Com Copa de surpresas, como serão as Eliminatórias para o Mundial 2019?

A Copa do Mundo de 2015 está empolgante. Não da para exigir que o mundo do rugby fique de cabeça para baixo de uma hora para a outra, mas o Mundial da Inglaterra já nos brindou com algumas surpresas. Quem não tem ainda fresca na memória a histórica vitória do Japão sobre a África do Sul? Os japoneses ainda venceram Samoa, contra quem não eram favoritos antes do início da Copa. A Geórgia também atrapalhou alguns bolões ao derrotar Tonga, em partida que havia leve favoritismo para o lado do Pacífico Sul.

 

Os resultados modificaram a tendência dos últimos Mundiais. Desde 2003, quando a Copa do Mundo assumiu o atual formato, com 20 seleções divididas em 4 grupos de 5, e com (desde 2007) os 3 primeiros de cada grupo garantindo classificação para o Mundial seguinte, em todos os anos a mesma configuração de continentes representados entre os melhores do mundo foi registrada. Nos três torneios em questão (2003, 2007 e 2011), estiveram sempre entre os doze melhores seis seleções da Europa (sempre França, Inglaterra, Gales, Irlanda, Escócia e Itália), quatro seleções da Oceania (Nova Zelândia e Austrália em todas, e Fiji, Samoa e Tonga se revezando, com apenas uma delas ficando de fora dos doze melhores em cada edição), uma seleção da África (África do Sul, em todos os torneios) e uma seleção da América do Sul (Argentina, também em todos os torneios).

 

Tal configuração resultou na manutenção do mesmo sistema de eliminatórias, com a mesma divisão de vagas em todos os torneios: a Europa com duas vagas diretas, a África, a Ásia e a Oceania com uma vaga cada e as Américas com duas vagas (com América do Sul e América do Norte formando uma mesma zona), restando ainda uma última vaga decidida por Repescagem entre um time da Europa, um time das Américas, um time da África e um time da Ásia, totalizando oito vagas. A única variação coube às Américas, pois em 2003 as duas vagas foram decididas por um quadrangular final envolvendo Canadá, Estados Unidos, Uruguai e Chile, dando chances iguais a Norte e Sul, enquanto nos demais anos uma vaga fora assegurada à América do Norte, com o vencedor de um duelo entre Canadá e Estados Unidos se classificando, enquanto a outra vaga fora disputada entre o melhor time da América do Sul (em todos os anos, o Uruguai) e a segunda força da América do Norte.

 

Em 2015, a ordem de forças foi drasticamente alterada. Se não houver mais nenhuma grande mudança na atual classificação dos grupos, a Copa do Mundo deverá ter entre seus doze melhores times, já classificados para 2019, sete seleções da Europa (com a Geórgia entrando para o grupo), apenas duas da Oceania (com os fracassos de Fiji, Samoa e Tonga), uma da África, uma da América do Sul e uma (novidade) da Ásia.

 

Diante de tal situação, se o World Rugby mantiver a mesma distribuição de vagas por continente para 2019, teríamos a seguinte situação:

  • – Entre Fiji, Samoa e Tonga, apenas uma seleção se classificaria ao Mundial e duas ficariam de fora;
  • – Na Ásia, uma nova seleção garantiria classificação pela primeira vez na história. Seguindo o Ranking e os resultados recentes, provavelmente Hong Kong ou Coreia do Sul (foto);
  • – Na Europa, uma seleção a mais do Europeu de Nações se classificaria. Seguindo a tendência, a vaga deveria ficar entre Rússia, Espanha e Portugal, que disputaram o Mundial apenas uma vez cada;
  • – A Repescagem seria menos afetada e a equipe proveniente das Américas, que tende a ser o Uruguai, provavelmente seria favorita.

 

Em síntese, a Copa do Mundo trocaria Fiji, Samoa ou Tonga (dois deles) por Hong Kong ou Coreia do Sul em uma vaga, Rússia, Espanha ou Portugal na outra vaga. Será que isso ocorrerá?

 

Esta é uma belíssima questão que o World Rugby terá que responder. Se o critério for esportivo, seria muito ruim para a Copa do Mundo perder seleções do nível de tais equipes da Oceania e ter em seus lugares seleções muito mais fracas, que deverão fazer as diferenças dos placares entre as potências e as seleções menores – que caíram de 2011 para 2015 – voltarem a aumentar. Do ponto de vista comercial e político, entretanto, o World Rugby poderia ganhar com a saída das seleções de países nanicos e com a entrada de mercados consumidores muito mais interessantes à competição. Há que se ponderar, no entanto, que a presença de Fiji, Samoa e Tonga, apesar de não trazer consigo poderosos mercados, garante espetáculos de melhor qualidade, o que significa jogos mais atraentes para os torcedores, valorizando o torneio. Isto é, o aparente ganho econômico com a entrada de países ricos como Rússia, Coreia ou Espanha, onde, no entanto, o rugby é pequeno, poderia ter o efeito inverso, reduzindo o interesse da comunidade do rugby pelo potencial desnível das partidas. O dilema está dado, e vai além de justiça esportiva versus pragmatismo econômico.

 

Caso o World Rugby opte por fazer justiça ao nível de fijianos, samoanos e tonganeses, o formato das eliminatórias para 2019 deverá ser modificado sensivelmente. Como? Mudando a distribuição de vagas dos continentes simplesmente ou – o que eu pessoalmente prefiro – aumentando o Mundial para 24 seleções. Infelizmente, a expansão do número de equipes para 2019 é quase certo que não ocorrerá e, assim, a solução que restaria seria a mudança na distribuição das vagas. Uma possibilidade interessante nesse sentido seria aumentar o número de vagas disputadas via repescagens entre os continentes, criando mais vagas “indeterminadas”, que poderiam cair nas mãos de quaisquer continentes, fazendo justiça às seleções que de fato forem melhores, independente da região de origem. Torneios no modelo das anuais World Rugby Nations Cup e World Rugby Tbilisi Cup poderiam ser transformados em parte das eliminatórias, promovendo mais partidas intercontinentais ao longo dos próximos três anos.

 

A decisão está nas mãos do World Rugby, pois o problema Japão e Geórgia já criaram.

 

Clube P J V E D 4+ -7 PP PC SP
Grupo A
Austrália 17 4 4 0 0 1 0 141 35 106
Gales 13 4 3 0 1 1 0 111 67 44
Inglaterra 11 4 2 0 2 2 1 133 75 58
Fiji 5 4 1 0 3 1 0 84 101 -17
Uruguai 0 4 0 0 4 0 0 30 226 -196
Grupo B
África do Sul 16 4 3 0 1 3 1 176 56 120
Escócia 14 4 3 0 1 2 0 142 139 3
Japão 12 4 3 0 1 0 0 98 100 -2
Samoa 6 4 1 0 3 1 1 69 124 -55
Estados Unidos 0 4 0 0 4 0 0 50 156 -106
Grupo C
Nova Zelândia 19 4 4 0 0 3 0 174 49 125
Argentina 15 4 3 0 1 3 0 179 70 109
Geórgia 8 4 2 0 2 0 0 53 122 -69
Tonga 6 4 1 0 3 1 1 70 130 -60
Namíbia 1 4 0 0 4 0 1 70 174 -104
Grupo D
Irlanda 18 4 4 0 0 2 0 135 35 100
França 14 4 3 0 1 2 0 117 64 53
Itália 10 4 2 0 2 1 1 74 88 -14
Romênia 4 4 1 0 3 0 0 60 126 -66
Canadá 2 4 0 0 4 0 2 58 141 -83

Posição País
Nova Zelândia
Inglaterra
Austrália
Irlanda
Gales
África do Sul
Escócia
França
Argentina
10º Fiji
11º Japão
12º Geórgia
13º Itália
14º Tonga
15º Samoa
16º Romênia
17º Estados Unidos
18º Canadá
19º Rússia
20º Namíbia
21º Uruguai
22º Espanha
23º Quênia
24º Alemanha
25º Portugal
26º Bélgica
27º Hong Kong
28º Coreia do Sul
29º Chile
30º Holanda
31º República Tcheca
32º Polônia
33º Suíça
34º Moldávia
35º Ucrânia
36º Brasil
37º Zimbábue
38º Paraguai
39º Senegal
40º Sri Lanka
41º Tunísia
42º Cazaquistão
43º Colômbia
44º Uganda
45º Malta
46º Lituânia
47º Madagascar
48º Ilhas Cook
49º Trinidad e Tobago
50º Costa do Marfim

 

Foto: Hong Kong x Coreia do Sul – ARFU

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