Na semana passada, o Campeonato Francês teve um lance digno dos valores do rugby e que rodou o mundo e a mídia internacional em geral, mesmo aquela que não costuma cobrir o rugby (e inclusive no Brasil). O jogador Talalelei Gray, do Toulouse, protegeu o jogador Virgile Bruni, do Lyon, que havia se lesionado no meio de uma sequência de fases do Toulouse próximas da linha de try. Renunciando a participar da ação ofensiva que poderia resultar em try do Toulouse, Gray mostrou um exemplo profundo do espírito do rugby e do cavalheirismo da modalidade, preocupando-se com a integridade física de seu oponente – afinal, seu oponente é seu colega de esporte, sem o qual o jogo não é possível.

Esse é um dos vários exemplos dados pelo rugby que nos faz ter orgulho de fazermos parte de uma modalidade esportiva que prega seus valores e os coloca em prática. O ato, digno de aplausos, não foi questionado. Gray não foi chamado de tolo e não houve a fúria de torcedores e imprensa de que ele estaria “querendo aparecer”. O Toulouse, aliás, acabou vencendo o duelo por 17 x 09, como que numa recompensa divina.

Seja como for, o que sempre esperamos é que Gray faça escola, isto é, inspire jogadores de todo o mundo a fazerem o mesmo. É um dos momentos no qual o rugby profissional, mesmo sempre pressionado por tantos interesses econômicos (ainda mais no Top 14, tão acusado de priorizar o dinheiro e as vitórias sobre o desenvolvimento local), deu um exemplo valoroso inclusive ao rugby amador.

Então, como a notícia do Gray fez sucesso, viralizou e está sendo usada como propaganda positiva de nosso esporte, honremos sempre esse exemplo. O rugby é um esporte de contato no qual o respeito ao oponente – e, inclusive, à sua integridade física! – devem sempre prevalecer. Importar-se com o oponente é a atitude que precisa ser cada vez mais corriqueiro a ponto de não ser necessário noticiá-la.