O Brasil está vivendo uma época de ouro no rugby. Os incrementos vão além da preparação para os 80 minutos dentro de campo e também passam por especializações do entendimento técnico e experiência dos treinadores brasileiros. Um desses exemplos é de Filipe Oliveira, o Bicudo, formado pelo Curitiba com passagens pela Seleção Brasileira de sevens e que hoje é treinador das categorias de base do Grenoble, na França.

O graduado de 27 anos em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná, bicampeão como jogador pelo Curitiba, decidiu investir na carreira de treinador em 2010 quando ainda era juvenil após um intercâmbio pela Argentina junto com outros jogadores de seu clube durante a pré-temporada do Olivos, que na época fazia parte do Top 14 da URBA.

“Me lembro que na época fiquei muito impressionado com a quantidade de categorias, jogadores – aproximadamente oitenta por cada categoria – e o ritmo de treinos e jogos, realidade muito distinta da vivenciada no Brasil.”

No regresso ao Brasil, decidiu largar a faculdade de Desenho Industrial e migrar para Educação Física. Passou por todas as categorias do Curitiba, sendo campeão brasileiro com equipe feminina em 2016, atuando também no projeto Vivendo o Rugby (VOR), grande celeiro de craques do Curitiba, em parceria com a ONG CADI.

A oportunidade da experiência no Grenoble surgiu junto com a parceria da ONG CADI com o VOR, que atua em diversos locais carentes no mundo, incluindo a França. A visita de Frank Maneva, um dos apoiadores da organização e que havia sido jogador durante a juventude, deixou o apoiador sensibilizado com a atuação do rugby em Curitiba. Numa visita subsequente, trouxe calções, camisas e chuteiras, além de Olivier Nier, que já havia trabalhado no Grenoble e atualmente trabalha na Confederação Suíça de Rugby.

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“conversamos muito sobre metodologias de treinamento e eu tive alguns pequenos seminários com eles. Ao final destes seminários, eu perguntei se não haviam cursos de capacitação de treinadores de rugby que ele poderia me indicar”

Então, um mês depois de demonstrar interesse, estava com as passagens compradas para França vivenciar a experiência que terá duração total de 3 meses.

“Aqui, estou acompanhando a equipe profissional durante todas as atividades, que ocupam todo o horário da manhã, e aos poucos tenho recebido pequenas tarefas relacionadas na parte de treinamento de força e análise estatística, que é realizada em todos os jogos e treinamentos”

Bicudo também auxilia os treinadores na escola de rugby com crianças de 5 a 12 anos e à noite atua como jogador na segunda equipe do clube onde participam jovens de até 23 anos e alguns veteranos.

“Meu objetivo aqui é aprender o máximo possível sobre as metodologias de treinamento aplicadas às diferentes idades e sobre a análises de performance, para que eu possa disseminar e aplicar tais conhecimentos quando retornar ao meu clube.”