Tradicional clube de Santos, Jabaquara ganha equipe de rugby

Após muitas conversas e reuniões, o presidente do Jabaquara Atlético Clube em Santos, Sr. Antônio Gilberto Amaral bateu o martelo e vai fazer da cidade um novo pólo de rugby, que em breve, competirá com as grandes equipes do estado e do Brasil. Para isso trouxe o experiente e conhecido manager Márcio Duailibi que irá montar esse quebra cabeça em 2016 na busca da melhor formação e estruturação da equipe dentro do clube, tradicionalmente disputa campeonatos de futebol. Se a cidade conseguiu produzir Pelé, quem sabe possa produzir um novo rei do rugby e que seja do Jabaquara desta vez.

 

O Jabaquara irá seguir o passo a passo para atingir as metas estabelecidas, neste ano de Jogos Olímpicos, o Sevens e o Paulista D serão a prioridade para que uma nova cultura se instale no clube e na cidade. Afinal rugby é um esporte de damas e cavalheiros, que fará dos associados torcedores fanáticos e fieis. Por ser uma cidade litorânea e muito esportiva a projeção é boa e otimista.

 

Para aqueles que não conhecem, o Jabaquara Atlético Clube é uma agremiação esportiva da cidade de Santos, no estado de São Paulo, fundada a 15 de novembro de 1914. Suas cores são o amarelo e o vermelho. A agremiação, anteriormente chamada de “Hespanha”, é um dos membros fundadores da Federação Paulista de Futebol. Disputou a Primeira Divisão estadual (atual A-1) entre os anos de 1927 a 1963, com sete ausências. Atualmente, disputa a Série B (Quarta Divisão) do Campeonato Paulista de Futebol, organizado pela FPF.

 

História do clube

Um grupo de jornaleiros espanhóis, ou “tribuneiros”, como eram conhecidos, com a união de associações ou agremiações esportivas dos imigrantes europeus na região de Santos do início do século 20, e o interesse na nova modalidade esportiva, reuniam-se no atual bairro do Jabaquara. Para dar nome à nova equipe foram dadas várias sugestões, entre elas Nova Cintra e Jabaquara. Foi quando um senhor negro, ex-escravo, entrou e propôs: Espanha, que foi logo aceito por todos, e fundaram o Hespanha Foot Ball Club, conforme denominavam em 15 de novembro de 1914.

 

A sua primeira partida oficial aconteceu em 1916, contra o Clube Afonso XIII, com um resultado de 1 a 1, numa ocasião em que foi levantado o primeiro pavilhão do clube. Surpreendeu com uma gloriosa vitória e arrecadação contra o SPR no ano seguinte, onde festejaram e conquistaram diversos associados e atenção na cidade.

 

Nos anos de 1918 a 1920, conquistou a “Taça Grande Café D’Oeste” e participou como convidado na inauguração do estádio da Associação Atlética Portuguesa. O seu crescimento foi tamanho a partir de então, que em 1924 foi construído um estádio maior, localizado no bairro do Macuco como “Estádio Antônio Alonso”, que levou o nome do seu proprietário, passando a ser chamado o time popularmente como o “Leão do Macuco”. Em 1930, o Hespanha enfrenta seu primeiro adversário internacional com uma vitória de 3×2 contra a Seleção de Buenos Aires.

 

Com a fundação da Federação Paulista de Futebol, esteve presente o Hespanha nos campeonatos oficiais de São Paulo na divisão principal. No início da década de 1940, em decorrência da Segunda Guerra Mundial, houve a necessidade de mudança do Hespanha, pois levava nome de país, o que não era permitido a partir de um decreto de lei, passando a denominar-se após votação como Jabaquara Atlético Clube em homenagem ao seu bairro de origem, gerando o popularizado apelido de “Jabuca”.

 

Em 1944 o time atingiu o seu auge com o melhor ataque do futebol paulista. Foi no período entre 1940 e 1957 que o clube revelou vários craques, com o técnico Arnaldo de Oliveira, popularmente conhecido como Papa. As maiores estrelas reveladas foram o goleiro Gilmar, com passagem pelo Sport Club Corinthians Paulista e campeão mundial pelo Santos Futebol Clube e Seleção Brasileira de Futebol, e Osvaldo da Silva, conhecido como Baltasar, que era o nome do seu irmão que jogava no Santos FC. Outros craques formados: Marcos (revelado para o Corinthians); Feijó, Getúlio, Ramiro e Álvaro (para o Santos); Célio (para o Vasco da Gama, no Rio de Janeiro); e Melão, (do Santos para o SPAL na Itália).

 

No entanto, em 1945 o clube sofreu grave crise financeira que afetou o time quase com o rebaixamento à segunda divisão, senão dispôs-se de um recurso de seu advogado. Houve a venda de um valorizado terreno, próximo à praia, no bairro Ponta da Praia (Santos), que não saldou as dívidas do clube, para questionamento de muitos até os dias atuais. Restou treinar em um campo na cidade vizinha de São Vicente.

 

Assim correram os anos até que em 1957, com uma vitória de virada em partida histórica contra o bicampeão paulista Santos Futebol Clube na Vila Belmiro, sob coordenação de Nelson Ernesto Filipo Nuñes, passando a ser chamado de Dom Filipo pelo seu feito de vitórias consecutivas no Jabaquara, salvando ainda o clube de um rebaixamento pela segunda vez em 1959. O inevitável rebaixamento ocorreu em 1963.

 

Finalmente, uma grande área definitiva com 67.380 m2 para o clube em um local alagadiço e pouco valorizado, que contribuiu a partir de 1961 para o crescimento do bairro da Caneleira.

 

Mascote

O “Hespanha Foot Ball Club”, como foi chamado até 1941, entrou para a Liga Santista em 1917. Dez anos mais tarde, a equipe começava a ganhar seu espaço e com campanhas impressionantes recebeu o carinhoso apelido de “Leão do Macuco”, numa alusão ao bairro em que ficava sua sede. Em 1963, o clube comprou uma nova área no Bairro da Caneleira e lá construiu o estádio, que hoje se chama Espanha. Essa é a origem do nome da mascote, “Leão da Caneleira”.

 
Escrito por: Lysandra Castro

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