Prévia da Copa: Irlanda, forte contra a sina das quartas de final

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Irlanda Irlanda do Norte

Símbolo: Trevo

População: 4.600.000 (República da Irlanda) e 1.850.000 (Irlanda do Norte) – 6.450.000 total

Capital: Dublin (República da Irlanda) e Belfast (Irlanda do Norte)

Continente: Europa

Principais títulos: Six Nations (12 vezes)

Mundiais disputados: Todos

Melhor campanha em Mundiais: Quartas de final (1987, 1991, 1995, 2003 e 2011)

Copa do Mundo de 2011: Quartas de final

Caminho para o Mundial 2015: Classificada antecipadamente como uma das 12 melhores da Copa do Mundo de 2011

Técnico de 2015: Joe Schmidt

2015: Grupo D

19/09 – x Canadá – Histórico: 6 jogos, 5 vitórias e 1 derrota. Último jogo: Canadá 14 x 40 Irlanda, em 2013 (amistoso);

27/09 – x Romênia – Histórico: 8 jogos, 8 vitórias. Último jogo: Irlanda 43 x 12 Romênia, em 2005 (amistoso);

04/10 – x Itália – Histórico: 24 jogo, 20 vitórias e 4 derrotas. Último jogo: Itália 3 x 26 Irlanda, em 2015 (Six Nations);

11/10 – x França – Histórico: 93 jogos, 31 vitórias, 55 derrotas e 7 empates. Último jogo: Irlanda 18 x 11 França, em 2015 (Six Nations);

 

Campeã europeia, mas jamais uma da quatro melhores seleções do mundo. Essa é a Irlanda, que chega com pinta de uma das favoritas à Copa do Mundo de 2015, mas que tem ainda muito a provar dentro de campo.

 

A história do rugby irlandês é marcada por grandes atletas, mas poucos resultados. Os irlandeses foram por muitos anos os donos da colher de pau, primeiro do velho Home Nations (torneio de Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda), depois do Five Nations (após entrada da França). Antes do rugby virar profissional, em 1995, a Irlanda colecionava embaraçosas 36 colheres de pau, o “prêmio” simbólico dado ao último colocado da competição europeia. Mais do que qualquer outra seleção. E, no currículo, somente dez títulos e um mísero Grand Slam, menos do que qualquer outro time. Foram penosos 24 anos sem títulos entre 1985 e 2009, quando a brilhante geração de Brian O’Driscoll, Paul O’Connell, Ronan O’Gara & cia quebrou o jejum, repetindo a conquista em 2014 e 2015. Pela primeira vez desde 1948-49 (quando o Trevo era liderado pelo mítico Jack Kyle) os irlandeses conseguiram comemorar dois títulos consecutivos, criando uma situação ímpar para a próxima Copa do Mundo.

 

Foi somente com o profissionalismo que a sorte do rugby irlandês mudou. O sistema de quatro seleções provinciais transformadas em equipes profissionais se provou um imenso sucesso, com os irlandeses dominando a Liga Celta (PRO12) e mostrando sua força no cenário europeu. Foram nada menos que seis títulos da Copa Europeia (ex Heineken Cup, atual Champions Cup), entre a conquista do Ulster, de David Humphreys, em 1999, festejada na época como o fim do jejum do rugby irlandês como um todo, e 2012, quando o Leinster foi coroado pela terceira vez campeão europeu, liderado por nomes como Jonny Sexton, Rob Kearney, Cian Healy, Jamie Heaslip e Sean O’Brien, entre outros da seleção irlandesa, assim como o ex All Black Brad Thorn.

 

Se no Six Nations e nas copas europeias de clubes a Irlanda já virou protagonista, resta o mesmo ocorrer na Copa do Mundo. Em 1987, a Irlanda caiu nas quartas de final diante da Austrália, e o mesmo se repetiu em 1991, mas de forma melancólica. Nos instantes finais daquelas quartas de final, jogada em Dublin, Gordon Hamilton anotou o try que daria a vitória aos irlandeses, porém, com uma última bola em mãos, os Wallabies calaram Lansdowne Road com o try salvador de Michael Lynagh. Em 1995, a França despachou o Trevo na mesma fase, enquanto em 1999 foi a vez da Argentina impedir a Irlanda de sequer alcançar as quartas, mesmo com o lendário e futuro melhor do mundo Keith Wood liderando o time. Nasceu uma rivalidade que teria sequência nos Mundiais seguintes, com a Irlanda batendo os Pumas em 2003 na primeira fase, apenas para cair nas quartas, outra vez, contra a França, enquanto em 2003 novamente Los Pumas e Les Bleus se puseram no caminho dos verdes, com a Irlanda ainda outra vez diante dos mesmos carrascos e sendo eliminada na primeira fase. Tudo parecia mudar em 2011. A Irlanda expurgou seus insucessos conta a Austrália vencendo os Wallabies categoricamente, então campeã do Tri Nations, para avançar pela primeira vez na história como campeã de seu grupo. Mas, nas quartas de final veio Gales e a Irlanda voltou a lamentar outra jornada de insucessos e a semifinal, como sempre, seguiu inacessível, apesar dos brilhantes nomes em seu elenco.

 

Em 2015, o mago O’Driscoll não está mais no grupo, e um de seus históricos carrascos está novamente no caminho da Irlanda. É a imprevisível França que, mesmo em má fase, deixa o torcedor do Trevo ressabiado. Ainda no Grupo D, a Itália, em crise, aparece como a segunda ameaça, ao passo que Romênia e Canadá dificilmente irão causar problemas aos verdes. Em 2015, a Irlanda venceu tanto Itália como França, apesar de ainda ter fresca na memória a derrota para os italianos de 2013. Contra os Bleus, contudo, a confiança se construiu nos últimos anos, com a Irlanda se mantendo invicta contra a França desde 2011. Nunca antes as chances da Irlanda terminar em primeiro lugar no grupo foram tão grandes. Porém, diferente de 2011, quando o favoritismo do grupo era australiano, a Irlanda terá que lidar com algo novo: a pressão do favoritismo, construído graças aos últimos títulos europeus.

 

Mentalmente, a Irlanda parece mais forte que nunca. A aposentadoria de O’Driscoll não impediu os irlandeses de voltarem levantar a taça do Six Nations, dando a volta por cima na dramática rodada final para deixar ingleses e galeses para trás. Antes, nos amistosos de 2014, os irlandeses já haviam provado que não irão à Inglaterra para passear, despachando os Springboks, os Wallabies e os Pumas. Joe Schmidt, técnico neozelandês dos irlandeses, é um general de vitórias, certamente um dos treinadores mais inteligentes do rugby mundial, famoso por conseguir fazer suas equipes colocarem os oponentes sob constante pressão em seus pontos de debilidade. Schmidt trabalha seus times para jogarem de forma agressiva defensivamente e levarem seus adversários aos erros e à exposição aos contra-ataques. Com a Irlanda atual, Schimidt consegue aplicar suas estratégias graças a uma talentosa terceira linha, certamente uma das melhores do mundo. Jamie Heaslip, Sean O’Brien, Peter O’Mahony e Chris Henry fizeram suas famas no rugby europeu como contumazes garantidores de turnovers, mas constantes lesões colocam um ponta de dúvidas nas máquinas do breakdown irlandês.

 

A segunda linha também é de extrema qualidade, com o líder e incansável Paul O’Connell, enquanto Cian Healy e Rory Best seguem poderosas armas na primeira linha. A defesa é, sem dúvidas, um ponto forte da Irlanda, mas as atenções também se volta a uma das mais sólidas duplas de camisas 9 e 10, Conor MuRray e Jonny Sexton, que deverãO alimentar com qualidade sua linha, que mescla nomes experientes, como Gordon D’Arcy, Tommy Bowe e Rob Kearney, com estrelas ascendentes, como Gilroy e Zebo. Talvez algumas fragilidades possam ser identificadas atrás, assim como no lateral, formação que se provou deficiente na única derrota irlandesa em 2015, contra Gales, mas não seria excessivo dizer que a Irlanda só teme os All Blacks no Mundial.

 

Caso os irlandeses avancem com o primeiro lugar do grupo, a chance é imensa de pegarem nas quartas a Argentina, revivendo a rivalidades de Mundiais construídas entre os dois lados, e que ainda pende a favor dos Pumas. Para a Irlanda, se a vitória sobre a França vier, bater a Argentina seria mais uma prova de que os fantasmas estão sendo definitivamente afastados e o paraíso da semifinal terá sido conquistado. No comparativo com os argentinos, é inegável que o favoritismo é irlandês, abrindo mais uma chance de ouro do objetivo histórico ser alcançado. Entretanto, um insucesso na primeira fase que jogue os verdes para o segundo lugar do grupo deverá resultar em um indesejável confronto com a Nova Zelândia, contra quem a Irlanda jamais saiu vencedora na história, apesar de ter passado muito perto do inédito feito em amistoso em 2013 (certamente um dos maiores jogos da década). Na Inglaterra, a Irlanda estará novamente no tênue fio entre a glória inédita e a decepção tradicional, mas, desta vez, com um dedo no otimismo.

 

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Six Nations: Ireland 18-11 France por omnisport-gr









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