Depois do Sul-Americano de 2009, o Brasil fez sua estreia na Copa do Mundo de Sevens de 2009, em Dubai.

ARTIGO OPINATIVO – O rugby mudou muito em 10 anos. Em 2009, os All Blacks ainda viviam longo jejum e tinha só 1 título mundial. O rugby brasileiro era totalmente amador e o rugby feminino estava apenas começando a sair do anonimato. Colapso nos mauls era super comum, assim como aquele mergulho no ruck, enquanto nos scrum você ainda ouvi “pausa”.

A década de 2010 foi de muitas mudanças no rugby no Brasil e no mundo e nós elencamos 10 transformações importantes que aconteceram.

 

10 – Foram muitas mudanças nas Leis do Rugby

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Nesta década, o World Rugby (ou IRB, até 2014) promoveu uma série de mudanças nas regras do rugby para torná-lo mais rápido e mais seguro. Essa foram as duas preocupação básicas que levaram a tantas atualizações nas Leis do Rugby.

Houve mudanças em:

  • 2009 (mauls);
  • 2010 (rucks);
  • 2011 (tackles altos);
  • 2012 (5 testes globais, em vários aspectos do jogo);
  • 2015 (consolidação dos testes);
  • 2016 (novo ciclo de testes, focados na segurança dos atletas);
  • 2017
  • 2018 (concussões e tackles altos como foco)
  • 2019 (proposta de novo ciclo de testes)

O número de mudanças nas leis do jogo está já na casa das dezenas.

 

9 – Muitas mudanças de nomes

Muitas instituições mudaram de nome nesse período:

  • O International Rugby Board (federação internacional) foi transformado em World Rugby;
  • O Tri Nations virou o Rugby Championship;
  • A Celtic League virou o PRO14;
  • A Heineken Cup virou Champions Cup (e voltou a ser Heineken Champions Cup);
  • A CONSUR (Confederação Sul-Americana) virou a Sudamérica Rugby;
  • A FIRA-AER (federação europeia) virou Rugby Europe (e o mesmo ocorreu com todos os continentes);
  • A ABR (Associação Brasileira de Ruigby) foi transformada em CBRu (Confederação Brasileira de Rugby);
  • As Seleções Brasileira de Rugby abandonaram de vez o velho nome “Vitórias Régias”, raramente usado, e viraram “Tupis” (masculino) e Yaras (feminino);
  • O Blog do Rugby (fundado no fim de 2008) virou o Portal do Rugby;

 

8 – Brasil profissionalizou seu rugby

O rugby brasileiro passou por grandes transformações ao longo da década, com a inclusão do esporte nos Jogos Olímpicos e com a nova gestão que assumiu o esporte em 2010. De modalidade totalmente amadora, o rugby brasileiro teve sua administração profissionalizada, experimentou a organização de eventos internacionais no país em quantidade e qualidade nunca antes vistas e, por fim, está vivendo a profissionalização das seleções nacionais.

O Brasil saiu do anonimato completo no rugby para se tornar uma presença constante no cenário internacional feminino e masculino.

 

7 – Americas Rugby Championship mudou a cara do rugby no continente

Em 2016, foi criado o Americas Rugby Championship, que mudou radicalmente a cara do rugby nas Américas. Até então, o Brasil contava apenas com uma competição por ano: o Sul-Americano e seu calendário basicamente consistia em jogos contra Uruguai, Chile, Paraguai e, por vezes, Argentina. Na segunda metade da década, o Brasil passou a enfrentar Canadá e Estados Unidos regularmente, ampliando os horizontes.

O torneio ainda teve grande impacto na evolução do Uruguai, que se fortaleceu, causando impacto em 2019 ao vencer Fiji na Copa do Mundo. A competição criou ainda terrenos para o lançamento em 2020 da nova liga profissional da América do Sul, a SLAR.

 

6 – Estados Unidos nos holofotes

O rugby norte-americano também mudou profundamente. De país coadjuvante no esporte, os Estados Unidos se tornaram uma das grandes promessas do rugby mundial ao conseguirem, depois de muitos projetos falhos, criar uma liga profissional. Em 2016, o país ganhou o PRO Rugby, primeira liga profissional, que teve vida curta: apenas uma temporada. Porém, em 2018, nasceu a Major League Rugby, que vai crescendo vistosamente neste fim de década.

 

5 – Argentina virou gigante

Em 2007, é verdade, os Pumas assombravam o mundo com o 3º lugar na Copa do Mundo. No entanto, a Argentina ainda não possuía um calendário anual robusto. Foi em 2012 que os Pumas ingressaram no velho Tri Nations, rebatizado como The Rugby Championship. Os argentino, desde então, recebem All Blacks, Wallabies e Springboks todos os anos.

Mais mudança vieram em 2016, com a entrada do rugby argentino no Super Rugby. A franquia dos Jaguares foi criada como a primeira equipe profissional argentina de rugby.

 

4 – Japão é potência

A década viu ainda a ascensão do Japão no cenário internacional. Quando os japoneses entraram na Copa do Mundo de 2015, o histórico da seleção era de apenas 1 vitória, do distante ano de 1991. Os japoneses venceram a África do Sul e virou a sensação do planeta oval. Mas, o que dizer de 2019? O Japão recebeu a Copa do Mundo, criou um evento inesquecível e apaixonante e ainda fez campanha épica, vencendo Irlanda e Escócia para cair apenas diante da África do Sul nas quartas de final.

 

3 – All Blacks maiores do mundo

Se você pegasse uma máquina do tempo para ir a 2009, ouviria todo o tipo de piada sobre a Nova Zelândia no rugby. Os All Blacks eram chamados de “amarelões” por sempre perderem nos Mundiais, com a única conquista do país na Copa do Mundo datando de 1987. Tudo mudou, com 2 títulos mundiais em 2011 e 2015, quebras de recordes e quase uma década no topo do Ranking Mundial. Os anos 2010 foram dos All Blacks, sem dúvida.

 

2 O rugby feminino reivindicou seu espaço

Em 2009, o rugby feminino começava a sair da obscuridade na qual fora mantido por tanto tempo. Até 1995, a federação internacional simplesmente não reconhecia a prática do rugby entre mulheres, mas pouco a pouco o machismo foi desafiado e o espaço conquistado. A primeira Copa do Mundo Feminina de Rugby Sevens foi organizada em 2009 e desde então o seven-a-side se tornou um potencializador do rugby feminino, permitindo a profissionalização de atletas. O Circuito Mundial de Sevens Feminino foi criado em 2012, consolidando o cenário.

Porém, nos últimos anos, o XV também passou a  se destacar, com França, Nova Zelândia, Austrália e Inglaterra quebrando recordes de público para suas seleções e iniciando a profissionalização de atletas para a modalidade também. O processo está em curso, mas há muito mais luz hoje do que há 10 anos.

 

1 – Rugby é olímpico!

Talvez a maior transformação foi sim a inclusão do rugby sevens nos Jogos Olímpicos, anunciada ao final de 2009. O caminho até o Rio 2016 impulsionou o rugby em várias frentes:

  • Trouxe investimento para países onde o rugby era totalmente amador, via comitês olímpicos nacionais e pelo novo apelo para patrocinadores;
  • Consolidou o Circuito Mundial de Sevens, que passou a oferecer novas oportunidades a mais atletas e países;
  • Levou o rugby sevens a ser incluído também em outros eventos poliesportivos regionais, importantes para países que não têm tanto sucesso nos Jogos Olímpicos. Eventos como Jogos Asiáticos, Jogos Pan-Americanos, Jogos Sul-Americanos, Jogos Centro-Americanos e do Caribe estimularam o rugby em países de menor expressão olímpica, mas que valorizam tais eventos;
  • Criou terreno profissional para o rugby feminino, tanto nos países mais fortes do rugby como em países emergentes;

O rugby olímpico é um rugby mais internacional do que nunca antes.

 

Fim da década?

Agora, 2019 é o fim da década de 2010? Na verdade, não, mas tudo bem. A contagem correta das décadas começa sempre em anos terminados em 1 e se encerra ao final dos anos terminados em 0. Portanto, a década de 2010 na verdade começou em 2011 e terminará ao final de 2020 somente. Isso porque não existiu um ano 0. O século I da “era Cristã” começou no ano 1 d. C (depois de Cristo). O ano anterior ao ano 1 d. C é o ano 1 a. C (1 antes de Cristo). Por isso, a década começa em anos terminados em 1 apenas. Mas nos acostumamos a celebrar a chegada dos anos terminados em 0, portanto, que venha 2020, com mais transformações positivas no cenário do rugby pelo mundo.