ARTIGO COM VÍDEO – Um desfecho inesperado para um embate épico! Em um jogo envolto por tantos tabus, Lions e All Blacks acabaram em um incrível empate em 15 x 15 no terceiro e último jogo da série e, em plena fortaleza de Eden Park, os britânicos arrancaram seu segundo melhor resultado da história contra os neozelandeses, terminando pela primeira vez empatada uma série contra os All Blacks. Qual rugby é melhor hoje no mundo, o neozelandês ou o britânico? Talvez o mundo só saberá no próximo confronto entre Nova Zelândia e Inglaterra.

A partida começou frenética, com os dois lados buscando manter a bola viva e atacando os espaços. Quem teve a primeira chance de abrir o placar foram os All Blacks, com Beauden Barrett tendo um penal frontal para chutar, mas que acabou saindo para a infelicidade do abertura kiwi. Na sequência, os neozelandeses quase chegaram ao try, com articulação de passes entre os irmãos Barrett para Julian Savea receber na ponta e cometer knock-on, em chance clara de try.

Os Lions tiveram seu momento agudo pouco depois, com uma sequência de 13 fases em velocidade nas 22 que, no entanto, acabaram em interceptação de Beauden Barrett e em um contra-ataque quase letal dos All Blacks, detido com tackle de Liam Williams. Os All Blacks logo recuperaram a posse no campo ofensivo e Beaudn Barrett desferiu um brilhante chute cruzado na outra ponta para seu irmão Jordie, que deixou a bola com Laumape para o primeiro try da partida. 7 x 0.

A resposta britânica veio cinco minutos mais tarde com penal chutado por Owen Farrell. Mas, o momento parecia dos All Blacks, que ainda mostraram poderio roubando um scrum crucial aos 23′. Aos 30′, Farrell não desperdiçou nova oportunidade de penal para reduzir a distância para 7 x 6, porém, aos 35′, os donos da casa mostraram mais uma vez toda a categoria de sua linha com uma fulminante troca de passes após lateral até a outra ponta para Jordie Barrett finalizar o segundo try do jogo. 12 x 06, que não foram ampliados por uma conversão perdida que faria falta.

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Em um primeiro de domínio territorial levemente superior para os All Blacks, mais efetivos com a bola em mãos, mas cometendo mais erros de manuseio do que os Lions, o  placar no intervalo foi de apertados 12 x 06 a favor dos Homens de Preto.

O segundo tempo largou com uma história bem diferente e mais favorável aos vermelhos. Logo após a volta dos vestários, Eliott Daly arrematou com precisão penal de longa distância, que colocou um promissor 12 x 09 no placar.

Os All Blacks responderam quase chegando a mais um try, com Jordie dando passo longo para Julian Savea, mas que acabou saindo para frente. Na sequência, aos 49′, a maré parecia se voltar de fez a favor dos visitantes, que sorriram quando Jerome Kaino deixou os kiwis com 14 homens por amarelo. A pressão passou a ser toda dos britânicos, mas os All Blacks provaram sua capacidade defensiva e somente aos 58′ os Lions capitalizaram com o homem a mais conseguindo o penal do empate, com Farrell sempre perfeito e confiável.

As substituições nos dois lados começaram, com os treinadores disputando seu xadrez tático com a tensão crescendo na partida. Aos 67′, o scrum neozelandês arrancou um precioso penal que Beauden Barrett chutou para devolver a frente aos anfitriões. Os Lions não se abalaram, foram para cima e, aos 77′, Farrell chutou de longa distância o penal do empate. E, logo no reinício, com o jogo incendiado, aconteceu o lance polêmico que será intensamente debatido nos próximos dias. O árbitro Romain Poite marcou uma penalidade do galês Ken Owens por impedimento, mas chamou o árbitro de vídeo, George Ayoub, e voltou atrás, marcando somente um scrum a favor dos All Blacks, para a indignação do capitão neozelandês Kieran Read.

O placar não foi alterado nos instantes derradeiros e o 15 x 15 foi decretado. Primeiro empate da Nova Zelândia contra os Lions desde 1971. E segue a série invicta dos All Blacks jogando em Auckland (eles não perdem lá desde 1994).

Somente um vez na história uma série dos British and Irish Lions havia terminado empatada: em 1955, com os Springboks, quando as duas seleções se encararam quatro vezes – e não três como hoje – e cada uma levou duas vitórias.

Agora, os fãs dos Lions terão que esperar até 2021 para a equipe ser formada novamente e fazer sua digressão até a África do Sul, onde irá encarar sua série contra os Springboks. O próximo Lions contra All Blacks só deverá ser jogado em 2029, com uma nova geração de rugbiers em campo.

 

15versus copiar15

Nova Zelândia 15 x 15 British and Irish Lions, em Auckland

Árbitro: Romain Poite (França)

Nova Zelândia

Tries: Laumape e J Barrett

Conversões: B Barrett (1)

Penais: B Barrett (1)

15 Jordie Barrett, 14 Israel Dagg, 13 Anton Lienert-Brown, 12 Ngani Laumape, 11 Julian Savea, 10 Beauden Barrett, 9 Aaron Smith, 8 Kieran Read (c), 7 Sam Cane, 6 Jerome Kaino, 5 Samuel Whitelock, 4 Brodie Retallick, 3 Owen Franks, 2 Codie Taylor, 1 Joe Moody;

Suplentes: 16 Nathan Harris, 17 Wyatt Crockett, 18 Charlie Faumuina, 19 Scott Barrett, 20 Ardie Savea, 21 TJ Perenara, 22 Aaron Cruden, 23 Malakai Fekitoa;

Lions

Penais: Farrell (4) e Daly (1)

15 Liam Williams, 14 Anthony Watson, 13 Jonathan Davies, 12 Owen Farrell, 11 Elliot Daly, 10 Johnny Sexton, 9 Conor Murray, 8 Taulupe Faletau, 7 Sean O’Brien, 6 Sam Warburton (c), 5 Alun Wyn Jones, 4 Maro Itoje, 3 Tadhg Furlong, 2 Jamie George, 1 Mako Vunipola;

Suplentes: 16 Ken Owens, 17 Jack McGrath, 18 Kyle Sinckler, 19 Courtney Lawes, 20 CJ Stander, 21 Rhys Webb, 22 Ben Te’o, 23 Jack Nowell;


Foto: Lions Rugby