Brasil medalhista de bronze nos Jogos Pan-Americanos Toronto 2015. Expectativas semelhantes para Lima 2019. Foto: Gaspar Nobrega/inovafoto

ARTIGO OPINATIVO – Logo mais o Bom Velhinho vai distribuir presentes e vou colocar aqui 5 pedidos dos mais variados.

1) Seleção feminina: Classificação aos Jogos Olímpicos de 2020 e à Série Mundial de Sevens 2019-20 + medalha no Pan:

  • O meu pedido principal é para as Yaras. Trata-se da seleção que mais deu glórias ao Brasil e todo o rugby brasileiro deve muito à seleção feminina. Em 2019, serão 2 torneios cruciais para o futuro da equipe. Em abril, o Brasil encara o Hong Kong Sevens, que vale vaga de equipe fixa da Série Mundial (a 1ª divisão mundial) ao campeão. Isso significa voltar a ter um calendário robusto anual entre as melhores do mundo: essencial para nossa evolução.
  • E em junho (em local e data a serem definidos) as Yaras encaram o Pré Olímpico. Estar em Tóquio 2020 é obrigatório para a saúde do nosso rugby feminino, mas a dificuldade parece gradualmente (ainda que de forma tímida) aumentar, com a Colômbia crescendo na base e a Argentina sendo profissionalizada;
  • Depois, em julho, o Brasil irá ao Pan 2019 e a seleção feminina é de novo destaque podendo levar a medalha de bronze para casa – e de preferência com transmissão em rede nacional pela Record.

2) Seleção Juvenil: alguma vitória no Troféu Mundial M20. Em julho, São José dos Campos receberá o World Rugby Under 20s Trophy, a 2ª divisão M20 mundial. Para esse torneio, são dois desejos:

  • Primeiramente, precisamos ter público no estádio! Temos que ter públicos consistentes nos 4 dias de jogos que seremos manchete do World Rugby. Em outras ocasiões, como na Série Mundial de Sevens Feminina em Barueri, de 2014 a 2016, o público poderia claramente ter sido melhor. Não é só de Tupis contra Maori All Blacks que nossos estádios devem viver! Já ponha na agenda essa obrigação de prestigiar os Curumins;
  • E o Brasil já largou atrás em 2019 das demais seleções juvenis. Ainda não sabemos todos os participantes do torneio, mas nossa seleção ainda não conseguiu conquistar no campo sua vaga ao torneio, o que significa que outras seleções no papel mais fortes estarão por aqui. Qualquer vitória já será uma evolução e seria importantíssimo alguma, já que o torneio é diante de nosso público;

3) Rugby de clubes: Um calendário melhor de sevens, por favor!

- Continua depois da publicidade -
  • O pedido para o sevens em 2019 é que haja um carinho (essa é a palavra) maior pela modalidade. O sevens masculino de clubes nunca teve prestígio tão baixo como hoje e novamente ficou perdido no calendário, como se pouco importasse.
  • É preciso sentar e discutir esse problema de verdade: devemos muito ao sevens, pois o status olímpico que ele deu ao rugby mudou a história da modalidade, sobretudo do ponto de vista financeiro. E ele vale bolsa-atleta. Não é certo tratarmos tão mal a modalidade assim;
  • Entretanto, é preciso preservar o espaço de diversão também. O SPAC Lions é sagrado e não pode se transformar em “mais uma competição”, sem sua verdadeira alma, que é o fim de semana de celebrarmos amizades. Estender o calendário competitivo do rugby de clubes amador até dezembro só desgasta o ambiente e joga fora um dos últimos espaços reais de pureza do espírito do rugby. SPAC Lions tem que ser diversão! E apenas diversão;
  • Isso me leva ao rugby feminino, que precisa ter o Super Sevens se encerrando em novembro e necessita urgentemente de uma revisão de seu calendário. Se as Yaras não são mais equipe fixa da Série Mundial, é preciso usar melhor o primeiro semestre do rugby feminino. Abarrotar todas as etapas no segundo semestre é muito ruim para a competição;
  • E também me leva à Copa Cultura Inglesa, que não pode continuar no SPAC Lions. Já temos poucas competições juvenis e o Lions poderia ser o espaço para novos times colocarem seus jogadores em campo e viverem o espírito máximo do rugby em um evento que forma de verdade cultura de rugby. O torneio competitivo da Copa Cultura Inglesa tem que ter vida própria e ser disputado separadamente;

4) Super 16: formato melhor e com menos problemas com ambulância

  • Eu já dei no Portal do Rugby uma penca de ideias ao longo dos anos sobre o Campeonato Brasileiro de Rugby. Não vou retornar a elas agora: tudo o que peço é que tenhamos um formato de Super 16 minimamente vendável e atrativo ao público;
  • Sem ranking de clubes! Grupos, rebaixamento e classificação ao mata-mata feitos de forma simples!
  • E jogos com maior zelo. Melhor divulgação, placares de diferenças menos traumáticas e sem problemas banais como os “causos” envolvendo ambulâncias. Menos várzea, porque em 2018 o campeonato de clubes teve momentos de fundo do poço;

5) Copa do Mundo estourar no Brasil!

  • Esse é um desejo importante demais. Se o Brasil quiser fazer impacto um dia indo à Copa do Mundo, antes é preciso que a Copa do Mundo seja bastante familiar para o público brasileiro em geral. Por isso, o meu desejo maior é que o Mundial de 2019 tenha grande repercussão no país, com audiência bombando na ESPN e notícias saindo na TV aberta e nos principais portais. É preciso todo mundo conhecer essa maravilhosa competição!

 

Ei, e para os Tupis? Não tem desejo?

A seleção brasileira de XV já entregou tudo o que desejávamos em 2018 e sinceramente 2019 não é o ano que ela será a mais importante – já que Yaras e Curumins são as bolas da vez no ano.

Para os Tupis, o único tabu que falta quebrar é vencer o Uruguai no Americas Rugby Championship. Portanto, o desejo natural é termos essa vitória. Mas o Uruguai jogará em casa e deverá usar força máxima, pensando na Copa do Mundo. Uma vitória brasileira seria muito boa para criar já agora a expectativa de que podemos mesmo estar em 2023, mas 2019 não é o ano crucial para tal quebra de tabu. Em 2020, sim, tal necessidade de vencer os Teros estará na pauta do dia.

Portanto, 2019 é ano de dividir mais as atenções.