O esporte é, em essência, a cinética da alma, o esplendor dos músculos, da mente e da beleza atlética. Apesar de ser definido nos dicionários como “jogo, atividade que demanda exercícios com fins de recreação e competição”, o esporte transcende qualquer tipo de significado puramente léxico. E muito disso, obviamente, devido aos personagens que fazem da prática uma referência na definição de vitórias e derrotas na vida. São os nomes dentro das competições que, ao longo do tempo, marcam história no esporte e fazem com que o desporto se torne mais robusto. Mais do que isso: os atletas são alma e inspiração, principalmente quando retornam ao esporte após períodos difíceis. Foi o que aconteceu com o lendário jogador de rugby Brian O’Driscoll.

Nascido na Irlanda no vigésimo primeiro dia de janeiro de 1979 — três anos após o som das guitarras da banda de rock U2, sua compatriota, encantar fãs pelo território irlandês —, Brian O’Driscoll não sabia, mas em alguns anos viria a se tornar um dos maiores jogadores de rugby de todos os tempos, inclusive marcando presença no hall da fama de um dos desportos mais antigos que a humanidade conhece.

Durante sua gloriosa e difícil carreira, O’Driscoll passou por provações, assim como o U2 ao se expandir para o mundo, com sons potentes na guitarra de The Edge e garganta de Bono Vox. O jogador de rugby irlandês, apesar dos títulos, também vivenciou na carne as dores das lesões. Em 2005, por exemplo, em embate contra a Nova Zelândia, o “center” irlandês sofreu uma contusão que o tirou de ação por cerca de sete meses. O que talvez fosse necessário para sacá-lo de combate por tempo indeterminado, entretanto, serviu de motivação para Brian O’Driscoll voltar aos campos e liderar sua equipe na conquista da Six Nations, em 2006, torneio em que foi reconhecido como o principal nome da competição.

O desgaste que aplicou em seu corpo durante a carreira, entretanto, fez com que O’Driscoll se aposentasse em 2014. Com títulos na bagagem e tendo se tornado um baluarte no rugby irlandês, o “center” mais famoso de Dublin marcou seu nome da história. Para isso, precisou vencer as desconfianças sobre sua resiliência dentro e fora das quatro linhas, e se mostrar capaz de vencer — uma de suas missões com a camisa verde irlandesa.

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“Under a blood red sky / A crowd has gathered in black and white / Arms entwined the chosen few / The newspapers says, says / Say it’s true, it’s true / And we can break through / Though torn in two / We can be one” (Sob um céu vermelho sangue / Uma multidão se reuniu em preto e branco / Braços entrelaçados, os poucos escolhidos / Os jornais dizem, dizem / Diga que é verdade, é verdade / E podemos romper / Embora dividido em dois / Nós podemos ser um).

Estes versos do U2, da canção “New Years Day” (1983), parecem servir bem para representar Brian O’Driscoll. Afinal, alguém que já viveu a desconfiança de parte da mídia, viu seu céu mudar de cor e se tornou mais que “apenas um” em um time que deu a volta por cima, merece crédito por ter marcado seu nome na história. Brian O’Driscoll, assim como uma das bandas de rock mais famosas do mundo e sua compatriota, ultrapassou as barreiras da Irlanda e de sua área, para se tornar uma lenda do rugby. O’Driscoll ultrapassou os limites que os dicionários definem como esporte.