De outro mundo: All Blacks dão verdadeira lição na França

ARTIGO COM VÍDEO – Uma surra inesquecível, para expurgar todos os fantasmas que tiraram o sono dos neozelandeses por anos em Mundiais. A Nova Zelândia não tomou conhecimento da França e se impôs na segunda partida das quartas de final da Copa do Mundo e anotou seu maior placar na história sobre os Bleus, 62 x 13, superando os 61 pontos que anotou na França em amistoso em 2007. Foi uma vitória categórica, a mais impressionante até aqui no Mundial, que deixou todas as demais seleções de cabelo em pé. Os All Blacks deram as caras e mostraram ser – até que alguém prove o contrário – os melhores do mundo e favoritos absolutos ao título. Adeus para Les Bleus – ou “Les Rouges”, que jogaram de vermelho e voltaram para casa com a mesma cor nos rostos, com a prova de que muito tem que mudar na seleção para que a poderosa França retome seu rumo.

 

O respeito da Nova Zelândia pela França é inequívoco, e isso se provou antes do apito inicial. Os All Blacks fizeram o haka Kapa O Pango, e em formação triângulo. Mais, impossível.

 

Com o apito inicial, o domínio desde o início foi completo a favor dos Homens de Preto, que controlaram a posse de bola e o território. Logo aos 6′, Dan Carter inaugurou o placar com penal preciso para a Nova Zelândia. Mas, o troco foi rápido, e com estilo, com Scott Spedding chutando penal de longa distância para os Bleus. Mas, a maré começou a virar contra os tricolores em um piscar de olhos. Aos 10′, Michalak tem chute bloqueado por Brodie Retallick, que corre livre para o primeiro try do jogo. No lance, Michalak ainda saiu lesionado e a França já via seus problemas se agravando.

 

Mesmo sem chegar concretamente ao campo de ataque, os franceses ainda conseguiram reduzir a diferença com penal chutado por Mogan Parra, aos 14′. E o mesmo Parra teve a chance de virar o marcador aos 17′, mas chutou para fora. Os Bleus, ainda assim pareciam entrar no jogo e, aos 22′, Dan Carter teve tentativa de drop goal bloqueada. E as semelhanças com os primeiro minutos da França ficaram só na aparência. Os All Blacks mantiveram a posse de bola e Milner-Skudder costurou a defesa em velocidade para cravar o segundo try neozelandês. 17 x 6.

 

E tinha ainda muito mais por vir pelos All Blacks. Aos 29′, Dan Carter se infiltrou em velocidade e serviu com um lindo passe reverso Julian Savea, que correu para o terceiro try diante de uma atônita França, completamente desestruturado em campo. O “catadão” francês, no entanto, ainda tinha algo a mostrar e foi para cima, com Parra conduzindo uma boa sequência de fases até Picamoles romper a defesa neozelandesa e marcar um batalhado try francês. Esperanças para os Bleus, mas por pouco tempo. A resposta foi para constranger qualquer torcedor. Ben Smith ganhou disputa aérea com Picamoles e a bola viajou até a ponta para Savea, que ao melhor estilo Jonah Lomu passou por cima de Nakaitaci, Spedding e Slimani para fazer o try que decretou o placar do primeiro tempo: 29 x 13. De tirar o chapéu e aplaudir de pé.

 

A França ainda começou o segundo tempo pressionando e movimentando a bola com velocidade no ataque, até perder um lateral a seu favor. O que parecia um esboço de melhora se deteriorou rapidamente aos 47′, quando Picamoles agrediu McCaw e recebeu amarelo. Com um homem a menos os Bleus foram soterrados em uma avalanche preta. Os All Blacks trabalharam a bola com maestria de mão em mão até, aos 50′, Kaino anotar mais um try neozelandês. O fim das chances franceses já era óbvio. Mas, o que viria pela frente era ainda pior.

 

Aos 59′, Julian Savea entrou para a história fazendo seu terceiro try no jogo e igualando a marca de Habana (2007) e Lomu (1999), recordistas de tries em um Mundial só, com 8, ampliando sua frente no torneio atual como o tryman de 2015. Aos 64′, foi a vez de Kieran Read cruzar o in-goal, após bela jogada de Faumuina. E ainda tinha tempo para mais, com Tawera Kerr-Barlow anotando mais dois tries, aos 68′ e aos 71′, atropelando a nocauteada França, que já não se encontrava mais em campo. 62 x 13, doídos no orgulho do XV de France.

 

A Nova Zelândia agora se prepara para o grande desafio das semifinais contra a África do Sul.

 

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Nova Zelândia 62 x 13 França, em Cardiff

Árbitro: Nigel Owens (Gales)

Assistentes: Jaco Peyper (África do Sul) e John Lacey (Irlanda) / TMO: Shaun Veldsman (África do Sul)

 

Nova Zelândia

Tries: Savea (3), Kerr-Barlow (2), Retallick, Milner-Skudder, Kaino, Savea e Read

Conversões: Carter (7)

Penais: Carter (1)

15 Ben Smith, 14 Nehe Milner-Skudder, 13 Conrad Smith, 12 Ma’a Nonu, 11 Julian Savea, 10 Daniel Carter, 9 Aaron Smith, 8 Kieran Read, 7 Richie McCaw (c), 6 Jerome Kaino, 5 Sam Whitelock, 4 Brodie Retallick, 3 Owen Franks, 2 Dane Coles, 1 Wyatt Crockett.

Suplentes: 16 Keven Mealamu, 17 Joe Moody, 18 Charlie Faumuina, 19 Victor Vito, 20 Sam Cane, 21 Tawera Kerr-Barlow, 22 Beauden Barrett, 23 Sonny Bill Williams.

 

França

Try: Picamoles

Conversões: Parra (1)

Penais: Spedding (1) e Parra (1)

15 Scott Spedding, 14 Noa Nakaitaci, 13 Alexandre Dumoulin, 12 Wesley Fofana, 11 Brice Dulin, 10 Frédéric Michalak, 9 Morgan Parra, 8 Louis Picamoles, 7 Bernard le Roux, 6 Thierry Dusautoir (c), 5 Yoann Maestri, 4 Pascal Papé, 3 Rabah Slimani, 2 Guilhem Guirado, 1 Eddy Ben Arous.

Suplentes: 16 Dimitri Szarzewski, 17 Vincent Debaty, 18 Nicolas Mas, 19 Damien Chouly, 20 Yannick Nyanga, 21 Rory Kockott, 22 Rémi Talès, 23 Mathieu Bastareaud.

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