O XV da Rosa vive o seu 7 a 1

Primeiro artigo de nosso correspondente internacional Diego Gutierrez, que acaba de chegar à Inglaterra para o Mundial. Ele viveu o dia de luto dos ingleses em derrota para a Austrália e nos brindou com uma crônica da experiência.

 

A atuação do selecionado Inglês na Copa do Mundo disputada em casa já era motivo de angustia há muito tempo, depois que os grupos foram divididos e o time de Branco ficou na chave mais difícil a tensão aumentou um pouco, e após a derrota para Gales evoluiu para uma verdadeira histeria.

 

Nos jornais ingleses da véspera a partida contra a Austrália era tratada como evento capital, a rosa deveria vencer ou sofrer o seu maior vexa em copas do mundo, se tornando o primeiro anfitrião a não se classificar, além de perder uma importante chance de ser campeão em casa.

 

Os jogadores definiam a partida de forma unanime, esse é o jogo mais importante de suas carreiras, não havendo antes ou depois, o time tinha de dar tudo em campo, e sair com uma vitória. Os fãs ingleses, quando confrontados pelos inúmeros torcedores estrangeiros com a pergunta capital, quem venceria a partida, se limitavam a um sorriso amarelo e uma resposta neutra, do tipo: vai ser um grande jogo, o melhor time vai vencer e etc. Na noite da partida os Pubs lotaram, com todas as TVs sintonizadas na partida e um suspense no ar.

 

Para ver o jogo escolhi um Pub perto do hotel, sem uma razão especial, um bar aleatório no subúrbio de Londres. O lugar como era de se esperar estava lotado de torcedores ingleses, e um pequeno grupo de australianos, que acabaria por fazer muito barulho. A torcida, mesmo não estando no estádio fez o seu papel, cantou com os jogadores o hino God Save the Queen e junto com a torcida o hino semi-oficial do rugby inglês a Swing Low, Sweet Chariot.

 

Todo o apoio de uma nação, porém não bastaria para impulsionar o time, que no geral não jogou bem, mas manteve a torcida esperançosa até o cartão amarelo de Owen Farrell, aos 31’ do segundo tempo, depois dai nem o mais otimista dos torcedores podia acreditar na vitória. Quando centro Matt Giteau fez o try final da partida encerrando o jogo os australianos cantavam a todo pulmão e o bar ficava estranhamente vazio, com algumas pessoas indo fumar, outras no banheiro ou apenas se distanciando da TV.

 

Pode não ser o fim do mundo, mas certamente parece, segundo as reportagens e comentários, ou como colocou ironicamente um torcedor, a Inglaterra talvez precise de outra copa na Austrália, em alusão a edição de 2003 disputada na terra dos cangurus e vencida pelos ingleses, que bateram os anfitriões na final.

 

 

Texto: Diego Gutierrez

Foto: Paul Gilham/Getty Images)

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