Já é agosto! E nós iniciamos hoje nossa série de prévias da Copa do Mundo de Rugby de 2019, que começará no mês que vem no Japão! Neste mês, mostraremos quais são as cidades que receberão o Mundial. E a primeira que escolhemos é a pequena Kamaishi, de menos de 40 mil habitantes, que fica no Norte da principal ilha japonesa, Honshu.

 

Onde a indústria japonesa começou

Pequeno vilarejo pesqueiro, Kamaishi foi transformada no século XIX pela descoberta de ferro em seus arredores. Em 1857, Kamaishi recebeu os primeiros alto-fornos no Japão, com a data sendo celebrada como a do início da industrialização do país, que vivia um período de intensa transformação, intensificada a partir dos anos 1870 com a chamada Revolução Meiji, que transformou um país rural ainda baseado em um sistema análogo ao feudal a uma emergente nação industrial.

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A Revolução Meiji também se caracterizou pela criação de um sistema educacional compatível com as aspirações imperiais japonesas. O ensino inglês inspirou as transformações no Japão nas décadas seguintes e, com ele, a prática de esportes ocidentais ganhou importância e, entre eles, o rugby, que chegava às universidade japonesas no início do século XX. Porém, foi somente após a Segunda Guerra Mundial que o rugby passou a se estimulado dentro das indústrias japonesas, como parte das atividades oferecidas ao funcionários. Em Kamaishi, a Fuji Steel, siderúrgica que dominava a vida econômica da cidade, introduziu em 1959 a modalidade para seus trabalhadores e logo a modalidade se tornou central na vida da industrial Kamaishi, disputando o Campeonato Japonês de Empresas, competição envolvendo equipes de funcionários de empresas de todo o Japão (e que deu origem em 2003 à atual Top League, a divisão de elite do rugby do país).

 

Rugby como identidade

O rugby da pequena Kamaishi logo ganhou destaque nacional, com o time da Fuji Steel se tornando o campeão japonês de empresas pela primeira vez em 1970. Em 1976 veio o segundo título e 1978 e 1984 Kamaishi foi o grande campeão japonês empresarial em todos os anos, já rebatizado como Nippon Steel Kamaishi, após a fusão da Fuji Steel com a Yawata Steel. O time de rugby da Yamata Steel (de Kitakyushu) era considerado o maior da época, sendo o maior campeão do país, mas a preferência da empresa foi por manter o time de Kamaishi como seu principal. Nesse mesmo período, o Nippon Steel Kamaishi ainda se sagrou campeão do All-Japan Rugby Championship, a copa japonesa que envolvia os melhores dos campeonatos empresariais e universitários do país, sendo considerado por muitos anos o verdadeiro Campeonato Japonês. Kamaishi ergueu a taça em 1977, 1979, 1980, 1981, 1982, 1983, 1984 e 1985. Em 1984 ainda o time da cidade recebeu para amistoso ninguém menos que  seleção da França.

Famosa no país pela bola oval, Kamaishi produziu uma geração de jogadores históricos do rugby nipônico: Koji Horaguchi, Jiro Ishiyama, Kiyoshi Segawa, Michihito Chida, Shigetaka Mori e Yuji Matsuo.

O rugby é identidade de Kamaishi e durante o Mundial a cultura da cidade se misturará mais uma vez com o rugby. Kamaishi é famosa pela “dança do tigre”, famosa dança artística que é exibida em um grande festival em outubro, que ocorrerá durante a Copa do Mundo.

 

Do desastre ao renascimento

Porém, os anos 90 não foram os mais felizes para o rugby de Kamaishi e em 2000 o time perdeu o apoio financeiro da Nippon Steel. Em 2001, o clube foi refundado com o apoio da comunidade local com o nome de Kamaishi Seawaves.

Mas a vida por lá foi radicalmente transformada em 2011, quando a região de Tohoku (onde fica Kamaishi) foi assolada por um forte terremoto, seguido por um tsunami que devastou a cidade.

Com o Japão ganhando o direito de receber a Copa do Mundo de Rugby, Kamaishi foi apontada para ser transformada em uma história inspiradora: uma cidade sendo reconstruída a partir do rugby. Kamaishi foi apontada como sede do Mundial, teve sua infra-estrutura reconstruída e os Seawaves ganharam um novo estádio. Em 2019, pela primeira vez a cidade recebeu jogo da Seleção Japonesa, contra Fiji, na preparação do Japão para a Copa do Mundo, em verdadeira festa para celebrar o renascimento de Kamaishi. É com esta história que a pequena cidade costeira se prepara para sediar duas partidas do Mundial.

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