Um dia para recuperar o orgulho ferido

África do Sul disputou seu último jogo da fase de grupos, ainda tentando esquecer o fantasma do Japão, contra os Estados Unidos em Londres no polêmico Estádio Olímpico (ou Queen Elizabeth Park), que nesse dia podia ser o palco de mais um recorde, com o ponta Bryan Habana tentando igualar a marca de 15 tries em copas do mundo, pertencente ao lendário Jonah Lomu. A partida tinha todos os elementos para ser um grande evento, e foi.

 

O Estádio Olímpico, para não dizer que apenas o Brasil tem problemas com o legado dos megaeventos, é uma das construções mais polêmicas da história recente de Londres. Construído para as Olimpíadas, o Queen Elizabeth Park é um supercomplexo bilionário que contem, além de um estádio de atletismo para 54 mil pessoas, um shopping center e um museu. Após as olimpíadas, o lugar ficou sem uso, sendo uma fonte de prejuízo para a prefeitura.

 

No projeto original o uso do estádio ficaria por conta dos clubes de futebol londrinos, nenhum deles porém se ofereceu, já que a pista de atletismo faz a torcida ficar muito longe dos jogadores. O Tottenham, para ira da população, se propôs a comprar o terreno, demolir o estádio, construído a apenas 3 anos, e fazer um apenas para futebol. No fim a prefeitura fechou um acordo com o pequeno West Ham, em meio a muitas dúvidas se uma equipe pouco expressiva da cidade é capaz de manter um complexo dessa extensão. Para a Copa do Mundo de Rugby foram construídas arquibancadas provisórias sobre a pista de atletismo, aumentando a capacidade para 70 000 lugares, sendo o palco perfeito para grandes jogos.

 

Esse foi o palco para África do Sul e Estados Unidos, que atraiu uma multidão de 60 mil pessoas. Os fãs dos Springboks, depois do susto contra o Japão aparentemente perdoaram a equipe, recuperando boa parte da sua tradicional animação, fantasiados e com muitas bandeiras. A grande comunidade de expatriados, mais os fãs que sempre acompanham os Boks garantiram a presença de torcedores por toda a cidade, e um estádio pintado de verde e dourado.

 

Nos arredores, como o jogo não era dos mais importantes, o foco dos torcedores sempre foi à festa, em meio a muita cerveja fãs dos Boks e das águias confraternizavam e participavam das muitas atividades oferecidas na Fan Zone. Se os americanos eram minoria compensavam no entusiasmo, e nas fantasias, com os grandes ícones da terra do Tio Sam, como Capitão América, Elvis Presley e Frank Sinatra comparecendo ao evento e mostrando todo seu orgulho patriótico, como é de praxe nos eventos esportivos em que os Estados Unidos participam.

 

O jogo em si não ofereceu grandes emoções, com os Springboks dominando do início ao fim. A situação só mudou no segundo tempo com o primeiro try de Bryan Habana, que o deixou a apenas um de igualar Lomu e a torcida na expectativa. Quando o ponta colocou a bola no chão pela segunda vez o estádio veio abaixo, com a torcida Bok dando um espetáculo que o complexo não via desde que Usain Bolt havia corrido os 100 metros rasos na pista de atletismo que estava agora embaixo das arquibancadas. A consagração final ficaria por conta do 16º try de Habana, que não aconteceu, isso não diminuiu o ânimo da torcida Bok, que voltou para casa cantando e classificada para a próxima fase.

 

Texto por: Diego Gutierrez

Veja algumas fotos do dia do jogo:

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