O Rugby League conhecerá seu novo campeão mundial nesse sábado! O rugby de 13 jogadores viverá a grande final de sua Copa do Mundo em Brisbane, na Austrália, com a seleção da casa, a maior campeã da história e vencedora da última edição do torneio, em 2013, medindo forças com a Inglaterra, outra grande potência, que irá ao estádio de Lang Park sedenta por um título que não é seu desde 1972. As duas maiores nações do League estarão frente a frente! O duelo, infelizmente, não terá exibição para o Brasil.

A Austrália é amplamente favorita, tendo vencido já o confronto entre as duas equipes na primeira fase do Mundial, em um muito disputado 18 x 04, decidido a favor dos aussies apenas no finzinho. Os Kangaroos, aliás, não são derrotados pelos Lions desde 2006, em jogo que na verdade foi contra a seleção da Grã Bretanha – a qual, na prática, é a seleção inglesa, já que no League a participação de irlandeses, escoceses e galeses é sempre mínima ou nula no selecionado britânico. Aliás, todos os três títulos mundiais ingleses foram vencidos como Grã Bretanha e uma vitória na final de 2017 seria a primeira como Inglaterra, pois a separação da seleção britânica no Mundial se deu somente a partir de 1995.

Os Kangaroos são quase imbatíveis, com somente 5 derrotas ao longo dos últimos 10 anos – todas para os Kiwis neozelandeses. O time do técnico Mal Meninga que irá a campo nesse fim de semana é um verdadeiro “dream team” da NRL, a liga australiana, a mais rica do planeta. O grupo será liderado pelos craques veteranos do Melbourne Storm, Billy Slater, Cooper Cronk e Cameron Smith, mas conta ainda com jogadores ascendentes que poderão erguer a taça pela primeira vez, como é o caso do artilheiro de tries do Mundial, Valentine Holmes, que marcou incríveis 11 tries em apenas 2 jogos de mata-mata, 5 nas quartas de final contra Samoa e 6 na semifinal contra Fiji. Uma verdadeira máquina de tries que já deixa os ingleses de cabelo em pé.

Mas os Lions são fortes também, contando com o que há de melhor na Super League, a liga inglesa, a segunda melhor do mundo, e com 5 jogadores que atuam na NRL – James Graham, capitão dos Bulldogs, os irmãos Sam e Tom Burgess, dos Rabbitohs, Heighington, dos Sharks, e Widdop, dos Dragons. Porém, o maior trunfo da Inglaterra talvez esteja no banco de reservas. É o técnico australiano Wayne Bennett, maior vencedor da história da NRL, e que conhece bem demais seu oponente.

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O favoritismo é, claro, da Austrália, mais completa, forte e superior em todos os setores, e que terá sua torcida jogando junto. A Inglaterra sofreu para vencer Tonga na semifinal, em jogo controverso, e já perdeu para os Kangaroos neste Mundial. Mas, é momento de ou tudo ou nada e qualquer coisa pode ocorrer, sobretudo porque os Lions têm os jogadores e o treinador capazes para a zebra. Será que ela ocorrerá? Saberemos em breve!

 

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07h00 – Austrália x Inglaterra, em Brisbane

*Horários de Brasília

Histórico: 152 jogos**, 84 vitórias da Austrália, 62 vitórias da Inglaterra e 6 empates. Último jogo: Austrália 18 x 04 Inglaterra, em 2017 (Copa do Mundo);

**incluindo jogos entre Inglaterra e Grã Bretanha;

Austrália: 1 Billy Slater, 2 Dane Gagai, 3 Will Chambers, 4 Josh Dugan, 5 Valentine Holmes, 6 Michael Morgan, 7 Cooper Cronk, 8 Aaron Woods, 9 Cameron Smith (c), 10 David Klemmer, 11 Boyd Cordner, 12 Matt Gillett, 13 Josh McGuire;

Interchanges: 14 Wade Graham, 15 Jordan McLean, 16 Reagan Campbell-Gillard, 17 Tyson Frizell;

Inglaterra: 1 Gareth Widdop, 2 Jermaine McGillvary, 3 Kallum Watkins, 4 John Bateman, 5 Ryan Hall, 6 Kevin Brown, 7 Luke Gale, 8 Chris Hill, 9 James Roby, 10 James Graham, 11 Sam Burgess, 12 Elliott Whitehead, 13 Sean O’Loughlin (c);

Interchanges: 14 Alex Walmsley, 15 Thomas Burgess, 16 Ben Currie, 17 Chris Heighington;

 

Austrália e Nova Zelândia colidirão pelo título feminino

Também no sábado no Lang Park, antes da grande final masculina, será jogada a grande final da Copa do Mundo Feminino, opondo as duas superpotências do League entre as mulheres: a atual campeão Austrália, as Jillaroos, e a maior campeã, a Nova Zelândia, as Kiwi Ferns. As duas seleções chegaram com tranquilidade à decisão e têm um histórico recente de equilíbrio, com a Nova Zelândia tendo vencido o duelo anual de 2016 e a Austrália faturado o embate de 2015. Mas, no geral, há vantagem significativa das Kiwi Ferns, campeãs dos 3 primeiros Mundiais, até as Jillaroos quebrarem o tabu e vencerem a edição 2013. Destaque para Selica Winiata, da Nova Zelândia, campeã mundial com as Black Ferns nas modalidades de 15 e 7 jogadoras.

 

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03h45 – Austrália x Nova Zelândia, em Brisbane

*Horários de Brasília

 

O que é o Rugby League?

O Rugby League é uma modalidade do rugby que nasceu em 1895 no Norte da Inglaterra. Na época, o rugby (o Rugby Union) proibia o profissionalismo no mundo todo, mas um grupo de clubes ingleses se opôs à proibição de pagamentos a jogadores e romperam com a federação inglesa, formando uma liga independente. A fim de mudar a dinâmica do jogo e torná-lo mais aberto, a liga passou a promover mudanças nas suas regras, criando uma modalidade distinta, jogada com regras diferentes e organizada por entidades distintas do Union. O League, no entanto, se difundiu fortemente apenas no Norte da Inglaterra e na Austrália, onde é mais popular que o Union. O esporte ganhou popularidade ainda na Papua Nova Guiné (país da Oceania onde é o League e não o Union que reina) e, em menor dimensão, na Nova Zelândia e em algumas partes da França, onde segue bem abaixo do Union.

Quais as principais diferenças?

  • O League é jogado por 2 times de 13 jogadores cada, com 4 reservas, sendo que um atleta que foi substituído poderá retornar a campo;
  • No League, o try vale 4 pontos, a conversão 2, o penal 2 e o drop goal (chamado também de field goal) 1 ponto;
  • Não é usado sistema de pontos bônus nas tabelas de classificação. A vitória vale 2 pontos, o empate 1 e a derrota 0;
  • Não existem rucks. Quando um atleta sofre o tackle, é seguro e vai ao chão o jogo é parado. O atleta com a bola é liberado, rola a bola com os pés para trás e o jogo é reiniciado. É o chamado “play the ball”;
  • Cada equipe tem direito a realizar 5 vezes o play the ball e, na sexta vez que um atleta é derruba, a posse da bola troca de equipe. É a chamada “Regra dos 6 tackles”. Com isso, é comum após o 5º tackle a equipe com a posse da bola chutá-la;
  • Se a equipe defensora tocar na bola entre um play the ball e outro a contagem de tackles é zerada. Quando uma equipe com a posse de bola comete um erro de manuseio e a bola troca de posse o primeiro tackle é considerado “tackle zero” e a contagem se inicia apenas após ele;
  • Não há lineouts. A reposição da bola que saiu pela lateral é feita a partir de um scrum. Penais chutados para a lateral são cobrados com free kick;
  • Na prática, os scrums não possuem disputas, pois a equipe que introduz a bola na formação pode introduzi-la diretamente no pé de sua segunda linha. Porém, a equipe sem a bola pode tentar empurrar a formação para roubar a bola (o que é raro de acontecer);
  • Não existe o mark. Com isso, chutes no campo ofensivo são frequentes;
  • Um chute dado atrás da linha de 40 metros do campo de defesa que saia pela lateral após a linha de 20 metros do campo ofensivo é chamado de “40/20” e premia a equipe chutadora com a manutenção da posse da bola e com a contagem de tackles zerada;
  • A numeração dos atletas no League muda. Os números mais altos são para os forwards e os números menos são para a linha. O fullback é o camisa 1 e o pilar o 13, por exemplo;

 

Foto: Bradley Kanaris/Getty Images