No começo do ano, a CBRu elegeu os seus destaques do ano de 2013 em diversas categorias, e Matheus Cruz, dezoito anos recém completados, foi eleito o melhor jogador Junior, em uma disputa acirrada com outros nomes que vem se destacando nas seleções do Brasil. Mais que o troféu no entanto, o grande prêmio foi a Bolsa Michel Etlin, que levará o jogador para desenvolver ainda mais seu talento na Nova Zelândia, pelo período de um ano.

E ele não irá sozinho! Dois jogadores do Ilhabela vão embarcar nessa jornada, e trarão muito conhecimento para o Rugby brasileiro no ano que vem. Os jogadores se somam à Raj Spago, que está treinando na Sharks AcademyArthur Junqueira, Mauro Gutierrez e Ravi, que vão jogar em Geraldine. Uma verdadeira legião brasileira aprendendo o melhor Rugby do mundo!

E é justamente com Matheus Cruz  que iniciamos o Rugby na Estrada, um blog dedicado a contar a rotina de todo esses jogadores na busca de seus sonhos, fiquem ligados nas atualizações!

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Portal do Rugby: Como foi a sua trajetória até aqui? Como se iniciou no Rugby?

Matheus Cruz: Iniciei no rugby em 2010 , com convite de amigos. Em 2011 larguei o futebol de base e comecei a me dedicar ao rugby, treinando nas categorias M15 e M17. Fui selecionado para seleção do Vale M17, me sagrando campeão no mesmo ano, e isso tudo fez com que eu evoluisse muito. Joguei campeonatos pelo Jacareí no M15 e M17, mas o que me marcou mesmo foi o Brasil Sevens M19 quando fomos campeões.

O ano de 2012, foi de muitas conquistas: Paulista M16, Copa Cultura Inglesa de verão M16, Vice no Paulista M18 e mais outros diversos campeonatos! Meu rugby estava evoluindo muito, mas tinha um sonho que era entrar na seleção Junior, e em 2013 fui convocado. Em 2013 as responsabilidades aumentaram e junto com isso e o trabalho duro, consegui meu espaço na seleção Junior, jogando contra o Paraguai no meu primeiro jogo como titular e fazendo um try. Fizemos bons jogos contra Chile e Uruguai e também pelo Jacareí, que me proporcionaram esse prêmio.

 

PdR: Quem está indo com você, porque?

MC: Logo após entrar em contato com o diretor da escola de Burnside, fiquei sabendo que dois grandes amigos iriam para lá também. Leonardo Ceccareli e Piero (ambos de Ilhabela). Leo é o irmão mais novo do conhecido ´Piru´que hoje está em Curitiba e joga também pela Seleção Brasileira de XV. Eles estão indo com mesmo intuito em ter uma experiência com Rugby e para uma fluência no inglês.

 

PdR: Qual será a sua rotina diária?

MC: Minhas aulas começam as 9h da manhã e acabam às 16h30. Terei aulas de inglês, história, e aulas especificas para o rugby, como de agilidade, passe, defesa, ataque, e no ultimo período treino com o time da escola.

 

PdR: Ficou surpreso com o prêmio de melhor jogador júnior, aos 17 anos?

MC: Sim foi uma grande surpresa quando recebi a indicação, ainda mais com o prêmio. Foi muito gratificante pelo esforço feito em 2013, e é como se fosse uma recompensa por todo esforço e de todas as coisas quais abri mão nos últimos anos.

 

PdR: Como acha que a estrutura do Jacareí te ajudou a se destacar no cenário nacional?

MC: A principal contribuição do Jacareí foi me ensinar os valores do rugby, e com todos ali envolvidos, meus treinadores, diretores e companheiros do clube. Investiram em mim e hoje estou onde estou, Devo muito aos meus irmãos do time, sem eles não teria como treinar e melhorar como jogador e não teria a oportunidade de demonstrar o meu rugby.

 

PdR: Como foi o preparativo para sua viagem?

MC: Tudo foi muito corrido, entrei no inglês e comecei a estudar muito duas horas por dia de manhã e tarde com professores particulares, mais o tempo em casa de estudos. Outra batalha foi para a documentação, estava muito preocupado com o visto, mas graças a Deus ele chegou na sexta passada. Agora só me restam os detalhes mais prazerosos, que é fazer as malas, limpar a chuteira, tee e roupas e material de treino.

 

PdR: O que espera da sua estadia na Nova Zelândia? Qual imagina que sejam os maiores desafios, tanto dentro de campo como fora dele?

MC: Espero grandes experiências, acho que os desafios maiores serão no começo, em função da adaptação com a língua Inglesa. Ficarei na casa de uma família e pelo que vi, as pessoas que vão cuidar de mim são muito simpáticas e demonstram uma preocupação muito grande por mim. A saudade de amigos da família também será um grande desafio. Mas acho que as aventuras e a rotina lá irão suprir tudo isso.

 

PdR: Acha que servirá de inspiração para quem está começando nas categorias inferiores do Jacareí?

MC: Creio que sim! temos muitos meninos mais novos que amam o rugby, que não se importam se está chovendo ou com sol de rachar, estão sempre lá. Diversos estão sempre pedindo conselhos e demonstram uma grande admiração, sempre falam “Cruz me ensina a pisar…”. Espero poder ser referência a eles com minhas atitudes dentro e fora do campo para que eles sejam não só bons jogadores mais sim bons homens de bons princípios e valores. O resto vem como conseqüência.