Prévia da Copa: Namíbia, rumo à primeira vitória, ou não…

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Apelido: Welwitschias

População: 2.200.000

Capital: Windhoek

Continente: África

Principais títulos: Copa das Nações do World Rugby (2010) e Copa da África (4 vezes)

Mundiais disputados: 4 (1999, 2003, 2007 e 2011)

Melhor campanha em Mundiais: 5º lugar na fase de grupos em todos

Copa do Mundo de 2011: 5º lugar na fase de grupos

Caminho para o Mundial 2015:

04/07/2012 – Namíbia 20 x 18 Senegal; 08/07/2012 – Madagascar 57 x 54 Namíbia; 11/06/2013 – Senegal 12 x 35 Namíbia; 15/06/2013 – Namíbia 45 x 13 Tunísia; 28/06/2014 – Quênia 29 x 22 Namíbia; 02/07/2014 – Zimbábue 20 x 24 Namíbia; 06/07/2014 – Madagascar 10 x 89 Namíbia;

Técnico de 2015: Phil Davies

2015: Grupo C

24/09 – x Nova Zelândia – Histórico: nunca se enfrentaram;

29/09 – x Tonga – Histórico: 1 jogo, 1 derrota. Namíbia 14 x 20 Tonga, em 1997 (amistoso);

07/10 – x Geórgia – Histórico: 4 jogos, 1 vitória e 3 derrotas. Último jogo: Geórgia 23 x 18 Namíbia, em 2011 (Copa das Nações);

11/10 – x Argentina – Histórico: 2 jogos, 2 derrotas. Último jogo: Argentina 63 x 3 Namíbia, em 2007 (Copa do Mundo)

 

Ela pode nunca ter vencido um jogo sequer na história da Copa do Mundo de Rugby, mas a Namíbia irá em 2015 à sua quinta edição do Mundial, tendo garantido no ano passado a sequência de sua hegemonia na África. O fato não deveria ser surpresa, afinal, a Namíbia foi território da África do Sul de 1918 a 1990, quando obteve a sua independência, tendo disputado nesse período a Currie Cup, o Campeonato Sul-Africano de seleções provinciais, e enfrentado os British and Irish Lions. Foram cerca de sete décadas jogando entre os grandes da África do Sul, o que certamente teve um legado. Em 1988, aliás, a Namíbia terminou a Currie Cup com o terceiro lugar, a frente de Transvaal (Lions), Natal (Sharks), Eastern Province (Kings) e Free State (Cheetahs). Um time que teve nível de Super Rugby, se esse existisse na época. A Namíbia apenas não esteve na Copa do Mundo de 1995 pois vacilou na sua primeira eliminatória para a Copa do Mundo, deixando a vaga escapar por conta de uma derrota de 13 x 12 para a Costa do Marfim e um empate em 16 x 16 com o Marrocos, que classificaram surpreendentemente os marfinenses, por conta de outra inesperada vitória sobre o Zimbábue, o qual esteve nos Mundiais de 1987 e 1991. Desde 1999, apesar de alguns tropeços, os Welwitschias (apelido em alusão a uma planta que cresce nos desertos do país) não deixaram mais a vaga africana lhes escapar.

 

A saída da Namíbia da Currie Cup teve um preço, com o nível do rugby do país – que revelou Springboks do calibre de Percy Montgomery, campeão do mundo em 2007, e Jan Ellis, outrora recordista em partidas pelos Boks – caindo. Logo após a independência, a Namíbia acumulou vitórias sobre Itália e Irlanda em amistosos, mas a falta de competições de alto nível fez a equipe declinar no nível internacional, a ponto de, em 2003, sofrer o segundo maior placar da história dos Mundiais: 142 x 0 contra a Austrália.

 

Em 2011, os Welwitschias completaram sua 15ª partida em Mundiais sem sequer conseguir um bônus defensivo, tendo apenas alguns lampejos contra Fiji, quando o abertura Theuns Kotzé chutou nada menos que três drop goals seguidos, coisa de gente grande. Desde então, a vida do rugby do país passou por grandes turbulências, se retirando da disputa da Copa da África em 2011, realizada logo após a Copa do Mundo. A saída significou o rebaixamento do time à segunda divisão do continente. Em 2012, no entanto, os namibianos conheceram o inferno em Madagascar, sendo derrotados pela seleção da casa em um jogo absurdo de 57 x 54 para Madagascar, que tirou da Namíbia a promoção à elite. Isso significou que, para ir à Copa do Mundo em 2015, a Namíbia teria que vencer a segunda divisão em 2013 e a primeira divisão em 2014 em sequência. E a epopeia teve final emocionante, mas feliz para os Welwitschias. Em 2013, o título e a promoção vieram sem sustos e, em 2014, tudo parecia acabado quando os namibianos caíram na estreia contra o Quênia, 29 x 22. Os quenianos venceram Madagascar na segunda rodada e estiveram muito perto da classificação, enquanto a Namíbia sofria para bater o Zimbábue por 24 x 20 de virada. Na rodada final, o Quênia jogou fora sua classificação tremendo diante do Zimbábue, 28 x 10, e colocando os zimbabuanos ainda mais perto da classificação. Porém, a Namíbia operou um milagre, aplicou 89 x 10 em Madagascar e carimbou seu passaporte à Copa do Mundo no saldo de pontos.

 

O time pode ser fraco ainda, mas conta com dois excelente nomes atuando em grandes clubes da Inglaterra. Chrysander Botha é fullback do Exeter Chiefs, enquanto Jacques Burger é tido hoje como um dos melhores asas do mundo, acumulando louros de melhor jogador de várias partidas do Saracens, sendo um mestre dos turnovers. É em sua liderança e capacidade de tirar a bola dos oponentes que a Namíbia irá se apoiar. Além deles, o pack namibiano será reforçado por dois atletas de Super Rugby, o hooker Van Jaarsveld, do Cheetahs, e o asa Bothma, do Sharks, e dois jogadores do Top 14, o asa Uanivi e o pilar  Johannes Coetzee, ambos do Brive.

 

Na preparação para o Mundial, os Welwitschias foram atropelados na Copa das Nações pela Romênia, 43 x 3, e sucumbiram diante da Espanha, que sequer vai à Inglaterra, 20 x 3. A ausência de seus grandes nomes que atuam no exterior pode ajudar a explicar os resultados ruins em Bucareste, mas não há dúvidas que preocupam. A situação, no entanto, se deteriorou no país após o torneio, com a demissão do técnico Duane Vermeulen. O treinador, cadeirante, denunciou o péssimo tratamento que recebeu da federação local, que inclusive se negou a pagar a Vermeulen uma nova cadeira de rodas quando a sua foi roubada durante viagem. Entretanto, Vermeulen também recebeu sérias acusações, no caso de racismo com relação aos atletas negros e coloureds (mestiços). A “bomba” sobrou para o galês Phil Davies, treinador do Cardiff Blues até o ano passado, que já trabalhava como conselheiro da seleção da Namíbia.

 

Em seu grupo na Copa, o primeiro jogo da Namíbia é contra a Nova Zelândia e há o risco real de terminar com outro recorde de pontos desfavorável aos africanos, enquanto o duelo com a Argentina deverá ser outra “paulada”. Mas, contra Tonga e Geórgia a Namíbia espera conquistar pelo menos seu inédito ponto-bônus defensivo em Mundiais. Ou quem sabe uma vitória. Difícil, mas não impossível para um time que, apesar das dificuldades e do rótulo de mais fraca seleção da Copa, segue firme no palco mais alto do rugby mundial.

 

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