Semifinais do Super 8 em números: venceram as defesas

Na última rodada dupla de semifinais do Super 8 tivemos a ajuda de Leandro Santos, o “Mamute”, atleta da Poli e aluno da EEFE (a Escola de Educação Física e Esporte da USP), que nos brindou com dados estatísticos coletados ao longo das duas partidas do sábado: São José x SPAC e Band Saracens x Curitiba.

 

Vamos passar a limpo o que rolou entre as quatro melhores equipes do país. Em análise estiveram os seguintes dados: passes (total de passes executados), erros (total de erros de manuseio de bola), tackle breaks (isto é, tackles quebrados), chutes (total de chutes executados ao longo das partidas), penais (penalidade cometidas), rucks (rucks ganhos) e scrums (número de scrum a favor que foram ganhos pelo time que introduziu a bola). Os mesmos dados passaram também pela avaliação da média deles por minuto jogado de cada partida.

 

stats super 81

stats super82

 

O cálculo de “p”, isto é, da diferença estatística, com base nos dados levantados apenas, entre as equipes foi significativo. Pelo cálculo, a diferença de volume de jogo entre SPAC e São José foi de 46% a favor do SPAC (p = 0,46), enquanto entre Band Saracens e Curitiba foi de 26% a favor do Band (p = 0,26). E ambos saíram derrotados. O que significa? Que os paulistanos foram menos eficientes que seus oponentes.

 

A correlação desses dados com o placar também é interessante, pois as duas diferenças de placar foram apertadas: 12 x 8 para os curitibanos e 19 x 16 para os joseenses, o que mostra que, apesar da maior eficiência, o menor volume de jogo não permitiu a nenhum dos lados vitoriosos ter um triunfo mais largo. A emoção durou até o fim nas duas partidas.

 

Outros dados que não foram levantados, como posse de bola e território, poderiam sugerir outra interpretação, mas com base no universo de dados disponível, o que fica sugestivo é o peso que o trabalho forte na defesa vem tendo sobre o trabalho realizado ofensivamente. Nesse caso, pode-se refletir inversamente, sobre a inefetividade do rugby nacional quando o assunto é criar oportunidades de tries e finalizá-las. É significativo que nos dois jogos das semifinais do Super 8 um mesmo padrão tenha se apresentado, com o time vitorioso prevalecendo nos aspectos defensivos e não ofensivos.

 

Entretanto, qualquer conclusão precisa de muito mais jogos e dados analisados. Vamos aguardar a final para poder fazer nova comparação.

 

Foto: Bruno Ruas

Comentários