Vai começar o Super Sevens Feminino 2016!

Nesse fim de semana, o CT Ange Guimera, em São José dos Campos (SP), receberá o primeiro dos quatro torneios que compõem o Super Sevens 2016, o Circuito Brasileiro Feminino, máxima competição do rugby sevens feminino nacional.

 

O modelo de disputas para este ano é o tradicional, mas a competição foi reduzida com relação a 2015. O número de torneios caiu de 6 para 4 em 2016 (apesar de apenas 5 etapas terem sido disputadas em 2015, em razão do mau tempo na etapa de Porto Alegre) e a dispersão geográfica deles também – até o ano passado os torneios eram disputados em cinco estados e em 2016 serão apenas dois estados recebendo etapas, São Paulo com três (sendo duas na capital e uma no interior) e Paraná (Curitiba) com uma, com Curitiba, campeão inédito em 2015, São José, SPAC e Band Saracens assumindo a organização dos torneios.

 

Oito equipes estão garantidas em todos os torneios, Band Saracens (SP), Charrua (RS), Curitiba (PR), Desterro (SC), São José (SP), Niterói (RJ), SPAC (SP) e Vitória (ES) – apenas uma mudança com relação à temporada passada, com as mineiras do BH Rugby perdendo lugar para as capixabas. Cada etapa, no entanto, poderá contar com até 8 equipes extras, pois equipes não garantidas em todas as etapas poderão se inscrever para etapas avulsas. Para o primeiro torneio, BH Rugby (MG), Toledo (PR), Delta (PI), a nova equipe do Melina, de Cuiabá (MT) e os times paulistas do Wallys, USP, Guarulhos e Tsunami.

 

Ao final de cada etapa, a sequência de pontuação conferida a cada time é: 1° – 25 pontos, 2° – 21 pontos; 3° – 18 pontos; 4° – 15 pontos; 5° – 12 pontos; 6° – 10 pontos; 7° – 8 pontos; 8° – 6 pontos; 9° – 4 pontos; 10° – 3 pontos; 11° – 2 pontos; 12° – 1 ponto.

 

Calendário 2016

  • – 1ª etapa – dias 24 e 25 de setembro – em São José dos Campos/SP – Organizador: São José
  • – 2ª etapa – dias 22 e 23 de outubro – em São Paulo/SP – Organizador: Band Saracens
  • – 3ª etapa – dias 26 e 27 de novembro – em Curitiba/PR – Organizador: Curitiba
  • – 4ª etapa – dias 10 e 11 de dezembro – em São Paulo/SP – Organizador: SPAC (conjunto com o SPAC Lions Sevens);

 

A primeira etapa
Grupo A: Curitiba (PR), Band Saracens (SP), Delta (PI) e Guarulhos (SP)

Com status de campeão, as Touritas encabeçam um grupo muito difícil e que vai requerer muita seriedade para chegar à próxima fase. Nenhuma novidade para as curitibanas que tiveram Desterro, Niterói e Band Saracens em seu caminho na fase de classificação por duas vezes na última edição e chegou à disputa da Taça Ouro em quatro ocasiões no último Super Sevens, uma regularidade incrível e um conjunto muito coeso, que são suas grandes armas, talvez até mais do que Haline Scatrut, que desfalca o clube nessa etapa, e Gabriela Pellegrini, experiente líder da equipe.
 

O Band Saracens vem de um ótimo primeiro semestre, com o terceiro lugar no Circuito Paulista, mas mostrou que a força ofensiva está garantida com a veterana Xaxá em ótima forma, terminando como segunda maior pontuadora. Os desfalques ficam por conta de sua try girl, Camila Lacerda, que ainda se recupera de lesão ocorrida durante a última etapa do estadual, e de Juka Esteves, que se lesionou nos Jogos Olímpicos, mas a equipe tem experiência de sobra como as feras Bruna Lotufo, e Rafaela Turola para brigar ponto a ponto com Curitiba e Delta pelo primeiro lugar.
 

Direto do Piauí, o Delta foi uma das grandes sensações do Circuito. Mesmo sem apoio, a equipe participou de todas as etapas, vencendo viagens de ônibus de mais de 24h para encarar suas adversárias, e ainda assim, encerrou sua participação na 6a colocação, empatado com o Band Saracens e à frente de potências do Rugby feminino nacional, como SPAC, Niterói, Vitória e BH Rugby. Nas últimas etapas, a equipe foi decaindo e chegou ao seu pior ponto justamente no Qualificatório para o Super Sevens desse ano, que poderia lhe valer o status de equipe fixa e o tão sonhado alívio financeiro, que acabou não vindo. Mesmo assim, as piauienses vem fortes de novo, e com status de gente grande, para competir pelas primeiras posições com Band e Curitiba.
 

Fechando o grupo A, está o Guarulhos, estreante no torneio. Atualmente, o clube, de curta história mas de plantel numeroso, disputa pelo segundo ano a Copa SP, a segunda divisão paulista, onde ocupa a 4a colocação, mas mostra grande ambição, disposta a medir forças contra os principais clubes do Brasil e ainda ao disputar o campeonato paulista de XV , um fator que deve acelerar a evolução de suas jogadoras no médio prazo. O time não deve ter vitórias nessa etapa, mas o aprendizado será muito bem vindo.
 

Grupo B: Charrua (RS), SPAC (SP), BH Rugby (MG) e Tsunami (SP)

 

Campeãs da última etapa do Super Sevens, e da última edição do BR Sevens, o Charrua tem passado por apuros em casa, em uma acirrada disputa pelo título estadual com o ascendente Centauros, com quem divide a liderança após quatro etapas. Mas a competição nacional é uma história diferente, e com a adição de Raquel Kochmann, uma das melhores jogadoras do país em atividade, e das selecionáveis Luiza Campos e Juliana Menezes.

 

O SPAC passou por uma temporada difícil em 2015, com um elenco em fase de renovação e a difícil missão de substituir à altura o estrelado elenco que garantiu o domínio alviceleste nos começo dessa década e passou boa parte do último ano na preparação para os Jogos Olímpicos. O aprendizado foi duro, as SPACats ficaram apenas na 9a colocação, mas a recuperação veio na hora certa, depois de uma última etapa muito boa, seguido da classificação como equipe fixa na edição desse ano com o 3o lugar no Lions. Nesse ano, a equipe disputou o título estadual ponto a ponto com o São José, e se triunfo não veio, ao menos mostrou que o SPAC tem condições de voltar a brigar pelas primeiras posições do Super Sevens nesse ano.

 

O BH Rugby passou por situação semelhante ao SPAC no último ano. A equipe alternou altos e baixos, o que incluiu vencer uma etapa do Circuito pela primeira vez em sua história e campanhas em que não foi além da Taça Bronze ficando apenas na sétima colocação geral. Para piorar, acabou perdendo o status de equipe fixa para o Vitória, o que significa um peso a mais extra campo para a disputa do Circuito, apesar da distância não ser um obstáculo tão grande nesse ano (3 das 4 etapas acontecerão em São Paulo) e vai ter que mostrar em campo, que pode voltar a brigar por títulos. Sem um estadual forte para se preparar, é difícil avaliar como vem as mineiras para a competição, mas pelo retrospecto, o clube tem condições de vencer o grupo, tendo alcançado a Taça Ouro em duas ocasiões, e a Prata em outras duas.

 

O Tsunami tem se mostrado uma das equipes mais promissoras entre os novos clubes que surgiram em São Paulo nos últimos anos, com participação frequente em mini torneios para dar experiência às jogadoras e a disputa da Copa SP, onde se sagrou vice-campeã em 2015 (está na 3a colocação na edição desse ano) e também por serem uma das líderes no movimento do Rugby XV, por meio de sua treinadora Adriana Moraes, um fator que poderá ajudar a menos no trabalho defensivo. Se a performance no Seven não deve lhe garantir vitórias na primeira fase, vale ao menos acompanhar o desempenho das Tsunâmicas no segundo dia de competições e veremos uma amostra do que esperar para as próximas etapas.

 

Grupo C: São José (SP), Vitória (ES), Toledo (PR) e Wallys (SP)

A escola caipira vem subindo degraus a cada ano no Rugby feminino e o São José entrará em campo nesse Super Sevens para levantar o único título que lhe falta, com a credencial de bicampeão paulista no peito, depois de vencer o SPAC de forma contundente. Foram dois títulos em três etapas e um conjunto muito forte, com destaque para as já experientes Edna Santini, Karina Godoi (de volta) e as jovens Bianca Santos e Mariana Nicolau, duas atletas de grande potencial na nova geração do Rugby feminino brasileiro.

 

Seu grande adversário no grupo será o Vitória, que vem com motivação de sobra após conquistar o posto de equipe fixa no Super Sevens, o que lhe colocará em condições de mostrar todo seu potencial ao participar de todas as etapas (ano passado as capixabas jogaram apenas 3 etapas). Para se garantir, o clube precisou pelo qualificatório do Super Sevens, onde superou o Band Saracens em duas ocasiões e caiu somente diante do Niterói.

 

Assim como o Centauros vem buscando tirar o domínio do Charrua no Rio Grande do Sul, o Toledo vem tentando fazer o mesmo no Paraná. Se um título de etapa ainda não veio, a equipe foi vice nas etapas realizadas até aqui, se consolidando como segunda força do estado nesse ano. Um dos clubes em ascensão no Rugby de São Paulo, o Wallys participa pela primeira vez de uma competição nacional com seu time feminino, chegando sem grandes conquistas até aqui em sua curta existência e assim como o Guarulhos vai medir forças com as melhores equipes do país buscando ganhar experiência para evoluir tecnicamente.

 

Grupo D: Desterro (SC), Niterói (RJ), Melina (MT) e USP (SP)

Duas das grandes equipes femininas do país se encaram logo na primeira fase do Super Sevens. O bicampeão Desterro traz à São Paulo um grupo experiente com nomes como Taís Balconi, Vâ Chagas, Shaiane e Amanda Bonetti, todas com passagem pelo centro de alto rendimento do Brasil. Agora, o clube tem disponível a academia da CBRu e seus efeitos no time masculino já estão sendo sentidos. É de se esperar que o time feminino logo se beneficie da nova estrutura de alto rendimento, o que só reforçará a condição das catarinenses de estarem entre as grandes favoritas. Afinal, trata-se do clube mais vezes campeões do Super Sevens na história que, no entanto, teve uma queda de produção no ano passado com apenas o quarto lugar geral.

 

Disputando a ponta do grupo está o Niterói, que se garantiu como equipe fixa ao vencer o Qualificatório, depois de uma campanha apenas regular no último Super Sevens, onde levou um título mas ficou pela taça Bronze em outras três ocasiões. As rubronegras poderão ter também um elenco com muitas atletas egressas dos Jogos Olímpicos (Baby, Amanda, Claudinha, a confirmar), enquanto as demais atletas venceram já neste ano todas as etapas do circuito fluminense. Em 2015, no entanto, o Nikity oscilou demais quando tinha suas selecionáveis e quando estava sem elas.

 

O Melina representa o Rugby feminino do Centro-Oeste e surge com grife e patrocínio forte, com direito à centro de treinamento profissional e buscando mudar o panorama do esporte na região. A marca de bebidas patrocina clubes como o Pasteur e o seu adversário Desterro, mas não está claro se jogadoras desses clubes farão parte da nova iniciativa. Irmãs de cores, a USP também leva o Roxo em sua camisa, mas sem a mesma pompa do clube recém-criado, é baseada na tradicional universidade da capital paulista e está hoje um pouco abaixo das maiores forças do estado, no entanto, na última etapa do  Campeonato Paulista Feminino garantiu bons resultados e também já participaram da iniciativa de XV feminino junto com o Band.

 

Jogos

Sábado, dia 24 de setembro

08h00 – Curitiba x Guarulhos

08h20 – Band Saracens x Delta

08h40 – Charrua x Tsunami

09h00 – SPAC x BH Rugby

09h20 – São José x Wallys

09h40 – Vitória x Toledo

10h00 – Desterro x USP

10h20 – Niterói x Melina

10h40 – Curitiba x Delta

11h00 – Band Saracens x Guarulhos

11h20 – Charrua x BH Rugby

11h40 – SPAC x Tsunami

12h00 – São José x Toledo

12h20 – Vitória x Wallys

12h40 – Desterro x Melina

13h00 – Niterói x USP

13h20 – Curitiba x Band Saracens

13h40 – Delta x Guarulhos

14h00 – Charrua x SPAC

14h20 – BH Rugby x Tsunami

INTERVALO (Super 8 – São José x Farrapos)

16h50 – São José x Vitória

17h10 – Toledo x Wallys

17h30 – Desterro x Niterói

17h50 – Melina x USP

 

Lista de campeãs do Super Sevens

2012 – SPAC (SP)

2013 – Desterro (SC)

2014 – Desterro (SC)

2015 – Curitiba (PR)

 

Foto: Jhonny Moisés / Fotojump

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