Fim de ano, é tempo de fazer planos para que o ano seguinte seja melhor que o que acabou de passar. Para isso, temos que fazer um balanço de tudo o que passamos nesse ano, e de onde saímos no ano anterior. Por isso, colocamos os destaques (para o bem para o mal) do que aconteceu no Rugby brasileiro em 2011. E para os de memória curta, veja os destaques de 2010.

A foto que ilustra essa retrospectiva é emblemática. Um brasileiro saudado por argentinos no Rugby? Quem esperava por isso? Há muito a se comemorar nesse ano, mas a luz amarela também acendeu em alguns casos. CBRu, Federações estaduais, jogadores, mídia e fãs tem que ficar atentos para cobrar o que for necessário e celebrar as conquistas.

 

Rugby na TV!

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O transmissão do Rugby no Brasil não se limita ao Six Nations, ou à ESPN, TV5 e NHK. A emissora norte-americana ampliou sua cobertura, com uma boa transmissão do Mundial e em canais de alta definição. Colocou no ar o Tri Nations e até mesmo o Varsity Match, o clássico entre Cambridge e Oxford. Nessa semana, a emissora fez sua imersão no Rugby brasileiro ao realizar um especial do SPAC Lions.

No SporTV, canal líder na TV por assinatura, o foco foi o Rugby brasileiro. Além da transmissão dos jogos do Brasil no Sul-americano de Sevens e contra a Universidade de Edimburgo, a emissora transmitiu as semifinais e finais do Super 10, algo sem precedentes na TV, e em horário nobre, alcançando um grande público. O sucesso foi grande, e o SporTV repetiu a aposta no Brasil Sevens, com ainda mais estrutura para cobrir as decisões do nacional de Seven a side.

Com certeza o tempo de caçar jogos na internet, pelo menos das grandes seleções, está com os dias contados. E os clubes e jogadores brasileiros ganham visibilidade inédita, facilitando a busca por patrocinadores.

 

Mais times pelo Brasil, mais jogos

Nesse ano, tivemos mais de 1500 jogos contabilizados pelo Blog do Rugby, contra pouco mais de 1100 em 2010. Isso em função da maior quantidade de times e campeonatos que surgiram em todo país. O grande destaque vai para o surgimento de um grupo de times atuantes no interior catarinense, que vem para fazer concorrência aos times da capital, em especial o Desterro. No Rio Grande do Sul, os festivais atraíram muitos times e colocaram a população local ciente de que o Rugby fará cada vez mais parte de suas vidas.

Outro ponto de destaque foi a Copa Amazônia Legal, primeiro torneio interestadual do Norte e Centro Oeste, realizado em Porto Velho, com a participação de times da Amazônia, Tocantins, Mato Grosso e Rondônia, expandindo os horizontes do Rugby brasileiro. Novos campeonatos de XV e Seven a Side com a inclusão de times do Pará e Maranhão já estão sendo estudados.

Cada vez mais, a CBRu terá que olhar para os extremos de nossas fronteiras para apoiar essas iniciativas, para que se tornem novos casos de sucesso.

 

São José e SPAC seguem absolutos no Brasil

Se tem algo que não mudou em relação a 2010 foi o domínio do São José e SPAC no Rugby masculino e feminino, respectivamente. Os joseenses não perderam nenhum jogo no ano e levaram o campeonato paulista pela oitava vez, e o brasileiro, pela sétima vez, se aproximando do SPAC, o maior campeão. Não que a vida do São José tenha sido fácil. A equipe que mais representou perigo para o seu domínio foi o Bandeirantes, que cresceu muito, tanto dentro de campo quanto fora, e está fazendo um grande trabalho nas categorias de base masculinas e femininas para liderar o Rugby nacional quem sabe a partir de 2012. A final entre as equipes foi muito emocionante, mas prevaleceu mais uma vez, o conjunto do Vale do Paraíba.

Outra equipe que terminou o ano em alta, e com ótimas perspectivas para 2012 no masculino é o SPAC. No Super 10, a equipe fez uma campanha regular na primeira fase, mas se reergueu no momento certo e jogou demais na semifinal, mesmo saindo com a derrota. No Seven a side, a equipe ficou entre os quatro primeiros nas duas principais competições da modalidade, o Lions e o Brasil Sevens, e sua categoria de base vem dando o que falar, com novos talentos aparecendo. A notícia do ano para o Pasteur foi a aprovação de seu projeto para captação de recursos baseado na Lei de Incentivo ao Esporte. Pode ser a peça que faltava para o clube, que tem um dos mais sólidos trabalhos de categorias de base, não ficar só no quase no adulto.

No feminino, o SPAC só encontrou concorrentes fora de seu estado. Coube às meninas do Niterói quase estragarem um ano praticamente perfeito para o time inglês. Fora isso, o trabalho consistente com novas jogadoras e com a base da seleção ainda em plena forma, serão em 2012, mais uma vez, a equipe a ser batida. No entanto, a concorrência está aumentando. As meninas do São José ganharam maturidade de vez e já ameaçam o segundo posto do Bandeirantes no estado de São Paulo, em uma disputa que terá resultado cada vez mais imprevisível. O Bandeirantes se prepara, com uma categoria M17 e M19 no feminino, algo muito difícil de se achar no Rugby feminino e que poderá render muitos frutos até 2015. Desterro, Niterói, Charrua e Vitória mantiveram o bom nível de suas equipes, e devem seguir lutando pelas primeiras posições no Seven a side nacional.

O BHRugby impressionou, mostrou muita evolução e bateu o Pasteur em duas ocasiões no Seven a side. Terminou o ano muito bem. O Rio Branco voltou a ter um time feminino, depois do fim da equipe alguns anos atrás, e com menos de seis meses de treino, já mostrou seu potencial, ao fazer frente para o Vitória, uma equipe mais treinada e experiente em pleno Brasil Sevens. Com o alto nível do Rugby feminino no estado, só tem a ganhar com a experiência. O Curitiba é outra equipe que voltou com um reformulado time feminino, que espera seguir os passos da equipe masculinas, uma das melhores do Seven a side brasileiro.

 

O ano de 2011 marcou a aparição de novos nomes no cenário nacional. BHRugby, em sua segunda participação na elite nacional, e Farrapos, estreante, mostraram que tem gás para ficar um bom tempo ainda, e ao contrário do que podia se supor, fizeram bons jogos contra seus oponentes. Ambas equipes fizeram história ao garantir uma vitória cada na competição, ambas sobre o Niterói. O Niterói passou por dois momentos distintos nesse ano. Conseguiu um apoio do governo do estado logo no início do Super 10, mas realizou uma péssima campanha, não mostrou renovação do elenco e se viu na disputa pela permanência do Super 10 contra o Ilhabela, a quem venceu por um placar apertado. Os rubronegros já levaram sua base para jogar o BRSevens e o SPAC Lions, pode ser o início de um novo ciclo no maior time do estado, e a equipe fluminense, mesmo com a escassez de jogos, segue uma das melhores do país.

Na Copa do Brasil, o Goiânia representou o centro oeste pela primeira vez em uma competição de âmbito nacional e fez bonito. Foi à São Paulo e jogou contra o Ilhabela, que acabou conquistando seu primeiro título nacional. Em 2012, devem se manter na Copa do Brasil (salvo uma nova ampliação do Super 10, que foi cogitada), mas mostraram que tem apetite para ôos maiores. O Ilhabela, que já possui um bom trabalho em categorias de base, tem que participar mais do campeonato estadual, para ganhar experiência e se firmar com a forte equipe que pode se tornar.

 Nos juniores, o Jacareí definitivamente deixou de ser a promessa para se tornar realidade, ao vencer com propriedade, o São José na final do Brasil Sevens. No XV, a equipe lutou ponto a ponto com seus vizinhos, mas levou a pior. O desafio do time é manter a base na cidade para montar uma equipe competitiva adulta para jogar o Paulista.

 

A iniciativa privada apóia o Rugby

A CBRu fechou 2011 com nada menos que 12 patrocinadores e apoiadores. Um aumento signficativo para a Confederação, que até alguns anos atrás, não conseguia nem ao menos bancar a viagem e uniformes de seus atletas. Com dinheiro em caixa e prognóstico de aumento continuamente de caixa, a CBRu aos poucos vai colocando em prática seus objetivos.

Além dos apoios, que melhoraram as condições de de jogo (parceria com academias, suplementos alimentares e o novo CT para a seleção) a CBRu começou a ganhar notoriedade no IRB, apoiada na situação do país, em franco crescimento econômico, sede da volta do Rugby nos jogos olímpicos e com muito espaço para desenvolver o esporte e uma gestão profissional.

O cenário atual é muito propício para clubes e federações também levantarem verbas para desenvolver seus projetos. Vê-se que, de certa forma, está se criando um fosso entre CBRu e federações no quesito gestão e captação de recursos, apesar do fato de cada vez mais times conseguirem aprovar projetos na Lei de Incentivo ao Esporte Federal. Leis Federais e até estaduais já estão à disposição dos clubes, é necessário arregaçar as mangas e correr atrás.

 

E o Rugby feminino?

O ano passou, e categoria que melhor representa o Rugby brasileiro seguiu sem um calendário de jogos. Com exceção do SPAC Lions e do Brasil Sevens, não houve disputas estaduais significativas pelo Brasil. Niterói, Charrua e Desterro sobram em seus estados, e para evoluir, precisam de adversários à altura e com freqüência e a saída pode ser visitar países fronteiriços ou outros estados, mas apoio para tal, será fundamental. Um degrau abaixo mas na mesma situação das demais equipes, estão Vitória, BHRugby e Recife, talvez a mais isolada. O estado de São Paulo é o que melhor reúne condições para um torneio feminino, e o mesmo está prometido para 2012. Em 2010 as equipes se enfrentaram no Circuito Paulista de Seven a side, poderia haver um esforço maior por parte das equipes e federação para manter o calendário, envolvendo também equipes do interior paulista.

Em São Paulo, foi realizada a Copa SP Feminina, enquanto que no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, equipes se enfrentaram em Encontros e Campeonatos de fim de semana. Muito pouco para desenvolver a categoria. Uma iniciativa interessante foi o encontro de equipes em São Paulo para formar um time no formato de XV, uma experiência inédita para a maioria das jogadoras.

 

Seleções do Brasil tem altos e baixos

A seleção masculina do Brasil começou o ano batendo a Argentina, a primeira derrota dos Pumas no continente em mais de cinqüenta anos e disputou diversos torneios de Seven a side como preparatório para o grande objetivo do ano, o Pan. Em um grupo difícil, o Brasil conseguiu um grande empate com os Estados Unidos na fase inicial, mas seguiu cometendo erros e terminou o campeonato apenas na 7ª posição. O grupo do Seven a side teve um ano cheio, que incluiu a participação no tradicional MiddleSex Sevens, realizado no templo inglês do Rugby, Twickenham e no Newquay Sevens, terminando ambos na terceira posição.

O Seven a side brasileiro deverá ter um novo e maior desafio em 2012, ao disputar a etapa de Las Vegas da Série Mundial de Sevens, contra as maiores equipes do Mundo.

No XV, o Brasil saiu do continente pela primeira vez para disputar a Copa Emirates, e não foi muito bem. A derrota para o Quênia por apenas dois pontos derrubou a seleção no ranking do IRB, e talvez só agora ele reflita realmente o nível da seleção nacional frente países de outros continentes. Foi uma iniciativa salutar do IRB, que deve promover com mais intensidade esses confrontos intercontinentais a fim de tornar o seu ranking mais confiável.

A seleção feminina teve mais sorte que as equipes do país. O domínio nacional no continente sul-americano não ilude os dirigentes do Rugby brasileiro, e a aposta seguiu em mandar as meninas para enfrentar grandes desafios em terras estrangeiras. O Brasil novamente foi para Dubai e para a Europa (em uma gira de quase três semanas, passando por Roma e Amsterdã), seguindo uma rotina de viagens rumo a campeonatos de alto nível, fundamental para o crescimento das jogadoras, e esse intercâmbio é um caminho sem volta para as Amazonas.

No M19, o Brasil não foi bem. Na única competição da categoria, o Brasil acabou derrotado pelo anfitrião Paraguai, e foi rebaixado para a segunda divisão do campeonato, que adquire novo formato a partir de 2012, mostrando para os rugbiers do Brasil que apesar dos avanços, existe muito trabalho a ser feito antes de se pensar em participar de um Mundial.

No Beach Rugby, as meninas suaram muito em Manta, Equador, para garantir o título sobre as valentes uruguaias, que, segundo algumas jogadoras experientes da seleção, está se tornando a verdadeira pedra no sapato das Amazonas. No masculino, a seleção acabou apenas na 4ª posição, perdendo a disputa de terceiro lugar para o Peru.

 

Jogadores do Brasil rumo ao profissionalismo

Longe de contratos milionários com clubes fora do Brasil, 2011 mostrou uma série de jogadores que está criando sua vida profissional em torno do Rugby, conseguindo assim conciliar melhor a rotina de treinos cada vez mais pesados com um modo de tirar seu ganha pão. Fernando Portugal, o pioneiro, com patrocínio da Topper, mais uma vez puxou a fila. Por conta de sua boa exposição na TV e bem assessorado, o jogador fez boas participações em programas na TV, rádio, internet, e até em revistas, cumprindo bem o papel a ele atribuído informalmente de embaixador do Rugby brasileiro.

Na sua esteira, veio Diego Lopez, o Diegão. Com um contrato assinado com a Asics, o jogador foi eleito o melhor jogador de Rugby no Pan, e participou ativamente das redes sociais, onde fez sucesso com seus vídeos de treino e muita motivação para os treinos.

O maior jogador do Brasil em atividade, Lucas Duque, o Tanque, se mostrou para o mundo ao anotar dois tries contra os Pumas, no jogo de despedida dos argentinos de sua torcida, rumo ao Mundial. Ele ainda garantiu um contrato com a Topper, e desde  a segunda semana de dezembro, junto com seu irmão, Moisés, fazem testes em times da elite francesa.

Juli Menutti, maior pontuador do Super 10 e um dos melhores do campeonato, está aparecendo cada vez mais, assim como Felipe "Alemão" Claro e Rafa Dawalibi, e outros jogadores que mostram que o perfil típico do jogador brasileiro, mudou de vez, se adequando ao momento pelo que passa o esporte no país.

 

O descaso com o Rugby universitário

O ano de 2011 nem de longe foi o ano do Rugby universitário. Se em 2010, o Campeonato Brasileiro Universitário de Sevens foi a grande inovação, em 2011, ele foi o grande fiasco. Completamente mal organizado, o torneio movimentou equipes estreantes do Ceará, Brasília e muitas outras de regiões distantes do país, que ao chegar, se depararam com um campeonato cancelado por falta de campo, em virtude das péssimas condições encontradas no SPAC, o palco inicial. Fica a lição para a CBDU organizar o próximo, se é que vai encontrar equipes dispostas a arcar com tanto dinheiro em um torneio sem credibilidade alguma.

Em São Paulo, o único estado que possui um campeonato na categoria, o final não foi muito mais feliz. Pela segunda vez em três anos, o campeonato não terminou. Conheceram-se os campeões, mas faltaram muitos outros jogos, que poderiam definir o acesso ou descenso de equipes, devido a falta de campo. Para 2012, promete-se uma primeira divisão com até oito equipes, e a reformada Arena Paulista deve dar fim ao problema do campo. A conferir.

 

Um símbolo para a seleção brasileira

A CBRu e a sua maior patrocinadora lançaram um concurso há mais de um ano, para escolher um mascote para a seleção brasileira, e cujo prêmio era acompanhar o Brasil no Sul-Americano de Seven a side. Próximos do Sul-Americano de 2012, o brasil segue sem o seu mascote, e a CBRu segue sem se pronunciar a respeito.