Um dos pilares do rugby nacional por anos, o rugby universitário vem paulatinamente saindo de pauta do noticiário do rugby. Hoje, estreamos uma série de artigos opinativos com o objetivo de tratar justamente do rugby universitário. Gustavo Gaiofato, treinador do Fea Odonto Rugby, da USP, falará um pouco mais do assunto nas próximas semanas. Confira seu primeiro texto!

 

Nas últimas semanas, o ENEM e outros vestibulares foram realizados pelo Brasil e, com os alunos do Brasil inteiro em vias de saberem se entrarão ou não nas universidades que almejam, quem sempre ganha, ou ao menos deveria ganhar, é o rugby. Por quê? Por conta do rugby universitário, historicamente no Brasil um introdutor importante de pessoas no rugby, mas que flerta constantemente com o esquecimento.

 

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Porque o meio universitário é a principal entrada de jovens que se interessam pelo esporte ou que buscam praticar uma modalidade coletiva totalmente diferente, sem falar no processo de “enturmação” com um grupo de amigos da faculdade, tornando o rugby universitário, um histórico e tradicional introdutor de jovens no esporte da bola oval. A possibilidade de aprender um esporte que ainda está se desenvolvendo também torna-se um atrativo. Diferente de outras modalidades, que exigem qualidade prévia, o rugby, por ainda estar no processo de crescimento, aceita qualquer praticante, que aprenderá o jogo no decorrer dos treinamentos e das pelejas, fazendo-o assim um esporte mais inclusivo do que a maioria, abraçando inclusive todos os tipos físicos, não sendo necessário “ser atleta” para se tornar um jogador. No entanto, essa realidade vem apresentado dificuldades relacionadas ao desenvolvimento específico da categoria, flertando a cada ano que passa com o esquecimento. E o problema está longe de ser recrutamento. E novamente reside a pergunta: por quê?

 

Esta série de artigos vem tratar disso: criar uma problemática crítica (positiva e negativa) a respeito dos caminhos que tomam as práticas de rugby universitárias, hoje reconhecidas como as mais divertidas e lúdicas, enfatizando o espírito amador do esporte, que abarca desde os valores clássicos do rugby até os tradicionais terceiros tempos, com história que inspiram cada vez mais a participação de “bixos” e “bixetes”. O franco crescimento do número de praticantes (pelo maior conhecimento do esporte a cada ano que passa graças a eventos nacionais e internacionais) vem sendo um ponto positivo dentro da modalidade e dessa categoria, especificamente. Mas será que existe um crescimento também em vias institucionais da modalidade? Quais os incentivos que os times possuem pra jogar? Será que as atléticas, a FUPE, a CBDU etc. estão, juntamente com os entusiastas dos times, ajudando o esporte a de fato crescer? Como anda o rugby universitário, tendo em vista que seu espaço na mídia especializada é pequeno (e por diversos fatores) e faltam informações sobre a modalidade? Vamos tentar abranger essas problemáticas e levar à tona qual o papel fundamental do rugby universitário e porque sua propaganda é tão importante.

Escrito por: Gustavo Gaiofato

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Posso dizer que fui um dos pioneiros do Rugby na UFG, não desmerecendo o trabalho do Rafael Correa que um dia foi em um engenharíadas-sp viu o esporte e o colocou na vida da faculdade, sem também falar do Rhandy Mendes que um dia peitou a tudo e a todos e criou um time de sevens com um “juntado” de jogadores de vários cursos (na época 5 jogavam rugby no evento InterUFG, hoje somos 12 equipes no intercurso). Mas o esporte se firmou na época que acreditavamos em jogar o tão sonhado BR-Universitário, onde em 2014 com mais um “juntado” de jogadores, estreamos na competição e conseguimos o segundo lugar, este que foi bem visto pela CBDU e logo trouxeram o BR para goiânia no ano seguinte, onde depois de mais um longo ano de trabalho intenso, conseguimos o tão sonhado título de campeão. História muito bonita mas que infelizmente sedesdobra ao fato da nossa querida CBDU simplesmente tirar o rugby do cronograma da LDU (Liga do Desporto Universitário), onde segundo eles “era muito trabalho”. Sim meus velhos, eu também ri com este comentário (a CBDU pediu para a nossa federação estadual fazer o campeonato e só tiveram o trabalho de inscrever os atletas na competição, é, este foi o “muito trabalho”. Ainda sonhávamos que a grande chance de “pô, o rugby voltou para as olimpíadas seria lógico que a CBDU colocaria o rugby no cenário do JUBs (Jogos Universitários Brasileiros, este ano como cidade sede cuiabá)” não meus amigos, não se iludam, isso não aconteceu!
    Fica o meu grande parecer sobre como as entidades máximas do desporto universitário enxergam o rugby, ainda estamos sendo tratados como meros coadjuvantes, e como eu ainda escutei de um organizador dos jogos “isso é modinha, logo passa!”. Pois bem, vamos ver como serão os campeonatos dos anos seguintes, por que até então no ano do retorno do rugby as olimpíadas, o rugby universitário não teve suas portas tão abertas…

  2. Bastante interessante esse artigo. Esperamos que o rugby universitário cresça no país e que continue sendo uma das portas de entrada para novos praticantes, falo isso porque conheci e comecei praticando o esporte através de um projeto que existia na universidade que estudo(UFRJ). Depois de alguns meses o projeto acabou, e o que sobrou foram alguns jovens super empolgados com o esporte, a partir do interesse de alguns, decidimos criar uma equipe. Em um ano com a equipe passamos de quatro, cinco praticantes pra 30, 35 praticantes por treino. Acho que força de vontade todos tem, resta saber como as Universidades, Federações e entidades que organizam jogos universitários enchergam o desenvolvimento do esporte e o que eles são capazes de fazer pra possibilitar uma evolução e uma manutenção do esporte no meio universitário.