Prévia da Copa: Gales, em busca do cálice sagrado

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Símbolo: Dragão

População: 3.100.000

Capital: Cardiff

Continente: Europa

Principais títulos: Six Nations (26 vezes)

Mundiais disputados: Todos

Melhor campanha em Mundiais: 3º lugar (1987)

Copa do Mundo de 2011: 4º lugar

Caminho para o Mundial 2015: Classificada antecipadamente como uma das 12 melhores da Copa do Mundo de 2011

Técnico de 2015: Warren Gatland

2015: Grupo A

20/09 – x Uruguai – Histórico: nunca se enfrentaram;

26/09 – x Inglaterra – Histórico: 126 jogos, 56 vitórias de Gales, 58 vitórias da Inglaterra e 12 empates. Último jogo: Gales 16 x 21 Inglaterra, em 2015 (Six Nations);

01/10 – x Fiji – Histórico: 10 jogos, 8 vitórias, 1 derrota e 1 empate. Último jogo: Gales 17 x 13 Fiji, em 2014 (amistoso);

10/10 – x Austrália – Histórico: 38 jogos, 10 vitórias, 27 derrotas e 1 empate. Último jogo: Gales 28 x 33 Austrália, em 2014 (amistoso);

 

Hora de um dos países sede da Copa do Mundo. Você pode até ter esquecido, mas o torcedor galês não: Gales é um dos países anfitriões do Mundial de 2015, com sua capital, Cardiff, recebendo dois dos quatro jogos de Gales na primeira fase (os menos complicados, contra Uruguai e Fiji). É uma leve vantagem que o Dragão tem diante de outras equipes do torneio, sobretudo porque a proximidade com a Inglaterra e a colônia galesa em terra anglo-saxã garantirá sempre uma massa de torcedores vermelhos em quaisquer jogos.

 

Gales é uma verdadeira terra do rugby, uma nação que se expressa por meio da ovalada desde o fim do século retrasado e tem no rugby seu esporte mais bem sucedido. Foi ainda no século XIX que a revolução do rugby galês começou, com o esporte tomando o rumo inverso do rugby union inglês, tornando-se um esporte do povo, marca do operário e do minerador dos vales do sul do país, onde as minas de carvão e as siderúrgicas dominaram a paisagem e produziram um crescimento urbano e populacional sem precedentes no fim do século XIX. Foi em meio a esse fluxo populacional que o operariado galês encontrou no rugby seu passatempo – e sua forma de derrotar no esporte os ingleses.

 

Mas, não foi apenas o fato da popularidade imensa do rugby que notabilizou Gales na virada do século. Foram também suas conquistas e inovações. Entre 1893 e 1911, Gales conquista seis títulos europeus, e em suas fileiras estava aquele que é considerado o primeiro astro do rugby internacional, Arthur Gould e Frank Hancock, considerado o primeiro genuíno centro do rugby internacional. É essa geração brilhante da seleção galesa, bem como do Cardiff e do Newport, que mudou o paradigma tático do jogo de rugby, adicionando um quarto atleta na linha, que garantiria o jogo em velocidade. Nas décadas seguintes, o rugby galês se tornou uma máquina criadora de lendas e ganhadora de títulos. Em 1953, pela última vez Gales derrotou os All Blacks, com lendas como Cliff Morgan, Bleddyn Williams, John Gwillian e Ken Jones. Já nos anos 60 e 70 Gales faturou nada menos que oito títulos do Five Nations e deu ao mundo nomes como Gareth Edwards, Barry John, Phil Bennett, JPR Williams, JJ Williams, Gerald Davies e John Dawes, todos no Hall da Fama do World Rugby, e com destaque. Para muitos, essa geração, que ainda foi base para as equipes vitoriosas dos Lions de 1971 e 1974, é considerada por muitos uma “campeã mundial sem título”. Entretanto, Gales dos anos 60 e 70 não venceu Nova Zelândia e África do Sul, o que coloca uma dúvida sobre tal afirmação, não obstante a qualidade inquestionável de seus selecionados.

 

O rugby galês declinou nos anos 80 e 90, quando a Copa do Mundo teve início, mas ainda conseguiu alguns lampejos, como seu melhor resultado em Mundiais, conquistado logo em 87: o terceiro lugar, para alguns até inesperado naquele momento, pois Gales não vencia o Five Nations desde 1979. Os anos seguintes foram problemáticos, com Gales caindo diante de Samoa em Cardiff na Copa do Mundo de 1991, considerado naquele momento uma das maiores zebras da história do rugby, com os galeses se despedindo logo na primeira fase. Em 1995, Gales voltou a decepcionar e novamente sequer chegou ao mata-mata, perdendo para Irlanda e Austrália. Somente em 1999 os galeses receberam o Mundial e voltaram a perder em casa para Samoa, mas uma vitória sobre a Argentina os recolocou nas quartas de final, quando perderam para a Austrália. Foi apenas em 2003 que Gales voltou a brilhar em Mundiais, fazendo uma partida memorável contra os All Blacks na primeira fase, apesar da derrota, para cair nas quartas contra a Inglaterra em outro belo jogo. O renascimento dos Dragões veio com o título e o Grand Slam do Six Nations de 2005, liderados por Martyn Williams, Shane Williams, Stephen Jones, entre outros. Em 2007, a decepção novamente veio com derrota para Fiji e eliminação ainda na primeira fase, o que se provaria apenas um tropeço no trabalho de reconstrução do rugby galês, que voltaria a ganhar o Grand Slam do Six Nations em 2008, já sob o comando do técnico neozelandês Warren Gatland. Em 2011, Gales, enfim, foi destaque na Copa do Mundo, sob a liderança do jovem inspirador e trágico capitão Sam Warburton, que conduziu os vermelhos às semifinais novamente, despachando a Irlanda nas quartas, para depois caíram contra a conturbada França nas semifinais, com Warburton recebendo cartão vermelho por tackle perigoso ainda no primeiro tempo, em um dos momentos que marcaram a história dos Mundiais. Gales acabaria com o quarto lugar, após perder para a Austrália, mas a jovem geração de 2011 ganhou a confiança e o calejo de um time vencedor. Em 2012, veio mais um Grand Slam do Six Nations, com o título europeu sendo novamente ganho em 2013, tornando Gales o maior campeão da história do Six Nations (incluindo os títulos das eras do Home Nations e do Five Nations), com nada menos que 26 taças.

 

O time de Gatland chega a 2015 amadurecido e talvez com as mais altas expectativas que uma seleção galesa já teve em Mundiais. Isso porque é inegável que o treinador neozelandês e a geração revelada nesta década recolocaram Gales no patamar de protagonista do rugby mundial condizente com sua história. O azar está no grupo, certamente o mais difícil do Mundial, e que pode resultar em mais uma eliminação galesa na primeira fase de uma Copa, o que seria injusto com a qualidade do atual elenco. Mas, pela frente estão Inglaterra, Austrália e Fiji, além do Uruguai. Fiji, apesar de já ter derrubado Gales em um Mundial – e, por isso, é certamente motivo de grande preocupação, ainda mais após as boas atuações fijianas na Copa das Nações do Pacífico – não deverá terminar a primeira fase entre os classificados, e será o fiel da balança entre australianos, ingleses e galeses, já que quem perder pontos para os fijianos deverá ser condenado à eliminação. Já entre Gales, Austrália e Inglaterra o equilíbrio é abismal, e qualquer um dos três poderá ser eliminado na fase de grupos. Nos confrontos diretos, Gales tem desvantagem histórica contra a Austrália, tendo sido derrotado nos últimos dez confrontos (o último em 2014), e um empate técnico contra a Inglaterra – os ingleses venceram somente dois jogos a mais até o presente, e a diferença esteve em 2015 e 2014, com a Inglaterra desempatando o histórico com duas vitórias nos dois últimos confrontos pelo Six Nations. A última vitória inglesa, inclusive, 21 x 16 em Cardiff, foi um duro golpe às pretensões de título continental para os galeses, acontecendo logo na abertura do torneio, quando a Inglaterra, cheia de desfalques, virou o jogo após sair perdendo por 10 x 0. Entretanto, os galeses reagiram vencendo a Irlanda e lutaram até o fim pelo título, deixando-o escapar apenas pelo saldo de pontos – superior para os irlandeses.

 

Gales conta com uma espinha dorsal fora de série, que tem um hooker excelente em Richard Hibbard, Alun Wyn Jones na segunda linha na melhor forma de sua carreira, e uma terceira linha fora de série com Sam Waburton e Toby Faletau. Em 2011, a falta de uma dupla de camisas 9 e 10 se sobressaindo foi sentida, mas em 2015 Gales, enfim, parece ter encontrado seus homens, com Rhys Webb destilando muita qualidade como scrum-half e Dan Biggar, apesar de ainda não ser o abertura que encha os olhos, ganhando confiança com a 10 – tendo como sombra Gareth Anscombe, neozelandês recém convocado para a equipe. E a linha dispensa comentários, apesar da baixa do lesionado Jonathan Davies, com jogadores da qualidade de Leigh Halfpenny, Goerge North, Jamie Roberts, Alex Cuthbert, Liam e Scott Williams. É no poderoso breakdown, em sua capacidade de ganhar turnovers e no jogo aberto que Gales encontra suas mais letais armas, enquanto seu scrum ainda preocupa, tendo sofrido contra Inglaterra e Irlanda no Six Nations. Força Gales tem, é inegável, não apenas para avançar de fase como para retornar a uma semifinal. Caso os vermelhos passem por ingleses e Wallabies, a equipe chegará psicologicamente fortalecida para o mata-mata, sobretudo pelos fantasmas da primeira fase sendo expurgados, mas certamente – e isso é válido para qualquer time do Grupo A – a condição física não será a mesma de outros favoritos do Mundial, dada a intensidade com que as partidas desse grupo da morte serão jogadas.

 

Em 2015 Gales terá uma cruel prova física e mental, da qual poderá emergir tanto no caminho de uma nova era dourada como diante de outra decepção. A sorte está lançada e o imponderável espreita, assusta e estimula os Dragões, com seu tão sonhado cálice sagrado, a Taça Webb Ellis, merecido pela história do rugby do principado, nos sonhos de uma brilhante geração.

 

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