Foto: Bruno Ruas

ARTIGO OPINATIVO – O Super 16 – o Campeonato Brasileiro – já se encerrou, mas ele ainda é assunto. Nos últimos programas #Ovalados debatemos um pouco sobre o campeonato e, é lógico, as opiniões divergem. Vou passar algumas impressões minhas para estimular o debate.

Primeiramente, analisando o relatório de 2017 da CBRu, na página 20, pode-se ver quais eram as expectativas da entidade para os Campeonatos Brasileiros. Eram esperados 28 times na somatória de Super 16 e da Taça Tupi, mas tivemos na realidade 24 times entre os dois torneios. E a diferença média de pontos esperada era de 25, ao passo que o Super 16 registrou 39 pontos de diferença média ao longo de sua fase de grupos e 34 pontos de diferença média ao longo de todo o torneio.

Em 2017, o Super 8 registrou diferença média de apenas 11,7 pontos em suas partidas, menos de 2 tries de diferença, o que apontava para grande equilíbrio. Já o número decepcionante de participantes na Taça Tupi teve como efeito adaptações no modelo de disputas que tornaram a competição de difícil compreensão mesmo para o fã mais fanático.

Em outras oportunidade, eu defendi um caminho diferente para as competições de clubes, sendo eu defensor de uma abordagem sempre mais estadual para os campeonatos, com campeonato nacional curto.

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No entanto, sabendo que a maioria das pessoas defende um campeonato nacional que ocupe grande parte do calendário, vou elencar virtudes do modelo atual e o que considero que é preciso ser mudado logo:

 

Virtudes atuais do modelo

  • Regionalização;
    • Por mais que muita gente defenda o Super 8, com 8 times (distantes entre si) se enfrentando em pontos corridos, o fato é: em 2020 haverá uma Liga Sul-Americana profissional de franquias, enquanto os deslocamentos do Campeonato Brasileiro (amador) dependem de projetos incentivados (cujo futuro não anda nada certo) aprovados pela CBRu;
    • Por isso, sinceramente, o modelo antigo do Super 8 é o melhor esportivamente, mas a menos que parta uma solução financeira vinda dos clubes para o custeio do torneio, ele não é o mais lógico economicamente no momento atual;
    • A regionalização, por sua vez, permite aos clubes se deslocarem menos, o que poderia permitir uma melhor gestão do calendário.
    • É importante para o futuro os clubes se preocuparem mais em formarem categorias de base e equipes B adultas do que em como farão para custear seu time adulto, ainda mais tendo a concorrência da Liga Sul-Americana em 2020;
  • Final na casa do time de melhor campanha. Faz todo o sentido e garante um espetáculo com torcida. O modelo do campo neutro era ruim ao espetáculo fora de campo;

 

Problemas de 2018

  • A disparidade dos times dentro dos grupos tornou muitos jogos extremamente desiguais e prejudicou a emoção das disputas. Além disso, a desigualdade dos grupos enviesou a definição do mando de jogo nas finais e resultou em clubes concluindo que não valerá a pena seguir na competição em 2019;
  • O Ranking não colaborou com a montagem do campeonato, uma vez que tornou difícil sua compreensão. O jogo de Repescagem, por mais que tenha produzido um resultado histórico do Charrua vencendo o SPAC em São Paulo, criou uma inconsistência no Grupo D, pois o grupo deveria ter tido dois times jogando a Repescagem de Rebaixamento. A classificação do Charrua às quartas acabou privando o Joaca da chance de tentar a promoção;
  • Além disso, por mais que o Charrua tenha provado a força do Grupo D, a ideia de que esse grupo deveria ter mais vagas no mata-mata foi frágil (difícil de defende previamente), uma vez que havia nele dois clubes que jamais haviam jogado a primeira divisão nacional (Charrua e San Diego);
  • As Repescagem de Rebaixamento/Promoção não ocorreram como se esperava por desistências e poderiam ter produzido desequilíbrios caso os vencedores da Taça Tupi fossem outros clubes;

 

Soluções para 2020

O torneio de 2018 mostrou que ainda não é hora de uma primeira divisão com 16 times. Para 2019 é difícil mudar isso já que, em tese, os participantes já foram definidos e não seria justo mudar agora as regras.

Mas para 2020 a solução poderia ser:

  • Reduzir a primeira divisão para 12 clubes;
    • Isso tornaria o torneio menos desigual e fortaleceria a segunda divisão;
  • Dividir os clubes em 2 grupos: Sul e Sudeste, cada um com 6 equipes cada. O modelo ofereceria 10 partidas na primeira fase, seguidas de semifinais (ida e volta) e final (mando único). O último colocado encararia Repescagem de Rebaixamento;
    • O negativo é que tal modelo aumentaria as distâncias no Grupo Sul por opor Paraná com Rio Grande do Sul, o que poderia encarecer alguns deslocamentos;
  • Espalhar o campeonato pelo ano todo, de abril a outubro, intercalando suas rodadas às rodadas dos estaduais. Motivo: clubes que não jogam o Campeonato Brasileiro não podem ter suas temporadas se encerrando no meio do ano;
    • Além disso, em 2018 novamente houve um clube do Paulista B jogando partidas em todas as semanas na segunda metade do calendário, tendo inclusive 2 jogos no mesmo fim de semana. Isso ocorre porque o Paulista B é disputado ao longo do ano todo, justamente para dar atividade a todos os seus clubes até o fim do ano;
    • Para os clubes grandes, a temporada espalhada poderá ajudar na gestão do grupo, permitindo descanso mais regular ao longo do ano;
  • A Taça Tupi deveria manter o sistema de grupos Sul e Sudeste com apenas 4 times, para não criar um número de jogos pesado demais para certos clubes e permitir a regionalização dentro de Sul e Sudeste, para reduzir distâncias. Com isso, poderia haver 1 ou 2 grupos do Sul e 1 ou 2 grupos do Sudeste, dependendo do número de inscritos;
  • Na Taça Tupi, Sul e Sudeste só deveriam se cruzar na grande final. Com isso, o campeão do Sul e o campeão do Sudeste teriam vaga na Repescagem contra o último colocado de cada grupo do Super 12 e ainda disputariam o título da competição;

 

Soluções para 2019

Com tais metas para 2020, o que precisaria ser feito já para 2019?

  • Eliminar o Ranking e estabelecer que apenas 2 times por grupo disputam as quartas de final;
  • Estabelecer jogos de ida e volta também para as semifinais, para evitar enviesamento do mando de jogo pela força/fragilidade dos grupos;
  • Condicionar a participação na Taça Tupi à colocação do campeonato estadual de 2018. É preciso incentivar os clubes a jogarem o estadual e a provarem nele que podem jogar o nacional. O Ranking pretendia fazer isso, mas acabou não fazendo (com clube que não jogou o estadual participando do nacional);
  • Condicionar o número de vagas de cada estado a como é o campeonato estadual: estados com XV juvenil e com mais times adultos deveriam ser premiados com mais vagas no adulto. Neste caso, o Ranking não deveria ser de clubes e sim de estados;
  • Alinhar o Rebaixamento à necessidade de redução da competição para 2020, isto é, permaneceriam na 1ª divisão somente os 6 melhores do Sul e os 6 melhores do Sudeste. Mas o campeão da Taça Tupi precisa ter a chance de subir, ao menos via Repescagem contra o 6º colocado de sua região;

 

E outras regiões?

O relatório da CBRu também sugere que para 2019 poderiam ser incorporadas novas regiões (Nordeste? Centro-Oeste? Norte?) à segunda divisão, o que poderia acabar ocorrendo em 2020.

Infelizmente, o rugby XV dessas regiões implodiu, com o Campeonato Nordestino sendo encerrado, o Baiano sendo transformado em um mata-mata, e a Copa Norte e o Pequi Nations se resumindo a 2 clubes cada.

Talvez uma alternativa fosse recriar a Copa do Brasil na condição de torneio de desenvolvimento, oferecendo vagas para os campeões dessas regiões enfrentarem equipes da Taça Tupi, criando um caminho de desenvolvimento antes da criação de grupos novos na Taça Tupi para tais regiões.