Foto: Renan Claro

Ontem, redigi um artigo acerca das possibilidades abertas para o seven-a-side com os torneios da Copa Bullguer e do SPAC Lions Sevens. Tal artigo era direcionado a incentivar Confederação e federações estaduais a buscarem a construção de torneios de sevens com um padrão mais elevado. Eventos que sejam referências na congregação do nosso rugby e na valorização dos clubes.

O artigo talvez tenha deixado lacunas que pretendo explicar aqui, dadas as críticas positivas recebidas. Primeiramente, como coloquei nele, “é ilógico cobrar algo a mais de torneios puramente amadores, feitos “na raça” para prover atividades a equipes femininas ou masculinas iniciantes. Porém, quando falamos de eventos feitos para serem o topo de uma categoria, é preciso pensá-los de maneira atraente”. O que eu quis dizer com isso?

É preciso entender a vocação de cada torneio. Mais do que isso, é preciso entender onde cada torneio se encaixa dentro de um ecossistema do seven-a-side, a nível nacional e a nível regional e estadual.

Em outras palavras, há torneios que existem com o objetivo de desenvolverem equipes, de comporem calendário a clubes já mais consolidados (algo que se aplica à maioria dos torneio femininos, por ser a única modalidades consolidada para as mulheres por enquanto) ou simplesmente de serem confraternizações mais modestas de um grupo pequeno de clubes.

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Isto é, a minha crítica não é pertinente para torneios como os circuitos estaduais femininos, masculinos de desenvolvimento ou juvenis, nem mesmo para o Super Sevens Feminino. Tais competições existem para proverem calendário aos clubes. Portanto, são torneios que não terão uma mega festa de encerramento ou um batalhão de voluntários e orçamento generoso. São competições que precisam ter custos baixos, pois são o esqueleto do calendário para seus participantes.

Quando me refiro a eventos de um padrão maior, refiro-me à volta hipotética do Sul-Americano de Sevens ao Brasil, ao ressurgimento de um Brasil Sevens, à evolução da Copa Cultura Inglesa ou à construção de campeonatos estaduais e regionais que ofereçam um encerramento empolgante de temporada aos clubes e jogadores e façam o papel de divulgadores do esporte. Impactantes numa escala maior.

Tendo dito isto, é importante ressaltar que há muitos torneios de sevens que cumprem muito bem o papel de reforçarem os laços fraternos entre os clubes, fomentarem o espírito do rugby e também de criarem laços com a comunidade. Na foto de destaque deste artigo está uma cena do Sanca Sevens, de São Carlos, que é um desses torneios que já se fixaram no calendário regional do interior paulista e que cumprem tal papel muito bem. Não apenas o torneio de São Carlos, mas outros espalhados pelo Brasil se pautam pelos melhores princípios de fortalecimento dos valores e laços do rugby.

 

Consolidação pelo sevens e do sevens

Resgato um artigo meu do ano passado, no qual eu trabalho possibilidades para a melhoria do Super Sevens Masculino. No mesmo ano, aliás, trabalhei o futuro dos torneios femininos, em outro artigo.

Volto a destacar a necessidade de se construir um real ecossistema do seven-a-side, isto é, uma pirâmide competitiva bem articulada desde os torneios estaduais (até mesmo regionalizados dentro de cada estado) até o topo das competições nacionais, exatamente como precisa ocorrer com o rugby XV. No entanto, no XV, tal estrutura já está desenhada e sendo repensada, mas é fato que já há articulação entre os torneios estaduais e nacionais no XV.

O sevens precisa disso. Uma conexão sólida entre estaduais e nacionais. E, mais que isso, a montagem em cada estado de competições de sevens que possam oferecer calendário anual para equipes que não jogam XV. Isso é óbvio para o feminino, mas é crucial para juvenil e masculino.

 

Sevens pelo desenvolvimento

Nesse sentido, o Rio de Janeiro montou um circuito de sevens de desenvolvimento, a Taça Rio, que cumpre tal função e vem sendo bem sucedido em oferecer atividades a seus clubes. Tal experiência precisa ser replicada em estados como São Paulo e Rio Grande do Sul, que atrelaram demais seus calendários masculinos ao rugby XV, o que não é bom para clubes que não têm condições de se engajarem no XV.

 

Rugby X: olho nele

Entretanto, o sevens tem seus problemas: ele não é realmente inclusivo. Há tipos físicos que o sevens exclui e isso não é bom para o esporte. Pensando nisso, na Inglaterra foi criado o Rugby X. Não confunda o RugbyX original com a modalidade 5-a-side pirotécnica lançada recentemente pelo World Rugby para fazer eventos em arenas cobertas.

O RugbyX (batizado primeiramente de X Rugby) nasceu como uma modalidade voltada para criar um sevens inclusivo, voltado a todos os tipos físicos. O que seria ele?

Trata-se de um seven-a-side em metade do campo. Ou seja, um jogo que exige apenas 7 jogadores de cada lado, isto é, demanda dos clubes poucos jogadores, mas que é jogado em espaço curto. Ou seja, não há espaços como no sevens convencional e, portanto, torna a dinâmica do jogo mais próxima do rugby XV, com velocidade reduzida, permitindo que todos os tipos físicos participem.

Esta é uma modalidade que permite uma iniciação real no rugby a mais pessoas e clubes e, portanto, precisa ser olhado com carinho pelos desenvolvedores do rugby no país.

Para quem não conhece o novo X do rugby, clique aqui para ver as suas leis chanceladas pelo World Rugby.