Na sexta-feira conheceremos o terceiro colocado da Copa do Mundo

ARTIGO ATUALIZADO – O que você acha de uma decisão de terceiro lugar? A pergunta certamente passa pela cabeça de torcedores e jogadores quando sua equipe cai tão próxima de uma final e tem que disputar um jogo famoso pelo anticlímax entre duas equipes frustradas. Isso em qualquer esporte. Vale ou não vale? A resposta, no rugby, é: vale. Por quê? Porque todo jogo no rugby vale? Com certeza é esse um motivo. Porque a Copa do Mundo está acabando e logo mais vamos sentir saudade, então quanto mais jogo melhor? Claro! Mas, no caso específico de Argentina e África do Sul, o simbolismo é maior.

 

Nessa sexta-feira, dia 30, Springboks e Pumas entram em campo no Estádio Olímpico de Londres para decidirem o terceiro lugar da Copa do Mundo. Para a Argentina, certamente, a partida tem valor maior, pois a conquista da posição significaria igualar o melhor resultado da história do país, obtido em 2007. O feito seria enorme para uma equipe repleta de jovens atletas que ainda têm muito a crescer no rugby, sobretudo com a entrada do país no Super Rugby.

 

Para a África do Sul, um terceiro lugar de Mundial, em tese, representa pouco para a história do país, mas diante de uma temporada tão oscilante e ruim, marcado por duas das mais sentidas derrotas da história orgulhosa dos Springboks (contra os Pumas, em casa, no Rugby Championship, e contra o Japão, na Copa do Mundo), terminar o torneio em alta é uma forma de amenizar os pesadelos vividos. Para aumentar a importância da disputa, nunca na história os Springboks perderam três partidas em um mesmo Mundial. A equipe que já perdeu para o Japão certamente não quer voltar para casa com mais um marco negativo. Por outro lado, a partida ainda marca a despedida da seleção de um gênio do rugby sul-africano, Victor Matfield, que marcou época como um dos líderes da geraão campeã mundial em 2007. O “Albatroz” merece mais.

 

A Argentina irá para a partida com desfalques severos. Estarão de fora por lesões Juan Martín Hernández, Juan José Imhoff e Agustín Creevy, três atletas centrais para o técnico Daniel Hourcade. Marcelo Bosch, por sua vez, ficou de fora por opção do treinador, assim como Tuculet. Com isso, a linha argentina estará bastante alterada, com o jovem Moroni voltando à titularidade ao lado de Jerónimo de la Fuente (em dupla de centros que deverá ser vista no Super Rugby) e dos já experiente Lucas Amorosino e Horacio Agulla. A capitania da equipe caberá pela primeira vez a Nicolás Sánchez (maior pontuador do Mundial até aqui), com Tomás Cubelli sendo escolhido para a camisa 9 no posto de Landajo. No pack, Montoya ganhou a camisa 2 do capitão Creevy, enquanto Leguizamón retorna ao time, assumindo a camisa 8 de Senatore.

 

A África do Sul terá equipe praticamente completa, com a grande ausência ficando por conta de Fourie Du Preez, que dará lugar ao retorno de Ruan Pienaar à camisa 9. Victor Matfield, em sua última partida pelos Springboks, assume a titularidade às custas de Lod De Jager e capitaneará os auriverdes pela última vez. O jogo poderá ser ainda o último do treinador Heyneke Meyer no comando dos Springboks. Para apimentar ainda mais, se Handré Pollard fizer mais de 10 pontos a mais que Sánchez na partida terminará como o maior pontuador do Mundial, repetindo os feitos de Morné Steyn, em 2011, e Percy Montgomery, em 2007, ambos os artilheiros da Copa do Mundo e ambos sul-africanos igualmente. Já Bryan Habana segue atrás de superar a marca de Jonah Lomu como o maior anotador de tries da história dos Mundiais, precisando de apenas um try para isso.

 

Os pesados desfalques dos Pumas colocam leve favoritismo na partida para os Springboks. Porém, no momento, a ambição argentina parece maior que a ambição sul-africana, apesar dos verdes jogarem pela honra em muitas frentes. Se a Argentina perdeu a liderança de Creevy, a inteligência de Hernández e a velocidade e agressividade de seu back-three, que vinha sendo talvez o mais empolgante da Copa, a África do Sul perdeu o homem que a fez se reerguer das cinzas. O gênio de Du Preez poderá ser mais sentido pelos Boks do que todos os demais desfalques dos sul-americanos, pois ele foi instrumental na mudança tanto da inspiração como da produtividade dos Springboks depois da derrota contra o Japão.

 

A chave da partida passará antes pelo foco dos dois times, mas, esperando, como sempre se espera no rugby, que ambos coloquem seu máximo no gramado, o ponto central da partida estará na capacidade argentina de destruir a articulação entre os poderosos forwards sul-africanos e a linha, isto é, na capacidade de vencer o duelo do breakdown e exercer forte pressão sobre uma dupla que, quando jogou junta, não produziu: Pienaar e Pollard. Caso a África do Sul prevaleça no setor, Pienaar esteja bem e as formações funcionem – em especial o scrum, que sofreu no Rugby Championship contra “la bajadita”  – a África do Sul passa a ter a vantagem plena, por jogar quase completa. Se, no entanto, o volume de jogo pender a favor dos argentinos, a velocidade de sua linha – ainda que muito alterada – exercerá um ritmo de jogo que o cansado time sul-africano já mostrou que tem problemas em acompanhar.

 

Mudança de última hora

Nesta sexta-feira, foi anunciado o corte do pilar argentino Marcos Ayerza por lesão. Com isso, Juan Figallo será elevado a titular e Santiago Garcia Botta, que viajou hoje mesmo à Inglaterra, entrará na reserva.

 

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18h00 – África do Sul x Argentina, no Estádio Olímpico, Londres – AO VIVO NA ESPN

Árbitro: John Lacey (Irlanda)

Assistentes: Chris Pollock (Nova Zelândia) e Glen Jackson (Nova Zelândia) / TMO: Graham Hughes (Inglaterra)

 

África do Sul: 15 Willie le Roux, 14 JP Pietersen, 13 Jesse Kriel, 12 Damian de Allende, 11 Bryan Habana, 10 Handre Pollard, 9 Ruan Pienaar, 8 Duane Vermeulen, 7 Schalk Burger, 6 Francois Louw, 5 Victor Matfield (c), 4 Eben Etzebeth, 3 Frans Malherbe, 2 Bismarck du Plessis, 1 Tendai Mtawarira.

Suplentes: 16 Adriaan Strauss, 17 Trevor Nyakane, 18 Jannie du Plessis, 19 Lodewyk de Jager, 20 Willem Alberts, 21 Rudy Paige, 22 Pat Lambie, 23 Jan Serfontein.

 

Argentina: 15 Lucas Gonzalez Amorosino, 14 Santiago Cordero, 13 Matias Moroni, 12 Jerónimo De La Fuente, 11 Horacio Agulla, 10 Nicolás Sánchez (c), 9 Tomas Cubelli, 8 Juan Manuel Leguizamón, 7 Juan Martin Fernandez Lobbe, 6 Javier Ortega Desio, 5 Tomas Lavanini, 4 Matias Alemanno, 3 Ramiro Herrera, 2 Julian Montoya, 1 Juan Figallo.

Suplentes: 16 Lucas Noguera, 17 Juan Pablo Orlandi, 18 Santiago Garcia Botta, 19 Guido Petti, 20 Facundo Isa, 21 Martin Landajo, 22 Santiago Gonzalez Iglesias, 23 Juan Pablo Socino.

 

Histórico: 21 jogos, 19 vitórias da África do Sul, 1 empate e 1 vitória da Argentina. Último jogo: Argentina 12 x 26 África do Sul.

 

*Horário de Brasília

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