George Nepia, o primeiro super astro maori dos All Blacks.

Nossa viagem pela história dos grandes craques do rugby vai para uma era de muitas lendas, poucos vídeos, mas histórias fartas. Vamos a 10 craques que fizeram a história do nosso esporte do começo do rugby internacional até a década de 1930. O critério principal para as escolhas é que os atletas estejam no Hall da Fama do World Rugby.

10 craques dos anos 40 e 50

10 craques dos anos 60

10 craques dos anos 70

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10 craques dos anos 80

10 craques dos anos 90

10 craques dos anos 2000

A lista não está em ordem de melhores!

 

Bill Maclagan (Escócia)

A Escócia foi uma potência entre o fim do século XIX e os anos 30, conquistando a maioria de suas glórias nesse período. O maior de todos os craques que os escoceses produziram foi Bill Maclagan, que defendeu a Escócia em seus primeiros títulos europeus, entre 1878 e 1890, capitaneando sua seleção, bem como a primeira grande equipe dos British and Irish Lions, que venceram a África do Sul em 1891 sob sua liderança. Maclagan era jogador de linha e um dos grandes artilheiros do rugby do fim do século XIX.

 

Arthur Gould (Gales)

Gales também produziu suas lendas na virada do século XIX para o XX e o centro e fullback Arthur Gould, que jogou entre 1885 e 1897, foi tão famoso em sua época que atraiu uma das grandes primeiras polêmicas sobre o profissionalismo no rugby. Gould é considerado por fontes da época como o jogador mais completo de sua geração, atraindo multidões aos estádios.

 

Frank Hancock (Gales)

Um gênio que deixou sua marca na forma como se joga rugby. O galês Frank Hancock, que brilhou na seleção entre 1884 e 1886, tendo sido o inventor da posição de segundo centro, a última transformação importante na composição da linha no rugby. A invenção dos pontas veio no começo dos anos 1880, mas ainda faltava um último homem a ser adicionado na linha para aumentar a fluidez das jogadas e Hancock foi o primeiro jogador a assumir tal função, criando sua posição que tornaria seu clube, o Cardiff, imbatível, sendo depois copiado mundo afora.

 

Ronald Poulton-Palmer (Inglaterra)

Um dos grandes nomes do rugby falecidos na Primeira Guerra Mundial (tendo perdido a vida em 1915), o inglês Pulton-Palmer era no começo do século XX o grande astro do rugby inglês, que voltava a conquistar título do Five Nations (atual Six Nations), após a crise do racha do Rugby League de 1895. Entre 1910 e 1914, a Inglaterra venceu o título europeu em todos os anos, exceto 1911, e Poulton-Palmer era o ponta grande artilheiro daquela geração.

 

Wavell Wakefield (Inglaterra)

Um nobre (lorde) inglês que foi um verdadeiro mestre do rugby. William Wavell Wakefield, o Barão de Wakefield of Kendall, foi capitão e um dos expoentes da seleção inglesa entre 1920 e 1927, tendo sido campeão europeu em 1921, 1923 e 1924, quando revolucionou a terceira linha. Foi Wakefied quem transformou a posição de asa. Até então, a posição era estática e Wakefield adicionou mobilidade sem precedentes à posição, aproveitando-se de seu incrível atleticismo. Depois se aposentar dos gramados, Wakefield foi presidente da RFU (a federação inglesa) e, sobretudo, foi autor de um dos mais influentes livros sobre tática do rugby em sua época.

Joe Warbrick (Nova Zelândia)

A história de tudo o que conhecemos como a imagem dos All Blacks começou com Joe Warbrick, líder e capitão do New Zealand Natives de 1888-89, o primeiro time da Nova Zelândia que visitou a Europa, fazendo um tour de incríveis 15 meses que marcou para sempre a modalidade, apresentando o rugby neozelandês ao mundo. Os Natives foram os primeiros a usarem a silver fern como símbolo e a fazerem a haka – ideias que tiveram grande influência de Warbrick, filho de pai inglês e mãe maori. Warbrick foi fullback, sendo determinante na adoção de um estilo de jogo aberto e envolvente, que atraiu o público e estabeleceu uma nova referência para os neozelandeses.

 

Dave Gallaher (Nova Zelândia)

Depois dos Natives, a seleção neozelandesa que fez seu nome na Europa foram o “Original All Blacks” de 1905-06, os primeiros que ganharam o apelido. E o maior nome daquela seleção era o forward Dave Gallaher, que capitaneou o time que venceu 34 de suas 35 partidas na Europa (perdendo apenas para Gales) e foi o primeiro jogador a desempenhar a função de “wing forward”, que depois viria a ser a terceira linha, aprimorada por Wakefield posteriormente. Gallaher criou um sistema que foi polêmico na época, por ter eficiência em obstruir e anular jogadas dos oponentes. Gallaher foi autor de um dos livros mais influentes sobre tático do rugby na Nova Zelândia.

George Nepia (Nova Zelândia)

Nos anos 20, os All Blacks produziram aquele que é tido como o primeiro super astro neozelandês em escala global: George Nepia, que também é tido como a primeira estrela maori do rugby. Nepia foi fullback e marcou época por seu porte físico e velocidade – um “Lomu” do começo do século XX… ou melhor, seria Lomu um “novo Nepia”?

Nepia foi o grande nome dos “Invincible All Blacks” de 1924, a seleção neozelandesa que atropelou todos os seus rivais na Europa. Nepia depois foi jogar Rugby League profissional na Inglaterra.

Bennie Osler (África do Sul)

Se teve um time que encarou em igualdade os All Blacks nos anos 20 foram os Springboks do abertura Bennie Osler, que defendeu a África do Sul entre 1924 e 1933. Os Boks brilharam contra os Lions e bateram todos os europeus em viagem ao Hemisfério Norte em 1932. Osler se notabilizou por seu jogo tático de chutes que transformou a função.

 

Danie Craven (África do Sul)

Mas talvez o grande Springboks do período foi o polivalente Danie Craven, que conduziu a África do Sul em um de seus períodos mais vitoriosos, os anos 30. O ápice de sua carreira como atleta foi 1937, quando os Boks venceram série contra os All Blacks na Nova Zelândia. Craven foi scrum-half, tendo feito dupla inicialmente com Osler, até se tornar o grande expoente da seleção no fim da década. Craven foi famoso por revolucionar o passe mergulho (dive pass).

Ao se aposentar, Craven virou o mais importante dirigente do rugby sul-africano ao longo do século XX, tendo tanto administrado o rugby no período da segregação racial do apartheid, “jogando o jogo” do regime, como também promovendo a integração do país nos anos finais da década de 80, acusado de “traição” pelos defensores do apartheid. Craven sempre deixara clara sua preocupação em não isolar o rugby sul-africano do mundo e foi peça importante em sua reabertura.