Patrício M16

A maioria dos grandes esportistas brasileiros enfrenta inúmeras dificuldades até o auge de suas carreiras.

Atletas do boxe, como os recentes meninos do Espirito Santo (Irmãos Falcão), que alcançaram medalhas em Londres, treinavam na infância com o pai (Touro Moreno, grande lutador), que os ensinava a lutar contra bananeiras no jardim. Outros pugilistas, como Éder Jofre e Popó, são exemplos de superação a dificuldades financeiras. Do atletismo, João do Pulo, Vanderlei Cordeiro (atleta brasileiro honrado com a medalha de Pierre de Coubertin, que pra mim vale muito mais do que qualquer ouro), o grande Adhemar Ferreira da Silva, venceram sem terem as devidas condições econômicas para serem profissionais.

Estes heróis esportivos são apenas alguns nomes que o Brasil mostrou ao mundo. Existem muitos outros em diversas modalidades que nascem, crescem e se desenvolvem com dificuldades financeiras, familiares, e sem estruturas próprias de treinamento.

Usar esta força de superação a favor de qualquer modalidade é um passo gigantesco na criação de atletas. É a nossa cultura, vencer com tão pouco dependendo de menos ainda. O rugby entende esta cultura esportiva que temos, e está criando projetos que alcançam realmente o coração do povo brasileiro, com simplicidade, humildade e obstinação.

Por exemplo, no Rio de Janeiro temos o I -Guana Rugby, projeto social do Guanabara RC, passou por um grande processo de aceitação e construção, e que hoje oferece aos alunos avaliação clínica, alimentação e treinamento – conheça um pouco mais do projeto na rede social: http://www.facebook.com/IGuanaRugby. Na cidade do Rio de Janeiro existe também o Umrio (Onerio) – para mais: http://www.facebook.com/UMRioONERio.

O time de Nova Friburgo, o Friburgo RC, iniciou em março de 2012 aulas para crianças, com o objetivo de formar cidadãos e atletas e, com apoio de alguns patrocinadores (Stam Metalúrgica, Choperia Mais 1, Cartório Braune e Perdigão), realizaram um sonho de ter uma categoria de base, por meio de um projeto social.

Em São Paulo, existe a conhecida Associação Hurra, que desenvolve projetos com a prefeitura da cidade e alcança um número incrível de crianças com o tag-rugby – para mais: http://www.facebook.com/pages/Hurra/136269496433401?ref=ts e http://www.hurra.org.br/.

Já na zona norte da capital paulista, existe o projeto Puma’s Rugby, que desenvolve a modalidade também em forma de tag-rugby no Parque Horto Florestal aos sábados, para cerca de 40 crianças da região (http://www.facebook.com/pumassrugby).

Mas, talvez, o mais conhecido de todos os projetos ainda seja o Instituto Rugby Para Todos, famoso mundo afora,  já tendo sido tema de inúmeras reportagens e é, sem dúvida, um exemplo a ser seguido (http://www.facebook.com/rugbyparatodoss e http://www.rugbyparatodos.org.br/). Recentemente, o Rugby Para Todos colheu mais frutos, com quatro jovens de Paraisópolis participando do Campeonato Brasileiro Juvenil, a Copa Cultura Inglesa (Gabriel Lopes, Robert Tenório, Gilmar Almeida, e o escolhido melhor jogador da categoria M16 Patrício Veloso, na foto de capa deste artigo). Pessoalmente, tive a honra de conhecer e estar ao lado destes meninos, e confirmar a minha teoria que o futuro do esporte, está no coração do povo, jovens humildes, simples, com caráter e força de vontade que representam bem o espírito do rugby, sem contar a incrível capacidade técnico-tática que eles possuem.

Neste texto quis mostrar alguns projetos sociais ligados ao rugby, dentro as dezenas que já existem pelo Brasil, e tentar incentivar para que cada clube ou leitor ajude a nossa cultura esportiva a se desenvolver. Nossos jovens não precisam de milhões de dólares como ocorre nos Estados Unidos, e não precisa de uma superpotência megalomaníaca como a China (que faz de tudo com os menores de idade), para alcançar medalhas em Jogos Olímpicos. Até por que, o vale mais a pena? Um povo educado e instruído pelo esporte, ou um consumidor de medalhas que ninguém da realmente valor?

Se o desejo for realmente ser alto nível em qualquer esporte, não espere auxilio do governo. Nós podemos ajudar nisso, cada clube, cada time, cada pessoa pode ajudar, comprando camisetas, indo a jogos, auxiliando nos treinos, desenvolvendo projetos como os exemplos escritos no texto. Por exemplo, quantos jogos do seu time juvenil você assistiu? Quantos jovens você convidou a entrar no seu time? Quantos treinos do juvenil você participou apoiando os meninos? O governo precisa dar dinheiro para que isso ocorra?

Precisamos apenas de muita força de vontade, de espaço mínimo para treinamento, de bons treinadores, que saibam manter e transmitir os valores e a estrutura complexa cognitivo-física-emotiva do esporte. Com isso, ao longo do tempo, com uma base sólida construída com ética e dignidade, vamos alcançar o topo, pelo menos da educação esportiva. O rendimento vem com o tempo. Eu acredito, e vocês?

 

Escrito por: Flávio Mazzeu

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