Desde 2017 as federações estaduais que compõem o quadro associativo da Confederação Brasileira de Rugby passaram e se reunir virtual e presencialmente de maneira contínua, levando assuntos de interesse comum à entidade e objetivando que o relacionamento entre as instituições fosse menos verticalizado e mais lado a lado. Houve a partir desse movimento uma mudança na maneira de tratarmos os assuntos relativos ao esporte no país.

Destaque-se, entretanto que em boa parte das vezes fomos ouvidos, mas sem efetivamente poder mudar rumos e diretrizes da CBRu, dado que o poder decisório sempre ter sido da entidade. Deu-se voz às federações, mas pouco se modificou daquilo que já estava proposto. Mesmo assim seguimos no intuito de ajudar no debate e oferecer ajuda e soluções para os problemas crônicos do rugby brasileiro: baixa popularidade, incluindo públicos extremamente decepcionantes nas partidas da Seleção, melhor organização dos torneios nacionais e falta de foco nas competições de base M18 e M16 masculina e feminina.

Tratou-se ainda de projeto de desenvolvimento pavimentado em verba disponibilizada pela World Rugby para a CBRu e que chegava de maneira precária na ponta dessa cadeia: nos clubes, educadores, no dia a dia do rugby nacional. Verba essa que, foi informada em abril já ter sido depositada pela entidade internacional e que efetivamente não chegou no devido local de sua aplicação.

Não bastassem os problemas elencados, recebemos agora a notícia, via mídias sociais, de que haverá uma reunião na capital paulista, uma “Assembleia Aberta” para discutir e debater os rumos do rugby nacional, fazendo parte da governança aplicada na entidade. Pasmem, um convite feito a todos com menos de uma semana de antecedência, tornando extremamente difícil o comparecimento de clubes e federações de outros estados e sem o devido tempo para organização e planejamento para que os temas enfrentados tenham a devida profundidade e debate necessários.

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Problema que também é vivido, por que não, pelos próprios filiados do estado de São Paulo, por compromissos já assumidos, dificuldade de deslocamento e também por terem que se ausentar do convívio dominical junto às suas famílias.

Entendemos a importância dessa reunião, mas não podemos compactuar com o modelo proposto. Aliás, o modelo proposto para o rugby brasileiro em focar exclusivamente no alto rendimento, deixando o desenvolvimento em segundo plano já apresenta seus reflexos, com os resultados dos juvenis brasileiros estarem em declínio, bem como quantidade de praticantes e torneios em escassez.

Nós Federações, que vivemos o dia a dia do rugby ao lado de nossos clubes sentimos a desconexão da Confederação com a realidade do esporte no país. Existe um hiato que cada vez aumenta mais entre a base do esporte e aquilo que se vende como o produto da entidade.

Por isso o debate é muito mais profundo, tornando-se inaceitável que seja marcado com tamanha pressa e sem a devida e necessária preparação dos envolvidos que têm muito a falar, mas que necessitam que sejam ouvidos.

Sendo assim, em conjunto solicitamos a alteração da data da reunião proposta e que nova data seja marcada com pelo menos 30 dias de antecedência. É o mínimo para o bom debate, que enriqueça e traga os frutos necessários para o pleno crescimento e desenvolvimento do rugby brasileiro.

 

Assinam em 10 de setembro de 2019:

 

FEDERAÇÃO PAULISTA DE RUGBY – FPR

FEDERAÇÃO PARANAENSE DE RUGBY- FPRu

FEDERAÇÃO GAÚCHA DE RUGBY – FGR

FEDERAÇÃO CATARINENSE DE RUGBY – FECARU

FEDERAÇÃO FLUMINENSE DE RUGBY- FFRu

FEDERAÇÃO MINEIRA DE RUGBY – FMR

 

* após o envio da presente carta, a CBRu respondeu na manhã do dia 11 de setembro de 2019 que irá alterar a data da reunião para o dia 06 de outubro para oportunizar a presença efetiva de todos os interessados.