Respeito, por favor

O histórico da falta de respeito pelo campos de Rugby no país não é recente, mas sem dúvida ganhou contornos mais reais nos últimos anos não só pela presença da imprensa, mas também pela facilidade com que se pode registrar tais atos, pela “profissionalização” da arbitragem e pela atuação mais constante dos tribunais de justiça desportiva mais especificamente em São Paulo, único estado com um órgão atuando no nível estadual.
 
Todos de alguma forma já presenciamos, seja em forma de gracejos direcionados a mulheres no Rugby feminino, críticas ferozes à arbitragem que superam em muito o limite do razoável e tem aumentado de forma crítica, entre pais e torcedores nos campeonatos de categorias de base, acirrando rivalidades em uma hora em que o caráter do jogador está em formação, e incentivando a violência dentro de campo.
 
Se por um lado, o hábito de se vaiar um adversário durante um chute, tema controverso por aqui (se países tradicionais podem, por que nós não?), o respeito entre jogadores, torcedores e arbitragem e COM ELES é inegociável. E esse é o tema que chegou na nossas mãos essa semana por conta de uma nota enviada pelo jogador Franco Gomez, pilar do Curitiba. Argentino em sua segunda temporada no país.
 
 
Abaixo, publicamos na íntegra, a pedido do jogador. Para se refletir.
 
Lembramos que mais que um canal informativo sobre o Rugby brasileiro, o Portal do Rugby é um espaço aberto para clubes, jogadores e pessoas ligadas ao esporte se manifestarem sobre temas relevantes que contribuam para o desenvolvimento do esporte e da cultura de Rugby no país. Opiniões de terceiros não necessariamente refletem a opinião da equipe do Portal do Rugby (mas nesse caso reflete muito).
 
 
Olá,
 
Escrevo essa nota com objetivo de discutir o tratamento das torcidas para com os jogadores de Rugby nos campos pelo Brasil.
 
Creio que se está confundindo o ato de ir a um jogo de Rugby com o de um jogo de futebol.
O respeito deve valer tanto dentro de campo como também fora dele, ou pelo menos assim me ensinaram e assim me criei jogando. RESPEITO é o valor principal de um esporte, coisa que não tenho visto nas torcidas aqui no tratamento com os jogadores, protagonistas de um espetáculo onde nos sujeitamos a grandes esforços para o público apreciar. É injusto (e às vezes doloroso) ouvir insultos de pessoas que me parecem nunca ter entrado em um campo de Rugby (ou não estariam insultando adversários como o fazem) e penso que os árbitros deveriam até mesmo pedir a saída de torcedores que desrespeitem os jogadores, pois a única coisa que fazem é incentivar a violência e causar dano à imagem do jogo.
 
É meu segundo ano no Brasil, e o esporte cresce a passos largos, mas as torcidas deixam muito a desejar, a ponto de estarmos acostumados a jogar partidas ouvindo xingamentos de todos os lados e acho que não deveria ser assim, pois como falei, respeito é um valor a ser seguido por todos. E isso aconteceu em todos os campos pelo qual joguei no país.
 
Primeiro se deve crescer como clube, para depois como uma seleção. Imagino que os pais que xingam fora de campo não gostariam de ver seus filhos passando por isso, mas lamentavelmente é o que seus filhos estão vendo, insultos e mais insultos. Nunca reagi, nem jamais reagiria a algo vindo da torcida, senão seria melhor que escolhesse outro esporte que não o Rugby.
 
Só peço isso, e com o segundo turno do emocionante Super 8 começando e do Super Sevens feminino, não há momento melhor para coloca-lo em prática.
 
 
Franco Esteban Gomez Vallejo – pilar do Curitiba RC
Argentina

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