Construção do Grand Stade de Paris é alvo de críticas

Na França, “Elefante Branco” é coisa séria. Insatisfeita com seu contrato com o Stade de France, principal estádio de Paris, a Federação Francesa de Rugby (FFR) apresentou em 2012 seu projeto de construir um estádio próprio, para 82.000 lugar, na cidade de Évry, subúrbio sul da capital francesa. O plano original previa um teto retrátil para a nova arena e a conclusão da obra em 2017. A construção, entretanto, fora postergada, com o estádio sendo alvo de intenso debate dentro e fora da FFR e, se de fato aprovada, não será concluída antes de 2020-2021.

 

Além do custo astronômico (mais de 600 milhões de euros, isto é, cerca de 2 bilhões de reais, dos quais 200 milhões de euros caberão à FFR financiar e buscar parceiros, ao passo que os demais 400 milhões sairão de empréstimos bancários, com as autoridades locais oferecendo as garantias, o projeto do Grand Stade tem implicações políticas para ser aprovado. A França vive momento de eleições e a construção de um segundo grande estádio na região de Paris e a saída das partidas de rugby do Stade de France poderá significar ônus aos cofres públicos. Afinal, sem o rugby, o Stade de France perderia um número muito importante de eventos anuais que fazem com que hoje o estádio não gere débitos e seja autosustentável. Sem nenhum clube de futebol mandando jogos no estádio, o Stade de France dependeria da seleção francesa de futebol e de eventuais – mas incertos – outros eventos esportivos e musicais que consiga atrair. O que está em jogo não é apenas a construção de um novo estádio, mas o que fazer com o estádio já existente, misturando, assim, interesses públicos com privados.

 

Para a FFR, a meta de iniciar a construção em 2017 segue viva, mas para tal a entidade terá esse ano para convencer seus opositores internos – como o ex técnico da seleção Bernard Laporte, que já expressou dúvidas sobre a viabilidade financeira do projeto – e a opinião pública.

 

Entre os participantes do Six Nations, a Inglaterra apresenta o modelo desejado pelos dirigentes franceses, pois Londres conta com um estádio mantido pela RFU (Rugby), Twickenham, e outro mantido pela FA (Futebol), Wembley, ambos possuindo mais de 80.000 lugares e não contando com nenhum clube mandante, o que significa que ambos têm calendários dependentes de jogos das seleções nacionais e finais de campeonatos locais e internacionais. A Escócia possui também um estádio para cada seleção nacional, Murrayfield, em Edimburgo, para o rugby, e Hampden Park, em Glasgow, para o futebol. Já na Irlanda e em Gales as seleções nacionais de rugby e futebol dividem o mesmo estádio, como atualmente na França. Na Itália, atualmente o Stadio Olimpico de Roma é casa de dois clubes de futebol grandes – Roma e Lazio – e das seleções de rugby e futebol, sendo o mais utilizado dos estádios do Six Nations.

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