Brasil e Chile empatam no Pacaembu em jogo com emoção

Diante de 7.270 torcedores, Brasil e Chile se enfrentaram pela primeira vez no Estádio do Pacaembu em São Paulo e, em jogo emocionante, o duelo terminou com empate de 20 x 20, que manteve o Brasil na terceira colocação do Sul-Americano e o Chile na vice liderança.  Os Tupis viajarão a Assunção para encarar o lanterna Paraguai no próximo sábado e precisarão vencer para conquistar uma inédita vaga no Sudamérica Rugby Cup. Para isso, no entanto, o Brasil necessitará também de uma derrota chilena contra o Uruguai, em partida que valerá o título.

 

O jogo começou com o Brasil conquistando um penal logo no minuto inaugural, de 40 metros. Moisés arriscou mas não foi feliz, em uma tarde que não esteve com o pé calibrado. E, aos 6′, no primeiro bom ataque chileno, nasceu o primeiro try dos visitantes, com Larenas correndo pelo lado cego do ruck na ponta. 7 x 0, esfriando a animação do público brasileiro.

 

O Brasil cresceu depois de sofrer os primeiros pontos e passou a dominar as ações, mantendo domínio territorial intenso. Aos 15′, o Brasil ganhou scrum nas 22 e Tanque saiu rápido para fazer o try, que, no entanto, foi anulado, com Longres mandado voltar a cobrança. Moisés optou por colocar a bola para a lateral e os Tupis emplacaram uma série de fases, parando na defesa vermelha, que ainda quase conseguiu uma interceptação de passe. Foi apenas aos 27′ que os Tupis furaram o bloqueio chileno. Felipe Sancery conseguiu grande infiltração e o Brasil teve a competência de fazer a bola circular com qualidade de uma lateral para a outra duas vezes, com Coghetto finalizando na ponta. Sem a conversão, contudo, os Tupis ficaram ainda atrás, 7 x 5.

 

A resposta chilena foi imediata, com Nordenflycht convertendo com perfeição penal para os visitantes. Moisés teve chance na mesma moeda logo depois, mas não foi feliz em seu arremate de penal. O melhor momento antes do intervalo foi brasileiro, com Daniel Sancery correndo desde as 22 de defesa até o campo ofensivo, mas a decisão de um chute rasteiro se provou equivocada e a posse foi perdida, fechando o primeiro tempo em 10 x 5 para os andinos, em um primeiro que teve o Brasil perdendo muitos scrums: 2 de seus 6 scrums foram roubados, assim como 1 de seus 5 laterais, dando a vantagem nas formações fixas aos chilenos.

 

A segunda etapa começou excelente para os brasileiros. Os Tupis ganharam novo penal de 40 metros, mas optaram pelo chute para a lateral. A decisão foi inteligente, com o alinhamento funcionando e Diegão saindo pelo lado fechado do maul e, na força, rompeu para o try de empate. Moisés foi preciso na conversão, colocando os Tupis na frente, 12 x 10.

 

A torcida cresceu e os Tupis também. Com mais posse de bola, a linha brasileira mostrou sua qualidade e a articulação de Tanque com Stefano funcionou e Stefano cruzou o in-goal para o terceiro try verde e amarelo. Moisés desperdiçou a conversão e a diferença ficou em um try, 17 x 10.

 

O Chile teve a chance de devolver com penal, mas Nordenflycht não foi feliz. Ainda assim, muito superior no jogo fixo, o Chile se manteve forte na partida e passou a controlar por completo a posse de bola e o território, com o rendimento brasileiro despencado ofensivamente, mas com a qualidade defensiva da equipe do técnico Rodolfo Ambrosio prevalecendo. O Brasil resistiu à pressão chilena e mostrou força em especial nos rucks, conquistando turnovers importantes na defesa. A alternativa chilena ficou com os penais e Nordenflycht reduziu com penal certeiro.

 

De tanto insistir, veio a virada chilena. O pack vermelho prevaleceu e em maul o asa Niedmann cravou o segundo try dos visitantes, que convertido elevou o marcador para 20 x 17 para os andinos, com poucos minutos pela frente. Restou ao Brasil partir para cima e conquistar um precioso penal, que Moisés, enfim, converteu, deixando novamente tudo igual. No instantes derradeiros, a posse de bola foi toda chilena, que emplacou fases atrás de fases, parando no poderoso contra-ruck tupi e perdendo as oportunidades seguidas de tentar um drop goal. Fim de jogo, 20 x 20.

 

Foi o segundo empate na história entre Brasil e Chile, o primeiro desde 1964. Com o resultado, o Brasil segue sem perder em casa para os Cóndores desde 2007, mas foram apenas 2 jogos desde então.

 

“O try é, na verdade, um esforço coletivo. Temos treinado muito, então, tenho de agradecer a todo o grupo. O empate mostra que nosso trabalho é consistente, que estamos no caminho certo”, analisa Diego Lopez, autor do try brasileiro.

 

“No primeiro tempo, demoramos em acordar. Eles fizeram o try antes de nós, e isso faz diferença. No segundo tempo, buscamos o resultado, conseguimos ficar na frente um período, contudo, eles voltaram ao jogo. Estamos melhorando, e a força do grupo tem se mostrado muito grande. Vamos com força para a próxima partida”, afirma Nick Smith, capitão do time verde e amarelo.

 

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Brasil 20 x 20 Chile, no Pacaembu, em São Paulo

Árbitro: Alejandro Longres (Uruguai) / Assistentes: Claudio Cattivelli (Uruguai) e Victor Silvero (Paraguai)

 

Brasil

Tries: Coghetto, Diegão e Stefano

Conversões: Moisés (1)

Penais: Moisés (1)

15 Daniel Sancery (São José), 14 Guilherme Coghetto (Desterro), 13 Felipe Sancery (São José), 12 Laurent Bourda-Couhet (Band Saracens), 11 Robert Tenório (Pasteur), 10 Moisés Duque (São José), 9 Lucas Duque “Tanque” (São José), 8 Nick Smith (c) (SPAC), 7 André Arruda “Buda” (Desterro), 6 Mark Jackson “Wacko” (Desterro), 5 Diego Lopez (Pasteur), 4 Lucas Piero “Bruxinho” (Desterro), 3 Rafael Carnivalle “Carnaval” (SPAC), 2 Yan Rosetti (CUBA, Argentina), 1 Jonatas Paulo “Chabal” (Band Saracens).

Suplentes: 16 Luan Almeida “Big” (Jacareí), 17 Caique Silva (NaFor), 18 Lucas Abud (SPAC), 19 Artur Bergo (SPAC), 20 João Luiz da Ros “Ige” (Desterro), 21 Beukes Cremer (Poli), 22 Phil Ramos (Desterro), 23 Stefano Giantorno (NaFor).

 

Chile

Tries: Larenas e Niedmann

Conversões: Nordenflycht (2)

Penais: Nordenflycht (2)

15 Pablo Casas (PWCC), 14 Pedro Verschae (Viña), 13 Matías Nordenflycht (COBS), 12 Germán Herrera (Viña), 11 José Ignacio Larenas (Universidad Católica), 10 Rodrigo Fernández (COBS), 9 Juan Pablo Perrotta (Univerisdad Católica), 8 Benjamín Soto (c) (Stade Français), 7 Javier Richard (COBS), 6 Cristóbal Niedmann (PWCC), 5 Raimundo Piwonka (PWCC), 4 Ignacio Álvarez (COBS), 3 Luis Sepúlveda (Troncos), 2 Manuel Gurruchaga (COBS), 1 Claudio Zamorano (Stade Français).

Suplentes: 16 Rodrigo Moya (PWCC), 17 Nicolás Venegas (Stade Français), 18 José Tomás Munita (Universidad Católica), 19 Francisco Hurtado (Old Georgians), 20 Gustavo Carrasco (Old Boys), 21 Matías Contreras (Alumni), 22 Francisco Gonzalez (Sporting), 23 Beltrán Vergara (Old Boys).

 

Seleção P J V E D PP PC SP
Uruguai 9 3 3 0 0 135 43 92
Chile 4 3 1 1 1 102 66 36
Brasil 4 3 1 1 1 66 77 -11
Paraguai 0 3 0 0 3 43 160 -117

– Vitória = 3 pontos;
– Empate = 1 ponto;
– Derrota = 0 pontos;

– Os 2 primeiros colocados garantem vaga para enfrentar a Argentina na Sudamérica Rugby Cup de 2017

 
Foto: João Neto/Fotojump

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