Federação de Rugby da Bahia: modelo de projeto para crescer

No próximo sábado, a Federação de Rugby da Bahia (FRB) passará por eleições. Concorrerá à eleição a chapa única da gestão da entidade, com colaboração de todos os cinco clubes filiados (Orixás e Alto da Ondina, de Salvador; Ymborés, de Vitória da Conquista; Toruks, de Porto Seguro; e Quibaana, de Senhor do Bonfim), tendo o português Manuel Cabral como candidato a presidência.

 

Com mais de 50 anos de experiência no rugby, tendo sido atleta e treinador da seleção juvenil e coordenador de todas as seleções de seu país, árbitro e dirigente, além de jornalista especializado em rugby português (criador e editor do site Mão de Mestre), Cabral reside na Bahia desde 2002 e está a frente de um projeto amplo que visa alavancar o rugby baiano nos próximos anos.

 

A FRB lançou seu website oficial neste ano, o www.bahiarugby.com.br, trazendo informações completas sobre o rugby do estado, incluindo documentação vasta sobre a entidade, acessível de forma prática, demonstrando transparência. Junto do site, a candidatura única da FRB publicou seu plano caso seja reeleita. Clique aqui para conferi-lo.

 

Manuel Cabral comentou os desenvolvimentos do estado com o Portal do Rugby. “No princípio deste ano os clubes sentiram necessidade de mudança, já que a Federação se encontrava numa situação de não cumprimento das suas obrigações com o estado e com a fazenda, e fui abordado por alguns dos clubes no sentido de assumir um processo de reorganização. Mais tarde fui convidado pelo anterior responsável da gestão federativa para avançar, e seguiu-se um processo de reuniões semanais com a participação ativa e entusiasmada de todos os clubes, realizadas via skype, que discutiu e aprovou um novo estatuto proposto por mim e melhorado nessas reuniões. Finalmente, por minha iniciativa, foi nomeada em 8 de Agosto uma comissão de gestão com a responsabilidade de resolver os problemas mais urgentes da regularização da Federação e organizar eleições. Assim aconteceu, a Federação está com a sua situação perante o estado e perante a fazenda completamente regularizada, e as eleições vão ser realizadas neste sábado”, explicou.

 

Acerca do planejamento do modelo adotado pela entidade, com equipes regionais dentro do próprio estado, Cabral pontuou que “um dos maiores problemas do desenvolvimento do rugby na Bahia são as grandes distâncias que os clubes são obrigados a percorrer para realizarem apenas um jogo – e que variam entre os 800 e os 2000 km em cada deslocação – com todos os custos financeiros e emocionais que isso provoca. Então só existe uma solução para que cada clube possa ter atividade de uma forma mais econômica e que exija menos disponibilidade de tempo – que surjam outros clubes perto de si! Assim, este modelo de desenvolvimento concêntrico, ao redor dos clubes já existentes, parece o mais adequado às condições específicas da Bahia. E como acreditamos que não existe crescimento sustentado sem que exista atividade nos escalões mais jovens, vamos incentivar e apoiar os clubes para que divulguem o rugby na rede pública de ensino, começando pela capacitação de professores de educação física nas regiões de sua influência. Sabemos que vai ser um processo difícil e exigente, em que o trabalho dos cinco clubes agora filiados é indispensável, mas acreditamos que com uma atuação concertada será possível crescer em número de praticantes e de clubes, num espaço de tempo relativamente curto”.
Opinião:

No curto espaço de tempo de atividades da atual Comissão de Gestão (nomeada em Agosto passado e de que Cabral é presidente) e no planejamento apresentado, a FRB começou muito bem, e tanto o plano como a organização apresentada em 2015 servem de modelo tanto para os estados que buscam se organizar como para estados que já estão filiados à CBRu, mas que apresentam dificuldades organizativas.

Com cinco clubes filiados apenas, todos distantes das competições mais fortes do país, e também todos geograficamente distantes uns dos outros (as distâncias mais curtas na Bahia são ao redor de 400 km, entre Salvador e Senhor do Bonfim e entre Vitória da Conquista e Porto Seguro), a FRB vem demonstrando que quando os clubes sentam para conversarem e proporem caminhos, tudo anda. Vemos federações estaduais estabelecidas há muito mais tempo tendo sérios problemas de comunicação de suas competições e atividades e com poucos (ou nenhum) espaços para divulgarem e deixarem públicas, com fácil acesso, suas atividades e questões administrativas. Se as boas práticas apresentadas pela nova gestão da FRB se manterão por longo tempo, justamente apenas o tempo dirá. Mas, sua forma de operar neste curto espaço de tempo e seu planejamento apresentado servem de modelo para novas federações se construírem e federações já existem repensarem e readequarem suas práticas. É certo que boas práticas existem em todas as federações em assuntos diversos, mas vale todos conferirem o desenvolvido pela FRB até aqui.

 

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