Poli e Medicina jogando o Interusp em 2009.

ARTIGO OPINATIVO – Tem artigo novo no ar na coluna “Voz do Rugby”! É de Murilo Braga Teodoro, organizador da Liga Aberta de Rugby Juvenil (LARJ) de São Paulo e agora atleta universitário.

A coluna “Voz do Rugby” é nosso espaço aberto para textos opinativos de pessoas de fora do Portal do Rugby. Os textos não representam nossa opinião necessariamente. Os interessados podem enviar textos para victor@portaldorugby.com.br

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O Rugby universitário sempre foi um dos principais pilares do Rugby no Brasil, porém, nos últimos anos, o número de instituições de ensino superior com a modalidade de 15 jogadores vem diminuindo de maneira preocupante. Isso se deve ao fato de ser difícil manter um time universitário de XV e dos “inters”, campeonatos esportivos entre Atléticas Acadêmicas, tais como Engenharíadas, Tusca e Interusp, serem em sua imensa maioria com o Rugby sendo disputado na modalidade sevens, o que “acomoda” as Atléticas na modalidade olímpica e desmotiva aquelas que querem construir uma equipe de XV. Atualmente, há apenas 3 campeonatos universitários de XV: o Paulista Universitário, organizado pela FPR, a Copa USP e o Interusp, esse último o único “inter” e com grandes chances de se tornar 7s a partir desse ano.

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Poli Athena vs UFABC Leprechauns – Tusca 2019

Os principais motivos dessa mudança drástica ser solicitada são o desgaste dos atletas, a dificuldade de construir uma equipe sólida de XV e a ausência de Atléticas menores na modalidade; o Interusp 2019 não contou com duas das nove equipes no Rugby XV, além de várias terem que escalar jogadores que não tinham vivência necessária no esporte para compor elenco.

Ficam os questionamentos:

  • Será o sevens a única alternativa para o Interusp?

R.: Ao meu ver, não. A modalidade poderia ser mantida XV, porém com 2 tempos de 20 minutos, como no sul-americano m18, mas as Atléticas menores não conseguiriam participar, já que é bem difícil ter uma equipe de XV treinando. Porém, como alternativa, foi proposto a modalidade 10-a-side, já experimentada com sucesso nas categorias de base do interior paulista com a LARJ, como explicado nesse meu texto: http://www.portaldorugby.com.br/noticias/voz-do-rugby-a-importancia-da-larj-para-o-desenvolvimento-do-rugby-paulista.

  • Halley vs Piracicaba – LARJ 2019. Foto: Mariana Ferreira

    Se o Interusp se tornar 7s, há chances de voltar a ser XV um dia?

R.: Na minha opinião, dificilmente. O sevens é uma modalidade muito distante do XV e, como hooker, posso afirmar que o XV e o 10s, por ter um estilo de jogo bem próximo do XV, são muito mais democráticas do que o rugby de sete jogadores. Pela escassez de torneios universitários de XV e tendo em vista o perfil do jogador de sevens, dificilmente as equipes conseguiriam formar times de XV, fazendo a modalidade declinar ainda mais.

Para completar, seguimos com um breve relato do atleta João Fardin, da Poli Rugby desde 2019, sobre como era disputar o Interusp na modalidade XV.

Poli Rugby em 1980, após jogo contra Mackenzie

“O Interusp, na visão de um bixo animado, era a competição mais valiosa do ano. Mesmo jogando paulista desenvolvimento e outros campeonatos maiores, o fato de serem 3 dias de rugby XV com o time todo no alojamento era animal pra mim. Mesmo jogando de ponta sempre gostei mais do XV, 14 minutos é muito pouco pra decidir o jogo, além de que o XV traz muito mais o time como um todo, sobrepondo o individual.”

 

Texto: Murilo Braga Teodoro