Conheça o Rugby para Surdos e saiba por que não está nas Paralimpíadas

Durante os Jogos Paralímpicos, temos visto modalidades de todos os jeitos. Esportes para cegos, modalidades para pessoas com nanismo, deficiências motoras ou intelectuais. O rugby está contemplado com o Rugby em Cadeira de Rodas e o público no Rio de Janeiro vem comparecendo aos eventos, felizmente. Entretanto, um tipo específico de deficiência não é contemplada pelas Paralimpíadas: a surdez.

 

A incapacidade auditiva é sempre um tema à parte, uma vez que ela não acarreta qualquer tipo de comprometimento motor e tampouco requer qualquer adaptação nas regras de esportes convencionais. Para muitos, a surdez é entendida apenas como uma forma diferente de se relacionar com a linguagem, levando a formação de “culturas surdas” e identidades próprias, pelo uso distinto da linguagem. O esporte surdo também tomou um caminho próprio e possui sua própria olimpíada, a Surdolimpíada (ou, em inglês, “Deflympics”). Os Jogos Surdolímpicos são chancelados pelo Comitê Olímpico Internacional e estão entre os eventos esportivos mais antigos do mundo, criados em 1924, em Paris. Desde 1931, eles ocorrem nos anos ímpares, de quatro em quatro anos também, e a próxima edição será em 2017, em Samson, na Turquia. O Brasil participa das Surdolimpíadas desde a edição de 2009, em Taipé, Taiwan. Em 2013, os jogos ocorreram em Sofia, na Bulgária. Há também as Surdolimpíadas de Inverno, cuja próxima edição será em 2019, em Turim, na Itália.

 

Infelizmente, o rugby não é ainda modalidade oficial das Surdolimpíadas, mas o Rugby para Surdos existe e tem inclusive mundial próprio, com países como Inglaterra, Gales, Escócia, Irlanda, Nova Zelândia, Austrália, África do Sul e Argentina mantendo seleções ativas. Entretanto, engana-se quem acha que o Rugby para Surdos seja realmente uma modalidade à parte. Não. As regras não mudam, as seleções nacionais e algumas competições de clubes próprias para atletas surdos existem como forma de promover o esporte. Mas, muitos dos atletas das seleções atuam em clubes convencionais, jogando o ano todo normalmente com atletas que não têm problemas auditivos.

 

Neste ano, a Argentina recebeu em abril a Nova Zelândia para duas partidas entre seleções de surdos dos dois países. E teve até haka!

Foto: Josefina Carenzo – R.S.A Rugby Sordos Argentina

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