Foto: Bruno Ruas @ruasmidia

ARTIGO OPINATIVO – Não é preciso lembrar que o ano de 2019 foi dos mais especiais para o rugby, pois foi ano de Copa do Mundo. Porém, os fatos vão muito além do que rolou no Japão. Portanto, vamos à retrospectivo com 10 fatos que agitaram 2019 no mundo ovalado! Muitos ficaram de foram, lógico, pois a escolha de 10 temas é sempre arbitrária.

 

10 – Pichot perde batalha pela Liga Mundial

O ano começou fervendo com a ousada proposta do World Rugby, forjada pelo vice presidente da entidade, o argentino Agustín Pichot, de criação do World Rugby Nations Championship, uma liga mundial de seleções que uniria todo o planeta anualmente, juntando o Six Nations e o Rugby Championship. A proposta previa 3 divisões, com sistema de rebaixamento e promoção valendo para todos os países. Por trás, havia uma oferta de mais de 31 milhões de reais (mais de 6,2 milhões de libras) da com a Infront, empresa suíça de marketing esportivo, para comercializar a competição.

- Continua depois da publicidade -

A proposta, no entanto, dividiu as opiniões nos países mais poderosos e acabou rechaçada por Irlanda, Escócia e Itália no Conselho do World Rugby.

Abaixo a proposta de liga que acabou sendo rejeitada.

9 – Saracens do céu ao inferno

No rugby de clubes, o Saracens, de Londres, foi a grande estrela do ano, positiva e negativamente. O clube inglês dominou de modo vistoso o rugby europeu, conquistando a Premiership inglesa e a Heineken Champions Cup europeia na temporada 2018-19.O título continental (seu tricampeonato) veio com triunfo sobre os poderosos irlandeses do Leinster.

No entanto, no início da temporada 2019-20, o clube foi punido na Premiership com a perda de 35 pontos na classificação por ter quebrado ilegalmente na temporada anterior o teto salarial imposto pela liga. O último título não foi cassado, mas o clube passou de protagonista glorioso a “vilão” ameaçado de rebaixamento. Tudo em um ano apenas.

8 – O renascimento francês

Os últimos anos foram terríveis para a Seleção Francesa, que vive seu maior jejum de títulos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. No entanto, 2019 foi o ano positivo para a França. No M20, o país conquistou pelo segundo ano seguido o Campeonato Mundial, ao passo que no adulto sua seleção voltou a respirar, recheada de jovens talentos, indo às quartas de final da Copa do Mundo e flertando com passagem às semis. Já entre os clubes, o velho poderoso Toulouse finalmente foi campeão do Top 14 e avançou às semis da Champions Cup.

7 – O melhor e o pior da Argentina

O ano também apresentou o melhor e o pior do rugby argentino. Na verdade, 2019 começou excelente, com os Jaguares alcançando ineditamente a grande final do Super Rugby, caindo apenas na decisão diante do poderoso Crusaders, da Nova Zelândia, que conquistou seu 10º título e o 3º consecutivo. Contudo, os Jaguares finalmente brilharam na liga do Hemisfério Sul.

Contudo, a Copa do Mundo expôs uma seleção argentina longe do que o país pode oferecer de melhor, caindo na primeira fase do torneio.

6 –  O caso Folau

Certamente outro assunto importante do ano foi a rescisão do contrato de Israel Folau com a Rugby Australia e os Waratahs. O talentoso fullback perdeu a temporada de Copa do Mundo por conta de sua insistência em tecer comentários de cunho religioso que foram considerados ofensivos a parte da comunidade do rugby australiano (em especial à comunidade LGBT) e que violavam o código de conduto imposto pela federação do país. O caso virou uma longa novela de tribunal que terminou com um acordo turvo entre as duas partes.

 

5 – Gales viveu ano glorioso

O rugby galês viveu um ano brilhante, com a conquista do Six Nations europeu por Grand Slam (5 vitórias em 5 jogos). Foi um ttítulo que coroou o trabalho do técnico Warren Gatland, quebrando o jejum que vinha de 2013. O título ainda completou uma série de 14 vitórias consecutivas para Gales, o recorde da história do país, quebrada somente com os amistosos pré Copa do Mundo em agosto.

No Mundial, Gales venceu a Austrália e a França, alcançando pela terceira vez na história a semifinal. Porém, a derrota para a África do Sul encerrou o sonho do título inédito.

4 – Rugby Feminino celebra recorde e Barbarians

O ano de 2019 foi de passo a mais para o rugby XV feminino mundial, com um número recorde de países colocando seleções em campo para jogos oficiais, com amistosos e o começo das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2021. Foram 37 países indo a campo ao longo do ano, incluindo o Brasil, que não jogava uma partida oficial desde 2008.

Além disso, finalmente os Barbarians (o tradicional combinado mundial) criaram sua equipe feminina, que fez 3 jogos oficiais em 2019. O debut foi em abril contra os Estados Unidos.

3 – Japão mágico

No pódio do ano está certamente o rugby japonês. Os Brave Blossoms, a seleção do país, fizeram história na Copa do Mundo ao jogarem um rugby intenso e vistosos para vencerem a Irlanda e a Escócia e alcançarem de modo invicto e inédito as quartas de final do Mundial, sendo eliminados apenas pela poderosa África do Sul.

O Japão produziu um Mundial inesquecível, com seus torcedores criando uma atmosfera brilhante para uma Copa do Mundo que ficou para a história.

2 – A queda da hegemonia dos All Blacks

A maior potência da história do rugby profissional e a geração mais brilhante de todos os tempos. De 2010 a 2018, a Nova Zelândia dominou por completo o rugby mundial, com uma série impressionante de 7 títulos do Rugby Championship, 2 títulos de Copa do Mundo e sequência de 18 vitórias seguidas (de 2014 a 2015). Em 2019, o “bicho papão” caiu. Os All Blacks perderam o título do Championship para os Springboks e, na sequência, caíram na Copa do Mundo diante da Inglaterra na semifinal – com os ingleses fazendo jogo histórico. A eliminação marcou a despedida do vitorioso técnico Steve Hansen da seleção.

Porém, nem tudo foi desastre para o rugby neozelandês, pois os Crusaders seguiram implacáveis no Super Rugby alcançando o decacampeonato.

1 –  Kolisi lidera uma África do Sul épica

Ano de Copa do Mundo sempre produz grandes imagens, mas 2019 se superou. A África do Sul conquistou seu terceiro título mundial, batendo a Inglaterra na grande final. Com uma seleção realmente multiétnica, os Springboks foram capitaneados por Siya Kolisi, primeiro capitão negro campeão do mundo. Makazole Mapimpi e Cheslin Kolbe marcaram os tries da vitória, com Piet-Steph Du Toit sendo eleito o melhor jogador do mundo. O número 1 da lista é, lógico, um dos momentos mais importantes da história do rugby mundial.

Menção honrosa: Aplausos para os Teros!

A menção honrosa vai para o rugby do Uruguai, após uma memorável vitória de sua seleção nacional na Copa do Mundo diante de Fiji. O Uruguai mostrou que trabalho nas categorias de base e pensamento de longo prazo dão frutos e o país não foi “saco de pancadas” na Copa do Mundo. O Uruguai foi destaque!