Foto; David Ramos - World Rugby via Getty Images

ARTIGO OPINATIVO – No último dia 22, a Federação Francesa de Rugby (FFR) anunciou pacote de ajuda a seus clubes de 35 milhões de euros e em comunicado oficial deixou claro que tem como preocupação também salvar os clubes amadores da crise econômica que se avizinha com a pandemia do COVID-19. Na nota da entidade, ela menciona sua preocupação com os 1900 clubes do país. Com apenas 30 clubes 100% profissionais, o restante é a massa de clubes amadores.

Pode não parecer algo tão importante para algumas pessoas, mas é. Trata-se do tipo de texto que assume a responsabilidade da liderança. A FFR assumiu a condição de líder em um momento que será difícil para todos e todas: clubes, jogadores, jogadoras. Mesmo que ela no futuro próximo ela venha se provar incapaz de deter algumas falências, uma vez que é impossível uma federação ajudar 1900 clubes (mesmo sendo ela a terceira federação mais rica do mundo), o simples fato de ela ter mencionado a existência dos 1900 clubes e sua preocupação com eles é por si só um exercício de liderança.

O que muitas vezes o clube pequeno precisa é o incentivo do reconhecimento da entidade que o governa. É ele saber que de alguma forma seu destino importa para tal entidade, independente do que ela possa fazer realmente. É óbvio que provavelmente a maior parte do dinheiro será mais necessário dentro do rugby profissional, porque este tem mais custos e os atletas profissionais dependem de seus empregos – ao contrário do atleta amador, que não tira do rugby seu sustento.

Porém, quando a FFR fala no rugby amador, ela mostra ao mundo do rugby que não é só o esporte profissional que importa e que sofrerá com uma eventual recessão – e que o rugby amador é sim tão importante quanto o profissional.

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Estamos apenas no início de uma crise que ninguém sabe quanto tempo poderá durar e quais serão seus reais efeitos. É justamente por isso que exemplos de liderança positiva precisam ser exaltados – precisam servir de exemplo.

Espero que no desenrolar da crise mais confederações/federações do rugby expressem sua preocupação com o futuro de seu rugby amador e busquem algum forma de colaborarem. Não falo em dinheiro, porque nem todo mundo tem a conta bancária da FFR. Falo em estratégias, propostas de talvez desonerem clubes ou os capacitem a gerirem crises. Ou, no mínimo, o simbólico reconhecimento de que eles importam.