Tem brasileiro se aventurando no rugby japonês. Gerson Freitas, ex Rugby FFLCH-USP e Taubaté, foi morar no Japão e, claro, resolveu respirar o rugby local. Geógrafo, ele não perdeu a chance de registrar seu momento e nos enviou o relato, reativando a coluna “Rugby na Estrada”! Apreciem mais esta experiência.

 

O Japão tem respirado Rugby e, desde a minha chegada, tenho procurado saber sobre os times mais próximos do município em que resido (Yokkaichi, Província de Mie) e não demorei para arranjar uma bola (custo de cerca de mil ienes, aproximadamente três dólares). Há cartazes sobre rugby nas estações de trem, na TV muitos jogos são transmitidos e várias pessoas conversam sobre a seleção nacional.

Assim, logo que comecei a trabalhar, uma notícia me entusiasmou: descobri que uma de minhas colegas professoras na Escola Nikken ministra aulas de japonês a alguns jogadores estrangeiros do time do Honda Heat. Após conversarmos, ela me disse que, assim que surgisse uma oportunidade, falaria comigo para irmos a um jogo.

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Neste sábado, 10/06/2017, talvez com a ajuda dos Kami, a oportunidade apareceu. O Honda Heat enfrentou o Kintetsu Liners (time de uma Empresa Ferroviária). E o Centro de Treinamento do Honda Heat, em Suzuka, fica perto de Yokkaichi, a cerca de 50min de carro.

Sendo assim, Higuchi-sensei e eu fomos ao jogo e, após uma viagem pela autoestrada 23, margeada por muitos plantios de arroz, chegamos a um Centro Poliesportivo da Honda, com quadras de tênis e campos de futebol, beisebol e rugby. Bem ao lado fica o autódromo de Suzuka e, por isso, o jogo todo foi “ao som do rufar de motores”.

Após sair do estacionamento, percorremos um rápido trecho entre gramados e um local de lazer onde algumas pessoas faziam churrasco. O clima do jogo era bem típico de uma tarde de rugby em família: muitas crianças brincando e pessoas de várias idades. O campo tem uma pequena arquibancada de concreto na lateral esquerda (a partir do sentido de entrada) e, no lado oposto, uma outra pequena arquibancada, mas várias pessoas, inclusive eu, assistiram ao jogo em pé, bem ao lado do gramado.

Na entrada e durante o jogo, os espectadores podiam pegar, gratuitamente, água, sucos e raspadinha com gelo. Tarde de sol, jogo dominado pelo Honda Heat, placar final: 28 x 00. Destaque para a reverência que cada jogador faz em direção ao gramado ao ser substituído e a reverência geral feita aos adversários e ao público ao final do jogo: rugby é respeito, sempre!

Texto e fotos: Gerson Freitas