A segunda opção ganha. O fato de haver ENEM ou Festival Infantil no mesmo dia causou algum impacto, mas não o suficiente para mudar significativamente o cenário.

 

Se houve um erro da CBRu, foi o de entender qual o real atração que estaria sendo divulgada. Não acho que o marketing de uma ação possa ser maior que o evento em si, e essa foi a impressão que ficou. De fato, ouviu-se falar muito do tal scrum, mas não que as quatro melhores equipes do país iriam se enfrentar antes e depois. É preciso dar visibilidade aos clubes, que são os formadores de jogadores, que irão receber os novos interessados no esporte, e que penam ano a ano para conseguir mídia e se tornarem atrativos para patrocinadores. Contudo, em outras ocasiões que o jogo era o centro da divulgação, o resultado também não foi realmente melhor em termos de público, pois cada um tem que fazer sua parte.

 

O que falta? Engajamento da comunidade, consciência da importância de participar, mas vai além disso:
Precisamos de maior quantidade de jogadores nas categorias de base. Sim. É o mais importante para o futuro do rugby;
Precisamos de mais ex-jogadores repassando os valores do Rugby para os que estão começando. Sim, é essencial, e precisa ser feito com autocrítica;
Precisamos de valores do Rugby que vão além do Facebook ou Instagram, com certeza, e não é uma crítica direta a ninguém. Precisamos todos rever nossas prioridades.

 

Aí quem sabe a gente consiga ter o maior scrum do mundo.
Porque quando tivermos condições para isso, ter o maior scrum do mundo pouco vai importar.

 

Foto: João Neto/Fotojump

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