Prévia da Copa: Fiji, nas sombras do sevens e no olho do furacão

fiji copy Fiji

Apelido: Flying Fijians (Fijianos Voadores)

População: 950.000

Capital: Suva

Continente: Oceania

Principais títulos: Pacific Tri Nations (9 vezes) e Copa das Nações do Pacífico (2013)

Mundiais disputados: 6 (1987, 1991, 1999, 2003, 2007 e 2011)

Melhor campanha em Mundiais: Quartas de final (1987 e 2007)

Copa do Mundo de 2011: 4º lugar na fase de grupos

Caminho para o Mundial 2015:

28/06/2014 – Fiji 108 x 06 Ilhas Cook

Técnico de 2015: John McKee

2015: Grupo A

18/09 – x Inglaterra – Histórico: 5 jogos, 5 derrotas. Último jogo: Inglaterra 54 x 12 Fiji, em 2012 (amistoso);

23/09 – x Austrália – Histórico: 19 jogos, 16 derrotas, 2 vitórias e 1 empate. Último jogo: Austrália 49 x 3 Fiji, em 2009 (amistoso);

01/10 – x Gales – Histórico: 10 jogos, 1 vitórias, 8 derrotas e 1 empate. Último jogo: Gales 17 x 13 Fiji, em 2014 (amistoso);

06/10 – x Uruguai – Histórico: 1 jogo, 1 vitória. Fiji 39 x 24 Uruguai, em 1999 (amistoso).

 

Tradição e qualidade não faltam a Fiji, mas seu grupo é um verdadeiro pesadelo. Os fijianos lamentam até hoje a derrota para Samoa na última Copa do Mundo, que os jogou para o quarto lugar em seu grupo e, por consequência, também lhes tirou a classificação direta à Copa do Mundo de 2015. Com isso, Fiji teve que passar por uma facílima eliminatória, que teve apenas um jogo contra as Ilhas Cook e nada mais. O problema para os fijianos estava no sorteio dos grupos, pois certamente teriam pela frente três seleções de peso. E o sorteio foi cruel, colocando Fiji contra Inglaterra, Austrália e Gales, o que significa que as chances dos fijianos acabarem em quarto lugar no grupo são enormes.

 

Fiji é famoso por sua brilhante seleção de sevens, bicampeã da Copa do Mundo e da Série Mundial, incluindo o título da última temporada. E também por sua dança de guerra, o Cibi, que é apresentado antes dos jogos de XV desde 1939. O rugby sevens é jogado em todas as partes do país e é, sem dúvida, a modalidade pela qual o país é reconhecido internacional e na qual se identifica como nação esportiva. A habilidade – e mesmo irreverência – com a bola em mãos, sempre com ousadia – e certa dose de irresponsabilidade – marcam o estilo fijiano de jogar, pelo qual sua seleção ganhou o apelido de Fijianos Voadores. A categoria com a bola em mãos se alia ao físico sempre invejável de seus atletas, atléticos e fortes, que formam uma seleção poderoso no sevens – e que poderia ser ainda mais forte se não fosse a permanente instabilidade política de sua federação e de seu governo nacional. Entretanto, a história do XV fijiano não é nada fraca, muito pelo contrário. Em 1952, a então desconhecida seleção do país assombrou o mundo ao vencer a Austrália Os anos 50 seguiram brilhantes, com vitórias sobre equipes neozelandesas e mais um triunfo sobre os Wallabies, em 1954. A fama já havia tomado o mundo e Fiji passou a jogar também na Europa, atraindo as atenções em 1970 ao atropelar os Barbarians por 29 x 9 e, em 1974, Fiji deixou escapar uma histórica vitória sobre os All Blacks no último minuto, com vitória da Nova Zelândia por 14 x 13. A apoteose veio em 1977, quando os fijianos derrotaram ninguém menos que os British and Irish Lions por 25 x 21, em jogo que inspirou o então jovem Waisale Serevi, ainda criança, a virar jogador de rugby e, posteriormente, se tornar o maior jogador da história do sevens, nos anos 90 e 2000.

 

Com o advento da Copa do Mundo, Fiji voltou à cena alcançando as quartas de final no primeiro Mundial, em 1987, após vitória sobre a Argentina na primeira fase, antes de cair diante da França. Os anos 90, por outro lado, foram de agonia para o XV do país, que perdeu todos os seus jogos em 1991 e não conseguiu classificação para 1995.  A volta à evidência veio em 1999, mas custou até 2007 para Fiji retornar às quartas de final, após uma histórica vitória em Cardiff sobre Gales por 38 x 34. Durante a era profissional, Fiji passou a sofrer um problema que vem progressivamente se tornando pior: a ausência de bons nomes da seleção. O êxodo de jogadores fijianos para o exterior vem sendo positivo, por um lado, pois permite a evolução dos atletas, mas ruim por outros dois aspectos: primeiramente, muitos bons nomes do país, já há um bom tempo, são naturalizados para defenderem seleções de outros países, como é o caso do célebre All Black Joe Rokocoko, e atualmente de Noa Nakaitaci, que defende a França, e Semesa Rokoduguni, que joga pela Inglaterra – e poderá enfrentar seu país natal na Copa do Mundo. A outra questão são as graves acusações de pressão que clubes europeus fazem sobre atletas de países mais pobres para não jogarem por suas seleções. A questão não interferiu em 2015 na convocação de Fiji para a Copa do Mundo, mas em outros anos prejudicou a escalação da equipe para amistosos importante que, na ausência de Fiji em uma competição grande como Six Nations ou Rugby Championship, seriam preciosos na montagem da equipe para o Mundial.

 

A influência do sevens é notável na formação de atletas no país. A histórica deficiência de seu XV está no pack de forwards, sobretudo na primeira linha, em oposição à quantidade de jogadores de linha fabulosos e atuando em grandes clubes do mundo. Em 2015, o sintoma é o mesmo. Enquanto entre os centros, pontas e fullbacks todos os atletas se destacam no Super Rugby, Top 14 francês ou Premiership inglesa, o nível cai nos forwards. Na primeira linha, Fiji não conta com nenhum atleta nas grandes ligas do mundo, ao passo que a qualidade retornando apenas na segunda e terceira linhas. A melhora vem na segunda linha com Nakarawa, forte e finalizador, do Glasgow, e Nakaitini, do Agen, mas que não resolvem por completo a deficiência nas formações, enquanto a terceira linha promete muita força nos rucks e deve garantir alguns preciosos turnovers, com o capitão Akapusi Qera, do Montpellier, ao lado de Waqaniburotu, do Brive. Porém, apesar de alguns bons nomes, Fiji estará decerto inferiorizado em todos os aspectos no pack diante de Austrália, Inglaterra e Gales, e mesmo contra o Uruguai enfrentará dificuldades, não sendo surpresa se seu scrum não resistir à pressão dos Teros. Para piorar, a indisciplina é um problema crônico da equipe, que costuma levar muitos cartões amarelos.

 

As posições de scrum-half e abertura também vinham sendo problemáticas recentemente, sobretudo pela má qualidade de seus chutadores, mas bons valores foram encontrados, com Matawalu, ex-Glasgow, de transferência para o Bath, para a camisa 9, e Matavesi, do Ospreys, além do jovem e promissor Volavola, agora no Waratahs, para a 10, trazendo boas perspectivas nessas posições.

 

Para selecionar os jogadores de 11 a 15, o técnico neozelandês John McKee terá ótimos problemas a resolver, com uma lista interminável – e em sua maioria disponível para o Mundial – de opções. Nos centros, Fiji tem Botia, do La Rochelle, ex-capitão do sevens, Lovobalavu, do Bayonne, e Tikoroituma, ex-Chiefs, agora no London Irish. Nas pontas, os alvinegros são estrelados, com o experiente Nalaga, ex-Clermont e Force, hoje no Lyon, Goneva, sempre demolidor, do Leicester Tigers, a máquina de fazer tries Nadolo, do Crusaders, e os velozes Masilevu, do Brive, e Nayacalevu, do Stade Français; e para a camisa 15 os fijianos têm Murimurivalu, do Brive, Talebula, artilheiro da Copa do Mundo de Sevens de 2013, e hoje no Bordeaux. Timoci Nagusa, por lesão, é o único grande desfalque, mas as peças de reposição são inúmeras. Se nos forwards Fiji terá grandes dificuldades contra seus oponentes, na linha pode se orgulhar de que não ficará devendo a ninguém. Mais uma vez, Fiji terá que apostar na inspiração com a bola em mãos para arrancar alguma surpresa no torneio. O problema, antes de mais nada, é fazer a bola chegar a seus backs antes que o placar tenha degringolado.

 

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