O CEO da Confederação Brasileira de Rugby, Jean Luc Jadoul, concedeu entrevista ao Portal do Rugby explicando as situações do Corinthians Rugby, das Yaras e dos campeonatos nacionais de clubes neste momento de crise do COVID-19.

 

O cancelamento da 1ª edição da SLAR trouxe problemas imediatos. Como ficou a questão dos contratos e salários da comissão técnica e dos atletas do Corinthians Rugby? Estamos vendo clubes profissionais reduzindo salário pelo mundo.

R: Como não contratamos nenhum jogador profissional e nem treinador estrangeiros para o torneio, o cancelamento da 1ª SLAR não trouxe maiores problemas para a CBRu. A equipe era formada pela seleção brasileira de XV e a SLAR era uma oportunidade de aumentar a quantidade de jogos desses atletas e preparar melhor a equipe para os test matches e o American Rugby Championship deste ano. O reinício da SLAR para 2021 nos dará tempo para melhor nos prepararmos e buscarmos recursos. As remunerações dos atletas e da comissão técnica foram ajustadas antes, para viabilizar a entrada na competição dentro dos limites orçamentários da CBRu.

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– Como a equipe recebeu a notícia do cancelamento? Como fazer para lidar com o aspecto psicológico da questão?

R: Fomos absorvendo o choque em 3 estágios. O primeiro se deu na ida para o primeiro jogo no Paraguai onde já estava decretado a não participação do público no estádio. Viajamos no dia 12 de março, todos de máscaras nos aeroportos, no avião e nos ônibus. A primeira experiência da máscara é marcante e deu um sinal de gravidade e alerta contra o inimigo invisível. O segundo estágio foi depois do almoço, às 13h da 6ª feira, 13 de março: o Governo Paraguaio proibiu jogos e o nosso era às 21h. Perdemos a viagem… A decepção foi grande: a equipe tinha se preparado com muita dedicação e era o seu primeiro grande teste: uma equipe 100% brasileira contra o selecionado do Olimpia com poucos paraguaios e muitos argentinos.

Naquele momento, entendemos que a competição estava comprometida e que o maior risco não estava no jogo, mas nas viagens e passagens pelos aeroportos e aviões. Decidimos então que os treinos de rugby seriam suspensos no NAR a partir de 2ª feira, 16 de março, e que todos os integrantes da delegação entrariam em isolamento de 14 dias na chegada em São Paulo, porque poderíamos estar infectados sem saber, e que as atividades do escritório seriam feitas em home office.

Não era possível continuar a competição nestas condições e a CBRu pediu para a SLAR não esperar a 2ª feira, 16 de março, para decidir e agilizar a sua decisão de adiar a competição. Fomos parte do 3º estágio no qual a SLAR decidiu cancelar a competição 2020 e reiniciar em 2021. Neste ponto, a frustração de não participar estava substituída pela torcida de estar com saúde no dia 28 de março (14 dias) e pela consciência da necessidade do nosso afastamento individual.

 

– As Yaras também estavam em monte crucial da temporada no Circuito Mundial e terão que esperar mais um ano para disputarem os Jogos Olímpicos. Como fica agora a gestão do projeto da seleção feminina até 2021?

R: A frustração do adiamento dos Jogos Olímpicos para 2021 é grande e o momento muito ruim: a participação no Circuito Mundial estava dando para as Yaras um volume jogos importantíssimo para a preparação para Tóquio 2020. Cada try, cada jogo e, sobretudo, cada derrota estavam fazendo um aprendizado valiosíssimo para ter um bom desempenho no Japão. Isto ficou duramente interrompido. As Yaras continuam mantendo seus treinos de forma individualizada. A previsão de retorno do Circuito Mundial Feminino ainda está em aberto e não sabemos como será o primeiro semestre de 2021, período preparatório dos Jogos Olímpicos. Caso não haja a possibilidade de usar o Circuito Mundial como preparação, deveremos inscrever as Yaras em outras competições e buscar amistosos com equipes mais fortes.

 

Ainda é difícil analisarmos os desdobramentos da crise do COVID-19, mas quais impactos econômicos podemos esperar para a Confederação a curto e médio prazos?

R: No curto prazo, as ações de ajustes de custos em andamento devem nos permitir passar 2020 com pouco aperto adicional. 2021 deverá ser “O” desafio. A parte das receitas que vem de LEI federal e do IR sobre lucro das empresas deve diminuir muito e, talvez, desaparecer. Teremos ainda os recursos de LIE estadual [paulista] para desenvolvimento, os aportes do COB, da World Rugby e dos patrocinadores com valores a confirmar.

 

– Os projetos incentivados para os campeonatos nacionais já tinham finalizado a captação de recursos ou ainda não? Qual poderá ser o impacto para os clubes que disputam torneios da CBRu?

R: O projeto do Campeonato Brasileiro masculino de XV está captado, liberado para execução e aguardando a abertura do calendário. A captação do Super Sevens Feminino tem parte dos recursos captados e ainda está em curso para aumentar o valor total. Por enquanto, o impacto será no calendário: o que estava previsto de acontecer em 2 semestres, com os campeonatos estaduais, deverá acontecer em 1 semestre.

 

O que podemos esperar do projeto Corinthians Rugby para a sequência? É certo que a parceria com o Corinthians seguirá ou isso ainda será negociado? E como está a busca por parcerias e investidores para o projeto da franquia brasileira?

R: Ainda é cedo para falar como será a equipe SLAR brasileira em 2021. Todas as opções estão abertas e a busca de patrocinadores se intensifica. As conversas com investidores continuam (mais devagar, neste momento).