Chegou fevereiro: é hora do Campeonato das Américas!

Contagem regressiva para o maior torneio da história da Seleção Brasileira de Rugby XV! O Americas Rugby Championship, ou Campeonato das Américas!

 

O anúncio no ano passado da criação de uma competição pan-americana de XV deu vida nova às perspectivas das principais seleções da região. Argentina, Estados Unidos, Canadá, Uruguai, Chile e Brasil se enfrentarão anualmente a partir de 2016, com as seis seleções confirmadas nas disputas por pelo menos cinco anos, sem alterações nos participantes (com o Paraguai ficando de fora, ao menos por enquanto). O torneio, agora organizado pela Panamerica Rugby, substitui a velha competição de mesmo nome, que era antes organizada diretamente pelo World Rugby, reunindo apenas equipes de desenvolvimento de Argentina, Estados Unidos, Canadá e Uruguai – e que teve os argentinos campeões em todos os anos, entre 2009 e 2014.

 

Todas as equipes se enfrentarão uma vez, com casa equipe jogando duas ou três partidas em casa, ao longo de cinco finais de semana consecutivos (no ano que vem, os mandos se inverterão). Tal situação exigirá demais dos elencos, não só pelo fato de serem jogos seguidos (diferente do Six Nations europeu, que tem cinco jogos ao longo de sete finais de semana), mas pelos deslocamentos de norte a sul no continente. E a competição tem múltiplas faces que devem ser entendidas.
 

Para Brasil e Chile, o torneio será uma prova de fogo, quase um ritual de sobrevivência para que, lá na frente, a maturidade conquistada com o torneio renda frutos. As duas seleções irão sofrer nos primeiros anos, mas conseguiram o que poucas seleções menores conseguem no mundo: chance de competir contra os melhores de seu continente.

 

Para o Uruguai, a situação é distinta. Acima de brasileiros e chilenos, os uruguaios conseguiram, enfim, uma competição que lhes permitirá seguir evoluindo. Os Teros, mais do que nunca, necessitavam de desafios maiores como esse, e conseguiram, podendo colocar em prática sua proposta de dois selecionados de alto rendimento. Apenas a se lamentar a ausência dos poucos, mas importantes, atletas uruguaios que atuam profissionalmente no exterior (como Ormaechea e Berchesi).

 

Estados Unidos e Canadá, por outro lado, têm uma situação levemente distinta. Há muito os dois países buscam um calendário que lhes permita sonhar alto, e os dois países tiveram em mãos a Copa das Nações do Pacífico, na qual enfrentavam anualmente Japão, Fiji, Samoa e Tonga. Mas, os custos de deslocamento e os problemas em adaptar o torneio ao calendário em junho, quando ainda realizam alguns amistosos, tanto Canadá como os Estados Unidos prefiram seguir recebendo seleções europeias (ou o Japão, que já confirmou amistosos na América do Norte em junho) com mais regularidade e fizeram com que uma opção mais barata, ainda com nível técnico inferior, dentro das Américas fosse priorizada. Tecnicamente, para estadunidenses e canadenses, o torneio não é um avanço, já que para tal abriram mão do campeonato do Pacífico – que não podia ser disputado em outra época do ano, por conta das necessidades e dificuldades das federações de Fiji, Samoa e Tonga. Porém, jogar em fevereiro e março permitirá em tese que EUA e Canadá usem atletas que atuam na Europa nos jogos mais difíceis. Com isso, a competição se tornou um laboratório efetivo para os dois países, antes do início da temporada do PRO Rugby. Contra brasileiros e chilenos, Eagles e Canucks testarão jovens promessas. Contra argentinos e uruguaios, prepararão seus elencos para desafios maiores.

 

E para a Argentina a competição tem um sentido simples e direto: os Jaguares, sua equipe do Super Rugby, precisam de profundidade no plantel, isto é, não basta o time do Super Rugby, é preciso uma equipe B, de desenvolvimento, ativa e com desafios, sobretudo para dar espaços para atletas recém saídos dos Pumitas, a seleção M20, ou mesmo ainda atuando por eles. Pablo Bouza, e não Daniel Hourcade, será o treinador do time, contando com três atletas do elenco dos Jaguares, Matías Orlando, Ramiro Moyano e Rodrigo Báez, somados à elite do rugby de clubes local.

 

O favoritismo argentino segue inegável, mesmo atuando com seu time de desenvolvimento. Entretanto, com os Estados Unidos devendo ir a campo com seleções próximas de seu ideal contra os argentinos, haverá competição, e não haverá a situação de “favas contadas”. O primeiro grande jogo já ocorre na primeira rodada, com os argentinos visitando os estadunidenses. Com a recente superioridade das Águias sobre os canadenses, o duelo da primeira rodada pode ser o mais equilibrado e tem tudo para ser decisivo. Trata-se do jogo mais complicado para a Argentina. Caso os estadunidenses saiam vitoriosos, o favoritismo ao título recairá por completo sobre eles, sobretudo por receberem os canadenses.As Águias terão a volta de Todd Clever e contarão com Ngwenya, Scully, Lamositele, Fry, Peterson e Dolan, que atuam no exterior, mas não contarão com nomes importante como MacGinty, Samu Manoa ou Wyles.

 

Os Canucks, por sua vez, foram prejudicados pela tabela, pois pegarão fora de casa os dois times mais fortes, e farão apenas duas partidas em casa, sendo uma delas contra o Brasil. O jogo contra o Uruguai, na abertura, também assume ares de decisão, pois a derrota é inaceitável para o lado canadenses, mas os uruguaios irão a campo com força máxima, enquanto os canadenses ainda buscam se adaptar ao novo técnico François Ratier e não contarão com seus principais nomes que atuam na Europa. Apenas Phil Mackenzie estará no elenco, que não terão homens como DTH van der Merwe, Jeff Hassler e Aaron Carpenter. Renovação, acima de tudo, mas muita dúvida, ainda mais com o Canadá hoje sendo a terceira potência do continente apenas, e não mais a segunda, como historicamente.

 

E para o Brasil? A tabela é favorável. Apesar do jogo que o Brasil mais tem chances de vitória ser fora de casa, contra o Chile, o fato do embate abrir o campeonato e o Chile viver uma crise institucional permite, ainda assim, ao Brasil sonhar, mesmo com o favoritismo sendo chileno. O jogo em casa contra o Uruguai na semana seguinte é igualmente positivo, pois condensa os dois jogos mais acessíveis para as duas primeiras semanas, o que significa que o Brasil poderá colocar o que tem de melhor em campo e ter menos chances de ser desfalcado por lesões. Para esses desafios, a convocação de Rodolfo Ambrosio deu a entender que o elenco que teremos é o mais forte possível, mesclando atletas experiência com talentos ascendentes e reforços vindos de fora do país.

 

Os jogos seguintes, contra adversários mais poderosos, servirão para dar experiência ao time, e a possibilidade de ter que rodar o elenco nas semanas seguintes não assusta, pois os objetivos são claros e mais realistas para os primeiros jogos. Caso o Brasil obtenha vitórias contra seus adversários mais familiares, os Tupis irão para os jogos mais complicados com vantagem moral.

 

A ESPN já confirmou a transmissão de todos os jogos em casa do Brasil, e outras partidas ainda deverão ser exibidas. Fique atento semanalmente à programação.

 

Então, que venham as emoções do novo rugby pan-americano! Bem-vindo, Campeonato das Américas.

 

americas rugby championship branco

Americas Rugby Championship 2016 – Campeonato das Américas

1ª rodada

Dia 06/02: Chile x Brasil, em Santiago
Dia 06/02: Canadá x Uruguai, em Langford
Dia 06/02: Estados Unidos x Argentina, em Houston

 

2ª rodada
Dia 12/02: Brasil x Uruguai, em Barueri
Dia 13/02: Argentina x Chile, em San Juan
Dia 13/02: Estados Unidos x Canadá, em Austin

 

3ª rodada

Dia 20/02: Estados Unidos x Chile, em Fort Lauderdale
Dia 20/02: Uruguai x Argentina, em Punta del Este
Dia 20/02: Canadá x Brasil, em Langford

 

4ª rodada

Dia 26/02: Argentina x Canadá, em Rosario
Dia 27/02: Brasil x Estados Unidos, em Barueri
Dia 27/02: Chile x Uruguai, em Santiago

 

5ª rodada

Dia 05/03: Uruguai x Estados Unidos, em Montevidéu
Dia 05/03: Brasil x Argentina, em São José dos Campos
Dia 05/03: Chile x Canadá, em Santiago

 

Foto: João Neto/Fotojump

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