Um dia de Twickenham, mas sem Inglaterra

Austrália e Gales fizeram um dos jogos mais aguardados da primeira fase da Copa do Mundo, um embate de duas das equipes mais tradicionais do mundo e que de quebra decidiria o primeiro colocado do grupo A. Para um evento desta magnitude há apenas dois estádios possíveis entre as Arenas da Copa do Mundo, o Millenium Stadium em Cardiff e Twickenham em Londres, sendo o segundo o escolhido para essa partida.

 

Twckenham não é perfeito, tendo uma série de problemas operacionais, mas é o lar espiritual de rugby inglês e um dos mais importantes estádios do mundo, tendo um lugar especial no coração de cada torcedor. A principal crítica está relacionada à localização, muito distante do centro e numa área residencial, para se chegar ao estádio só de trem, saindo do centro de Londres, a única estação está a 15 minutos de caminhada do estádio, a Fan Zone, a 30.

 

Em termos de deslocamento o caminho para Twickenham se parece muito com o dos estádios brasileiros, com a diferença que as torcidas caminham e se divertem juntas. O trem vem lotado de torcedores, a grande maioria bebendo e cantando, sempre as latas de 500mls que se vende na Inglaterra a preços baixos. Quando se chega na estação tem início a caminha até o estádio, forrada de barracas de comida e cerveja, cambistas oferecendo ingresso, e ambulantes vendendo camisetas e bandeiras.

 

A torcida galesa, como se falou durante a semana, fez sua parte, apesar da derrota, pintando Twickenham de vermelho. Por todos os lados nos arredores do estádio se via a bandeira verde e branca com torcedores vestidos de dragão e de flor de Liz, assim como as musicas gaélicas que eram cantadas por todos os lados. Os australianos também não ficaram atrás considerando que vem do outro lado do mundo, comparecendo em grande número, a maioria bebendo a cerveja Foster, marca australiana que é uma das mais vendidas no Reino Unido, e fazendo muito barulho.

 

A entrada em Twickenham é uma das mais impressionantes entre os estádios que já visitei, a arena é quase completamente vertical e dos andares mais alto se vê os jogadores praticamente de cima, uma muralha completamente tomada de torcedores, a partida teve 80.500 pagantes, praticamente esgotando a capacidade do estádio, que é oficialmente de 82.000 pessoas. Cheio o barulho também é dos mais altos, graças ao fato de ser parcialmente coberto, criando um grande eco.

 

O domínio do som foi a maior parte do tempo dos galeses, que não deixaram de apoiar sua equipe, porém o ultimo grito foi dos australianos que quando a bola foi chutada para fora dominaram o estádio, diante do silencio decepcionado dos galeses.

 

A saída também não difere muito do Brasil, tendo início a longa caminhada até a estação lotada, os galeses um pouco receosos, mais ainda confiantes de uma vitória diante da África do Sul, e os Australianos extasiados com o desempenho de sua seleção cantando e, como é tradição nesse país, batendo fotos das pilhas de copos de cerveja para mostrar o quanto beberam.

 

Escrito por: Diego Gutierrez

Foto: Chris Lee – World Rugby/World Rugby via Getty Images

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