Clubes do Championship inglês. Da esquerda para a direita: Nottingham, Ampthill, London Scottish, Doncaster Knights, Jersey Reds, Newcastle Falcons (que é sócio da Premiership), Hartpury College, Yorkshire Carnegie (ex Leeds Carnegie), Bedford Blues, Coventry, Ealing Trailfinders e Cornish Pirates. Foto: RFU

O Saracens foi rebaixado para o Greene King IPA Championship, a atual segunda divisão profissional da Inglaterra. No entanto, o campeonato que com 12 clubes poderá deixar de ser totalmente profissional em breve.

Nesta semana, a RFU (a federação inglesa) e a Premiership (a liga profissional da primeira divisão) anunciaram que cortarão pela metade seus repasses de verba para a 2ª divisão, o que vem sendo entendido pelos clubes do Championship como uma chancela da RFU para o desejo da Premiership de eliminar o sistema de promoção e rebaixamento no futuro próximo, criando uma liga fechada.

A Premiership hoje conta com 12 clubes, mas 13 sócios. Os atuais 12 times da competição (Saracens, Exeter Chiefs, Northampton Saints, Leicester Tigers, Wasps, Harlequins, Bath, Gloucester, Bristol Bears, Sale Sharks, Worcester Warriors e London Irish) e o Newcastle Falcons (rebaixado da Premiership para o Championship no último ano) são donos da Premiership Rugby Ltd, todos possuindo um percentual da liga e o rebaixamento é considerado um sério problema para a competição, pois exclui temporariamente um de seus sócios da competição. Não por acaso, a Premiership tem baixo índice de rotatividade, pois normalmente o clube rebaixado em um ano é promovido no ano seguinte, pelo desnível financeiro que existe entre as duas divisões. O último clube que não é sócio da Premiership que chegou à primeira divisão, o London Welsh, foi à falência, por receber um percentual menor do que os demais clubes quando esteve na competição, além de não poder usar seu estádio, que não tinha a capacidade mínima de 10 mil lugares requerida.

A Premiership Rugby Ltd não é responsável pela segunda divisão, que é organizada diretamente pela RFU, a qual não concede o controle da competição para os clubes do Championship. Desta forma a RFU é a responsável pela comercialização do Championship, ao passo que a Premiership (isto é, os clubes) comercializam a primeira divisão.

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Tal situação é diferente do que ocorre na França, onde a LNR (a liga profissional francesa) é responsável por organizar tanto a primeira divisão (o Top 14) como a segunda divisão (a Pro D2), que recebe um percentual das receitas totais da LNR (valor muito superior ao disponíveis na Inglaterra pelos repasses de RFU e Premiership).

O anúncio repentino dos cortes gerou revolta entre os clubes do Championship, muitos dos quais temem não serem mais capazes de contarem com elencos profissionais a partir do próximo ano. Para piorar, clubes como o Cornish Pirates ou o Ealing, que estão entre os melhores do Championship e vem investindo na ampliação e adequação de seus estádios aos critérios da Premiership, com os cortes podendo impedir que tais melhorias sigam.

No ano retrasado, a RFU, por pressão da Premiership, já havia tomado a medida de cortar o mata-mata do Championship, para promover diretamente o clube que terminasse os pontos corridos em primeiro lugar, o que gerou insatisfação dos clubes por tornar o campeonato previsível (pelo desnível financeiro com o clube vindo da Premiership) e, portanto, menos interessante para os torcedores da maioria das equipes.