ARTIGO OPINATIVO – O sevens masculino é um problema. Ninguém está satisfeito com a situação. Nem atletas, nem clubes, nem a CBRu. Se há uma unanimidade sobre o assunto é que é preciso encontrar um caminho para a modalidade no país.

Ano após ano temos questões sendo levantadas sobre o sevens. Já tivemos a competição sendo disputada na virada do no, no fim de ano e no início de ano. Alguns clubes importantes do nosso rugby se mostram desinteressados.

Primeiramente, é importante saber como ocorre em outros países. Via de regra, rugby sevens de clubes tem dois aspectos na maioria dos países: ele é recreativo, para confraternização, e competições nacionais profissionais são raras. Em outras palavras, clubes que buscam o alto rendimento no XV raramente disputam sevens – e quando o fazem, seus elencos diferem consideravelmente.

Olhando para nossos vizinhos, o Uruguai e o Chile têm seus clubes jogando sevens. Basta dizer que Viña del Mar e Punta del Este também contam com disputas de clubes. Mesmo em dezembro, os uruguaios tiveram seu torneio nacional de sevens. Mas no Uruguai as distâncias são pequenas e criar competição com a maioria dos times estando em Montevidéu não é um grande problema.

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Na Argentina, existe um multidão de torneios, quase todos com o aspecto de diversão. Os clubes montam seus próprios calendários de sevens de acordo com o que querem e normalmente usam os torneios para dar oportunidades e atletas de intermédia, por exemplo. O torneio da URBA, que reúne os clubes de Buenos Aires, talvez seja o maior para clubes, fechando a temporada de Buenos Aires. Igual o que ocorre em Montevidéu, trata-se de um torneio de clubes da mesma região metropolitana.

Mas, como os argentinos fazem para terem um torneio nacional? A resposta é: Seven de La República. Trata-se do nacional de sevens, jogado por seleções provinciais. Mas mesmo tais seleções frequentemente giram o país e a América do Sul em busca de torneios, cada uma elaborando o calendário de forma independente.

 

Qual o melhor modelo para o Brasil?

Na minha opinião, o modelo argentino adaptado. A CBRu já teve redução no orçamento para o Super Sevens Masculino, sugerindo que o modelo precisa ser racional do ponto de vista financeiro.

Lá vai a sugestão (para sevens masculino adulto!):

  • Torneio de 8 times, bem feito, atrativo para público e patrocinadores.
    • O torneio poderia ser disputado junto de outras categorias, como a Copa Cultura Inglesa (abrindo espaço no SPAC Lions para um torneio juvenil aberto para clubes);
  • Sobre os participantes:
    • 5 times formados por brasileiros, selecionados pelo alto rendimento da CBRu e/ou federações estaduais para treinarem sevens logo após o encerramento da temporada de XV;
    • Seriam 60 atletas envolvidos, todos candidatos a lugar na seleção adulta e na seleção M20 de sevens;
    • 3 times convidados estrangeiros, para elevar o nível da competição;

Com isso, o interesse pelo torneio – que deve ser um torneio de alto nível, pensando no alto rendimento – para a ser dos próprios atletas que querem estar nas seleções, bem como da comissão técnica das seleções. E, com bom nível, o torneio passa a ser mais atrativo para público, emissoras e patrocinadores. Se o modelo se provar um sucesso, expansão no número de equipes é natural.

E os clubes? Seguindo o modelo argentino, os clubes precisam usar o sevens para o seu próprio desenvolvimento e de acordo com sua própria realidade e interesse. Torneios de confraternização são importantes e precisam proliferar. Torneio estaduais e regionais também, e sempre abertos ao intercâmbio com outros estados. E, lógico, um SPAC Lions pulsante e divertido para todos os participantes, como reza sua tradição.

É preciso pensar o sevens localmente e como ferramenta para desenvolver os clubes, dar oportunidade a mais jogadores dentro de cada clube e unir a comunidade pela confraternização entre os clubes – nada muito além disso. É essa a essência do sevens no mundo. O alto rendimento precisa ficar com quem já cuida dele.