ARTIGO OPINATIVO – Este artigo parece bobo ou mesmo implicante, mas não é nenhuma das duas coisas.

Início de ano é época dos clubes buscarem novos praticantes e isso significa realizarem mais ações que buscam apresentar a modalidade a novas pessoas e trazê-las para o esporte.

Passeando por Instagram e Facebook é possível ver essas ações se repetindo entre os clubes. E uma palavra me chama a atenção: “seletiva”.

Trata-se de um termo muito errado para o rugby. “Seletiva” vem do verbo “selecionar”, que significa escolher alguma coisa no meio de várias – e obrigatoriamente excluir algumas. Se não há exclusão, não há seleção.

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Em outras palavras: seletiva significa EXCLUIR pessoas do clube. O que é o oposto do que os clubes querem e precisam.

As atividades que os clubes estão realizando NÃO são seletivas. São clínicas, treinos abertos, demonstrações, ações inclusivas para apresentarem o rugby e incentivarem novas pessoas a aderirem ao esporte.

NENHUM clube brasileiro faz – ou ao menos não deveria fazer – seletiva. Nenhum. Porque pouquíssimos clubes têm equipes “B” e elas são essenciais num projeto de clubes real, para haver espaço para todo mundo. Um clube de rugby amador precisa das mensalidades dos seus membros, de mãos para trabalharem voluntariamente dentro e fora de campo. E, acima de tudo, o ESPÍRITO DO RUGBY é sempre de inclusão.

O termo “Seletiva” até poderia ser agregado aos termo “Treino Aberto” ou “Oficina”, como por exemplo “Oficina + Seletiva”, significando hipoteticamente que se houver muita gente na oficina/treino aberto poderá haver uma seleção para um time principal (o que dificilmente ocorrerá), mas que todos podem participar do clube. Não confundir clube com time principal é essencial.

E você, o que acha?

 

1 COMENTÁRIO

  1. Victor, como você termina o seu artigo perguntando o que achamos, permita-me respondê-lo e discordar de você. Até porque estou no meio de uma divulgação de “Seletiva” por parte do meu clube, como você sabe, via release que enviamos ao Portal do Rugby.

    “Seletiva” realmente não demonstra o que iremos fazer no próximo domingo. O rugby, como todos sabem, é extremamente inclusivo. Para atrair possíveis futuros jogadores para o evento onde faremos as oficinas, demonstrações, atividades e outras ações inclusivas, é difícil encontrar um termo que simplifique bem todo o evento e que, “de cara”, faça a pessoa que está lendo aquele anúncio ser fisgada ao entender do que se trata. Por isso escolhemos o termo “Seletiva” mesmo que ele não signifique exatamente quais são as nossas intenções.

    Em 2017 resolvemos fazer o mesmo evento. Sabendo que o rugby é inclusivo nós demos o nome de “Treinão” ao evento. Fizemos tudo igual estamos fazendo agora. Quatro pessoas apareceram. Na nossa análise o termo “Treinão” falhou ao chamar a atenção do público. Ao divulgarmos uma “Seletiva” todos sabem que se trata de um clube de rugby procurando novos jogadores. Ponto. O termo cumpriu o seu papel de chamar a atenção. A partir daí, quando a pessoa continua lendo sobre o nosso evento, passa a saber que não estamos selecionando ninguém, que todos são bem-vindos. Martelamos muito sobre não estarmos selecionando ninguém em toda publicação e aparição que fazemos.

    O seu artigo realmente tenta explicar o que é uma “Seletiva” e o que a palavra significa. Isso todos nós já sabemos, nem precisava do Portal explicar. Mas, se por exemplo, você ao receber nosso release tivesse me procurado para saber o que estamos fazendo aqui em Ribeirão Preto, o porquê de estarmos usando o termo “Seletiva”, poderia ter tido a chance de ouvir o outro lado e entender os nossos objetivos (que provavelmente são os mesmos dos outros times que estão usando o mesmo termo). Você não entendeu e nem procurou saber o significado além do que está no dicionário. Se você tivesse feito a parte investigativa que o jornalismo preza, de ouvir todas as partes, se inteirar do assunto, poderia ter feito um artigo mais construtivo do que esse. Você escolheu sair dando pancada ao invés de fazer jornalismo. E, sabendo que fazer isso era desnecessário, já começa seu artigo dizendo que ele “parece bobo e mesmo implicante”. E vou te dizer: pra mim ele é tanto bobo quanto implicante.

    O Portal do Rugby poderia ter ajudado o Ribeirão Preto Rugby com a divulgação de um evento bacana, apoiado pela prefeitura municipal, que vai acontecer no parque mais movimentado da cidade aos domingos, que teve grande divulgação da mídia local (sites, blogs, páginas de Facebook, Rádio CBN, Globo/EPTV, emissora de TV local), que provavelmente contará com a participação de dezenas de novas pessoas (assim esperamos), onde todos até agora estão empolgados e felizes pela grande repercussão que o evento teve. Mas, ao invés disso, o Portal do Rugby preferiu nos dar uma pancada com a publicação desse artigo. É muitro triste e não tem nada dos valores do rugby que tanto pregamos. Fica aqui o meu desabafo.

    João Becker