No último dia 18 de fevereiro, recebemos a notícia de que a CBRu vetou a inclusão da Bahia entre suas entidades filiadas baseado em critérios que nem algumas das entidades filiadas atualmente cumprem (como mostrou o Victor Ramalho em entrevista recente com Agustin Danza, da CBRu).

10 dias depois, em 28 de fevereiro, recebemos a notícia de que a World Rugby planeja criar uma liga fechada com as 12 principais seleções do mundo (ou pelo menos os 12 principais mercados consumidores), excluindo forças emergentes como Geórgia e tradicionais como as ilhas do Pacífico (Fiji, Samoa e Tonga).

Sem surpresa, no dia 2 de março, a CBRu emitiu nota posicionando-se contra a tal liga, alegando que ela “vai na contramão da expansão do esporte em âmbito global e o crescimento da modalidade.” e que a entidade “têm feito um trabalho forte e sustentável tanto dentro como fora do campo, para expandir seus resultados e a base de fãs do esporte, e entende que esse movimento limita o crescimento do esporte, fazendo com que a globalização do jogo fique ainda mais distante.”

Um comunicado do tipo certamente era esperado, mas o timing não poderia ser pior, apenas duas semanas após a própria CBRu vetar a entrada da FRB no rol de federações filiadas. E um comunicado que certamente poderia ter saído da pena de Manuel Cabral, presidente da Federação Baiana, tamanha a similaridade da situação.

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A CBRu pensa e age igual a World Rugby, mas quando ela fica de fora da brincadeira, não tem a mesma graça. Esse foi o discurso desde o início, reforçado em entrevistas para o Portal do Rugby nos últimos anos. Ao excluir a Bahia, ela optou por ir na contramão da expansão do esporte em âmbito regional e o crescimento da modalidade no país e ignorou um trabalho que se ainda está em estágio inicial, pode ser considerado bem planejado, visando o longo prazo e a sustentabilidade dentro e fora de campo.

Os mesmíssimos pontos que ela argumentou contra a Liga, mas aplicado em âmbito regional.

E pra piorar a situação da CBRu, minutos antes de publicar esse artigo, a World Rugby divulga um formato mais inclusivo, com três divisões mundiais, oferecendo assim um caminho para a evolução de nações emergentes.

Ela excluiu os “inviáveis” (como chamei aqueles que não oferecem viabilidade financeira/técnica neste post) na tentativa de tornar o esporte sustentável, mas passados 10 anos, não há esperança no horizonte que isso ocorra e cada vez mais vemos o esporte de fato encolher no país. Uma seleção campeã do mundo sem clubes ativos e praticantes em todas as idades não são um modelo de sustentabilidade para o esporte.

Para a World Rugby, o Brasil é o que a Bahia é para a CBRu. Uma entidade com potencial, mas apenas uma promessa, abaixo do que é necessário para fazer parte do clube. Ao menos, a World Rugby vem apoiando ativamente o desenvolvimento do esporte por aqui, com repasses anuais voltados para a base, e ofereceu uma resposta que tentará (vou dar o benefício da dúvida sobre se conseguirá ou não) equacionar inclusão e sustentabilidade, o tema que levantei no meu artigo anterior.

Tal medida não encontrou paralelo na CBRu em relação aos baianos até o momento, mas uma boa medida seria criar meios que possibilitem essa caminhada para legitimar o trabalho desenvolvido nas federações fora do eixo, como o Victor comentou em seu último artigo opinativo

A ver os próximos capítulos. Roubando mais algumas linhas do comunicado da CBRu, a FRB pode “continuar tentando crescer, apesar dos sinais contrários à expansão nacional, ou reavaliar os esforços a luz dessa realidade.”

Como já fizeram tantos outros clubes e estados nos últimos anos.

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