Hoje se encerra a nossa série das “Sedes do Mundial” e, claro, o assunto é Yokohama, a sede da grande final do Mundial no dia 2 de novembro – e também das duas semifinais, em 26 e 27 de outubro. E o estádio da cidade, o Yokohama International Stadium está mais que acostumado aos megaeventos, já que foi o palco da grande final da Copa do Mundo de Futebol de 2002 (aliás, vencida pelo Brasil) e dos Mundiais de Clubes de 2002, 2003, 2004 (antes de serem organizados pela FIFA), 2005 (vencido pelo São Paulo), 2006 (vencido pelo Internacional de Porto Alegre), 2007, 2008, 2011, 2012 (vencido pelo Corinthians), 2015 e 2016 (já na era da FIFA). Ou seja, um palco bem conhecido pelo esportista brasileiro. A arena é ainda a casa de um dos mais importantes clubes de futebol do Japão, o Yokohama F. Marinos. Já no beisebol, o Yokohama BayStars vive à sombra de outros times da região.

Mas, onde fica Yokohama? Yokohama é a principal cidade (o núcleo mais importante) da prefeitura (província) de Kanagawa, a segunda mais populosa do Japão, que corresponde à região oeste e sul da Grande Tóquio, a região metropolitana ao redor da capital japonesa. Kanagawa sozinha tem mais de 9 milhões de habitantes, das quais mais de 3,7 milhões estão em Yokohama, onde fica principal porto do Japão.

 

“A Porta do Japão para o Mundo”

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O apelido de Yokohama não nasceu por acaso. O porto de Yokohama é parte central da história de “modernização” do Japão no século XIX, quando o país deixou para trás seu passado feudal (a “era dos samurais”) e seu isolacionismo para passar por uma revolução social e econômica conhecida como a Revolução Meiji. Nesse período, a segunda metade do século XIX, o Japão abriu seus portos para nações ocidentais, promoveu a ida de estudantes japoneses à Europa e EUA e investiu em sua industrialização, para não se tornar dependente das potências ocidentais e iniciar a construção de seu próprio império. O porto a sul da capital Tóquio, na entrada da baía de Tóquio, se tornou espaço chave para essa transformação, seja do ponto de vista comercial, seja na esfera militar.

Nos anos 1860 e 1870, o porto de Yokohama era a principal saída da produção de seda do Japão e seu principal parceiro comercial a Inglaterra. Com isso, a presença de britânicos em Yokohama levou a cidade a ser a primeira do país a ter a prática do rugby, em 1866, antes mesmo da França ou da Argentina terem rugby. Trata-se de um dos primeiros registros de prática do esporte fora dos limites do Império Britânico, mas o esporte estava ainda restrito aos britânicos, que fundaram o Yokohama Foot Ball Club, o primeiro clube de esportes ocidentais no Japão. O clube foi em 1884 fundido a outros clubes ocidentais de Yokohama, dando origem ao Yokohama Country & Athletic Club (o YC&AC), até hoje um centro de prática de rugby para ocidentais na região de Tóquio.

Yokohama cresceu ao longo do século XX junto com Tóquio, virando um mar de arranha-céus – com destaque para a Yokohama Landmark Tower, com vista magnífica para o Monte Fuji. A cidade ainda conta com a maior comunidade chinesa no Japão, em sua famosa Chinatown, e suas mais famosas regiões comerciais são Motomachi/Yamate, uma área atraente com uma exótica sensação, onde os visitantes desfrutam nas ruas comerciais. A Minato Mirai e a Hakkeijima Sea Paradise, a área na orla do mar.

 

Casa de rugby também

Em Yokohama nascera um dos pais do rugby japonês: o britânico Edward Bramwell Clarke, filho de um padeiro inglês que estava a serviço no Japão e que se tornou professor no Japão, após estudar na universidade de Cambridge, na Inglaterra, onde aprendeu o rugby e onde conheceu o japonês Tanaka Ginnosuke. Juntos, os dois retornaram ao Japão e iniciaram o rugby entre japoneses na universidade de Keio, uma das mais importantes do país.

O rugby na região de Kanagawa se desenvolveu menos que o futebol, com outras áreas da Grande Tóquio sendo mais apaixonadas pela bola oval. No entanto, há pelo menos dois times importantes nos arredores de Yokohama: o Kurita Water Gush, fundado em 1962 pela empresa de tratamento de água e esgotos de mesmo nome, e o Mitsubishi Dynaboars, fundado pela 1981 para servir aos funcionários da divisão de indústrias pesadas da Mitsubishi e que ficou famoso no mundo do rugby ao contratar o galês (ex melhor jogador do mundo) Shane Willams, em 2012, com o ídolo britânico se aposentado por lá mesmo em 2014. Os Dynaboars estão baseados na cidade de Sagamihara, vizinha a Yokohama e parte de Kanagawa. Além dessas equipes, Yokohama é sede da universidade de Kanto Gakuin, que tem um dos mais fortes times de rugby da região e foi 6 vezes campeã japonesa – a última em 2006.

Em Yokohama ainda foram disputados recentemente jogos importantes de rugby, como a primeira Bledisloe Cup – o duelo entre Austrália e Nova Zelândia – a ser jogado no país, em 2018 (com vitória dos All Blacks por 37 x 20), além de amistoso entre Japão e Austrália em 2017 (vencido pelos Wallabies por 63 x 30).

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