Hora do Hong Kong Sevens: os Tupis vão a campo por um lugar na elite mundial

ARTIGO ATUALIZADO – Fim de semana crucial para o sevens masculino brasileiro. Entre sexta e domingo, o Brasil irá a campo na China para a disputa do torneio mais importante do ano para a seleção masculina, além dos Jogos Olímpicos: o Torneio Qualificatório de Hong Kong, o torneio da segunda divisão mundial, valendo vaga a seu campeão na elite da Série Mundial de Sevens para a temporada 2016-17.

 

A Série Mundial de Sevens (o Circuito Mundial) conta com um total de 10 torneios, todos com 16 participantes, dos quais 15 são as chamadas seleções centrais, ou seja, as seleções que disputam todas as etapas, havendo ainda sempre 1 convidado. Ao final das 10 etapas, o último colocados entre as 15 seleções centrais é rebaixados, com o campeão do Torneio Qualificatório de Hong Kong sendo promovido para seu lugar. O Qualificatório conta com 12 seleções, 2 de cada continente, sendo que as vagas da América do Sul foram definidas em janeiro, em Viña del Mar, no Chile, com Brasil e Chile garantindo suas classificações.

 

Criado em 1976 e considerado o torneio mais prestigiado do rugby sevens mundial, o Hong Kong Sevens contará ainda com o torneio principal, a 7ª etapa da Série Mundial de Sevens, com as grandes seleções do mundo também em campo, enquanto a temporada se aproxima de seu fim tendo Fiji, África do Sul e Nova Zelândia em briga acirrada pelo título de 2015-16. Dois grandes torneios e 28 seleções juntas no grande palco do seven-a-side, o Hong Kong Stadium e seus 40.000 lugares, sempre cheios.

 

O BandSports irá exibir as finais do torneio, no domingo, às 18h00, em VT.

 

Brasil no “Grupo da Morte” do Qualificatório

O Torneio Qualificatório conta com 12 seleções divididas em 3 grupos com 4 seleções cada, sendo que os 2 primeiros colocados de cada grupos e os 2 melhores terceiros colocados avançarão às quartas de final. O Brasil caiu justamente no grupo desde já considerado o mais difícil, tendo pela frente o favorito Japão e a tradicional Tonga, além do Marrocos.

 

Para o torneio, Andrés Romagnoli, técnico argentino dos Tupis, escolheu um elenco que muito bem poderá estar nos Jogos Olímpicos, contando com os nomes de destaque do momento do rugby nacional, os irmãos Sancery, além de Stefano, Fiori e Harvey, todos “fabricados” fora do país, mas essenciais à seleção. A eles se somam Tanque, Laurent, Boy (que fez um try épico no ano passado em Hong Kong), Muller, Alemão e Martin (que substitui de última hora Moisés, anunciado originalmente no grupo), além do jovem Cruz. Trata-se praticamente do mesmo grupo que foi a Vancouver na etapa passada do circuito como convidado, sendo que, além de Moisés (que certamente fará enorme falta), apenas Rambo e Drudi daquela equipe não foram convocados, sendo substituídos por Stefano e Cruz.

 

“Estamos treinando de forma intensa, diariamente e focados em nossos pontos individuais que precisamos melhorar. Estamos concentrados visando a uma semana intensa de treinos com o grupo que viajará. Com isso, chegaremos o mais entrosado possível no torneio. Nosso objetivo é ganhar a vaga para nos estabelecermos como equipe permanente no Circuito Mundial de Sevens da temporada 2016/2017”, comenta Felipe Claro, o Alemão.

 

Esta é a terceira participação do Brasil em Hong Kong. Na primeira, em 2013, os Tupis perderam na estreia para o Japão, adversário de 2016, por suados 17 x 10, empataram com a Geórgia e venceram a Jamaica na primeira fase, garantindo vaga para as quartas de final, nas quais caíram diante do Zimbábue, em derrota por 21 x 7. A seleção voltou a Hong Kong em 2015 e melhorou sua campanha, vencendo a seleção da casa na estreia por 17 x 12 e o México por 33 x 10, perdendo na primeira fase somente para o Uruguai, por 14 x 7. Entretanto, novamente o Zimbábue cruzou o caminho brasileiro nas quartas de final e novamente os africanos levaram a melhor, vencendo por 21 x 14, em jogo apertado e decidido apenas no fim. Entre os atletas convocados para 2016, jogaram 2015 Tanque, Boy, Fiori, Muller e Martin apenas.

 

O Brasil mostrou grande evolução no sevens neste ano, conquistando histórica vitória sobre a seleção B da África do Sul em janeiro, mas a tão sonhada primeira vitória no torneio principal da Série Mundial de Sevens acabou não acontecendo em Vancouver, no mês passado. Os Tupis fizeram boas partidas contra Argentina, África do Sul, Escócia, Canadá e Portugal, mas não quebraram o tabu. O positivo foi a confirmação de que Daniel e Felipe Sancery também tiveram grande desempenho no sevens, ao passo que homens como Tanque e Fiori mantiveram seus desempenhos de alto nível, sendo com certeza peças centrais para o Brasil buscar um resultado histórico na Ásia.

 

Porém, o favoritismo no Grupo G, o grupo dos Tupis, é do Japão, que jogou na elite do circuito na temporada passada e acabou rebaixado. Os japoneses mostraram evolução depois do descenso e receberam a ajuda do World Rugby sendo convocados para nada menos que 4 das 6 etapas até aqui da temporada. E a evolução ficou clara com os japoneses somando, mesmo com  2 torneios a menos, mais pontos do que Rússia e Portugal, os dois piores da classificação. O trunfo nipônico esteve no torneio de Las Vegas, quando venceram o Quênia e a Escócia e terminaram a etapa na ótima oitava posição. No elenco do Japão estão o fijiano Lote Tuqiri (que não é o famoso Tuqiri, vice campeão do mundo com a Austrália em 2003) e Kenki Fukuoka, que jogou a Copa do Mundo de 2015.

 

Tonga aparece como a incógnita do grupo. Tendo em vista a classificação do último Hong Kong Sevens, a segunda força do grupo é o Brasil, e não Tonga, pois a nação do Pacífico foi eliminada na fase de grupos, com campanha terrível. Sem a mesma tradição no sevens que Fiji e Samoa, e muito mais famosa pela força de seus forwards do que pela qualidade de sua linha, Tonga ainda não fez o impacto que dela se espera no sevens, mas já colecionou resultados notáveis, incluindo vitórias sobre seus vizinhos mais badalados. Nenhum dos atletas convocados estiveram no grupo da Copa do Mundo.

 

Já Marrocos aparece como a seleção mais fraca do grupo no papel, mas toda cautela é pouca com o time magrebino. O Marrocos tem longa tradição no rugby, apesar da queda vertiginosa que seu rugby teve na última década, e intenso intercâmbio com a França, o que pode significar um time veloz e habilidoso pela frente. Jamais o Brasil encarou Tonga ou Marrocos e sabe que contra os dois oponentes é preciso bons resultados para que a vaga nas quartas de final seja possível – e, além da vaga, que o cruzamento no mata-mata lhe seja favorável. A evolução dos Tupis inspira confiança e ninguém dúvida que o Brasil vá entrar no torneio como um dos reais candidatos ao título.

 

Espanha e Zimbábue aparecem como os principais candidatos à promoção. A Espanha foi seleção central do circuito na temporada 2013-14, quando foi rebaixada, e no Hong Kong Sevens 2015 caiu nas semifinais contra o Zimbábue. Os espanhóis são os favoritos do Grupo F e vivem momento de crescimento em seu rugby, com o XV também mostrando resultados em evolução. Mas, os Leões terão dois oponentes muito perigosos: o Chile, que mostrou uma forma muito melhor no sevens do que no XV neste ano, tendo vencido o Brasil em Viña por 24 x 0; e a Papua Nova Guiné, nação apaixonada pelo rugby league e que vem jogando suas fichas no union justamente no sevens, também tendo alcançado às semifinais de Hong Kong no ano passado, quando caíram diante da Rússia. A Papua, com qualidade técnica “digna de Fiji”, vencera antes os russos na primeira fase e o Uruguai nas quartas, antes de cair contra os eventuais campeões. O México completa o grupo e joga como zebra.

 

Já o Grupo E tem o Zimbábue, vice campeão de 2015, e de longa tradição no sevens. Os zimbabuanos já jogaram a Série Mundial nesta temporada, sendo os convidados da etapa sul-africana, em dezembro passado, mas não tiveram atuações marcantes. Na sua cola estarão os anfitriões de Hong Kong, que já fizeram grandes campanhas no passado, e a Alemanha, que busca seu lugar ao sol no sevens depois de impressionar no Grand Prix Europeu, terminando na frente de Geórgia e Itália, entre outros. Quem completa o grupo com mínimas chances são as minúsculas Ilhas Cayman.

 

A briga segue: Fiji, África do Sul e Nova Zelândia, quem levará a melhor?

No torneio principal, os holofotes estão em Fiji, África do Sul e Nova Zelândia, separados por míseros 2 pontos na classificação. Qualquer deles se conquistar o título em Hong Kong dormirá líder da temporada, restando apenas mais 3 torneios para o fim.

 

A Nova Zelândia, terceira colocada no momento, caiu no Grupo A, tendo Samoa, França e Quênia pela frente. Os All Blacks, campeões da etapa passada, irão fortes ao torneio e comemoram a volta de Sonny Bill Williams, que jogará ao lado de Liam Messam, Tim Mikkelson, DJ Forbes & cia, na busca de consolidar o crescimento rumo a mais um título. Até aqui, em 6 etapas, os neozelandeses venceram 3, mais do que fijianos (2 conquistas) e sul-africanos (1 conquista), mas ainda estão para experimentar maior consistência na temporada, vivendo de altos e baixos.

 

A França vem somando mais baixos do que altos na temporada e teve mais uma campanha decepcionante no Canadá. Mas, a volta à equipe do fijiano Vakatawa é festejada e pode significar os Bleus sendo alçados à condição de favoritos à segunda vaga. Mas, Samoa e Quênia irão brigar em igualdade pela classificação, com os quenianos inspirados pelo artilheiro Collins Injera e com os samoanos, do capitão Phoenix Hunapo-Nofoa, empolgados com o bom torneio realizado em Vancouver.

 

O Grupo B tem a África do Sul como favorito, mas precisando voltar a subir no topo de uma etapa, pois os Boks venceram até aqui apenas um torneio, em casa, em dezembro. Vice campeão em Vancouver, os sul-africanos não terão Habana, de volta ao Toulon, mas contarão com a volta de Ryan Kankowski, além, é claro, do trio brilhante formado por Branco Du Preez, Cecil Afrika e pelo artilheiro da temporada Seabelo Senatla.

 

A Inglaterra e a Escócia aparecem como as maiores candidatas à segunda vaga, mas os ingleses vivem verdadeiro pesadelo na temporada, somando campanhas pífias nas duas última temporadas, incluindo a última colocado (junto do Brasil) em Vancouver. Para superar a crise, os ingleses terão de volta o experiente capitão Tom Mitchell. A Rússia, focada na fuga do rebaixamento, completa a chave.

 

A Austrália é a favorita do Grupo C, tendo mostrado grande evolução nas últimas etapas. Mas, os aussies ainda não conseguiram dar o passo adiante e ainda não foram campeões de nenhuma etapa, acabando com o terceiro lugar na etapa canadense. Quade Cooper não estará disponível para o torneio, mas os contarão com Nick Cummins “Honey Bagder”, finalmente pronto para jogar sevens. Estados Unidos e Argentina certamente brigarão pela segunda vaga – e têm chances inclusive de arrancar os australianos do primeiro lugar. Os EUA terão um precioso trio de volta, com Carlin Isles, Zack Test e Maka Unufe e a estreia de ex jogador de futebol americano Nate Ebner, campeão do Super Bowl com os Patriots, ao passo que os Pumas chegam ainda mais fortes, contando no time com Javier Ortega Desio, que jogou a Copa do Mundo de 2015 no XV argentino. Portugal, lanterna da temporada e cada vez mais desesperado, fecha o grupo.

 

Já o Grupo D terá Fiji reinando absoluto. Os fijianos lideram o circuito e comemoram as confirmações de Semi Kunatani e Pio Tuwai no elenco. Campeões do torneio em 2015, os fijianos são os “queridinhos” da torcida na China e têm tudo para despontar na chave. Canadá, com alguns desfalques, e o insosso Gales deverão brigar pelo segundo lugar, enquanto a convidada Coreia do Sul busca ganhar experiência, enquanto lamenta não ter obtido classificação para o Torneio Qualificatório.

 

SWS 2015-16 logo

Hong Kong Sevens – 7ª etapa da Série Mundial de Sevens Masculina 2015-16 – em Hong Kong, China

Torneio Principal

Grupo A: Nova Zelândia, Samoa, França e Quênia

Grupo B: África do Sul, Escócia, Inglaterra e Rússia

Grupo C: Austrália, Estados Unidos, Argentina e Portugal

Grupo D: Fiji, Gales, Canadá e Coreia do Sul

 

Torneio Qualificatório

Grupo E: Zimbábue, Hong Kong, Alemanha e Ilhas Cayman

Grupo F: Espanha, Chile, Papua Nova Guiné e México

Grupo G: Japão, Tonga, Brasil e Marrocos

 

*Horários de Brasília

Sexta-feira, dia 08 de abril

Japão x Brasil – 02h00

Tonga x Marrocos

Espanha x Papua Nova Guiné

Chile x México

Zimbábue x Alemanha

Hong Kong x Ilhas Cayman

Japão x Marrocos

Tonga x Brasil – 04h34

Espanha x México

Chile x Papua Nova Guiné

Zimbábue x Ilhas Cayman

Hong Kong x Alemanha

 

Samoa x Quênia

Gales x Coreia do Sul

Estados Unidos x Portugal

Escócia x Rússia

Nova Zelândia x França

Fiji x Canadá

Austrália x Argentina

África do Sul x Inglaterra

 

___________

 

Marrocos x Brasil – 22h00

Papua Nova Guiné x México

Alemanha x Ilhas Cayman

Japão x Tonga

Espanha x Chile

Zimbábue x Hong Kong

 

Sábado, dia 09 de abril

*a partir das 00h18

Samoa x França

Nova Zelândia x Quênia

Gales x Canadá

Fiji x Coreia do Sul

Estados Unidos x Argentina

Austrália x Portugal

Escócia x Inglaterra

África do Sul x Rússia

França x Quênia

Nova Zelândia x Samoa

Canadá x Coreia do Sul

Fiji x Gales

Argentina x Portugal

Austrália x Estados Unidos

Inglaterra x Rússia

África do Sul x Escócia

 

Torneio Qualificatório – Quartas de final

*a partir das 07h34

 

___________

*a partir das 22h30

Torneio Principal – Quartas de final

 

Domingo, dia 10 de abril

Torneio Principal – Quartas de final

Torneio Qualificatório –  Semifinais- 01h26 e 01h48

Torneio Qualificatório – Final – 05h30

Torneio Principal – Semifinais e Final (Final às 08h00)

 

Brasil:

André Luiz Nascimento Silva ‘Boy’ (SPAC);

Daniel Henry Sancery (Albi, França);

David Harvey (NSW Country Eagles, Austrália);

Felipe Claro Sant’Ana Silva ‘Alemão’ (SPAC);

Felipe Henry Sancery (Albi, França);

Juliano Ernani Melengray Fiori (Richmond, Inglaterra);

Laurent José Bourda Couhet (Bandeirantes Saracens);

Lucas Amadeu Muller (Desterro);

Lucas Rodrigues Duque ‘Tanque’ (São José);

Martin Schaefer (SPAC);

Matheus Cruz (Jacareí)

Stefano Giantorno (San Luis, Argentina)

Técnico: Andres Romagnoli

 

Seleção* Pontos – Classificação Geral Etapa 10 (Inglaterra) Etapa 9 (França) Etapa 8 (Singapura) Etapa 7 (Hong Kong) Etapa 6 (Canadá) Etapa 5 (Estados Unidos) Etapa 4 (Austrália) Etapa 3 (Nova Zelândia) Etapa 2 (África do Sul) Etapa 1 (Emirados Árabes)
Fiji 181 15 19 19 22 15 22 17 17 13 22
África do Sul 171 19 13 17 17 19 17 15 19 22 13
Nova Zelândia 158 13 10 12 19 22 13 22 22 10 15
Austrália 134 07 12 10 15 17 19 19 13 10 12
Argentina 119 12 15 15 08 05 10 13 12 19 10
Estados Unidos 117 17 05 07 12 12 15 10 10 12 17
Quênia 98 03 10 22 10 01 10 12 10 15 05
Inglaterra 92 10 07 05 13 05 01 10 15 07 19
Samoa 89 05 22 13 05 13 03 07 08 03 10
Escócia 87 22 08 08 07 10 05 05 07 08 07
França 85 10 17 10 05 07 07 01 03 17 08
Gales 54 08 02 02 10 10 08 03 01 05 05
Canadá 40 05 01 01 02 08 02 08 05 05 03
Rússia 28 02 05 03 03 03 05 02 02 02 01
Portugal 21 01 03 05 01 02 01 05 01 01 01
*Apenas as seleções centrais
Etapa Campeão
Etapa 1 (Emirados Árabes) Fiji
Etapa 2 (África do Sul) África do Sul
Etapa 3 (Nova Zelândia) Nova Zelândia
Etapa 4 (Austrália) Nova Zelândia
Etapa 5 (Estados Unidos) Fiji
Etapa 6 (Canadá) Nova Zelândia
Etapa 7 (Hong Kong) Fiji
Etapa 8 (Singapura) Quênia
Etapa 9 (França) Samoa
Etapa 10 (Inglaterra) Escócia

– 15º colocado = rebaixamento.

Pontuação:
1º – 22 pontos; 2º – 19 pts; 3º – 17 pts; 4º – 15 pts;
5º – 13 pts; 6º – 12 pts; 7º e 8º – 10 pts;
9º – 8 pts; 10º – 7 pts; 11º e 12º – 5 pts;
13º – 3 pts; 14º – 2 pts; 15º e 16º – 1 pt.


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