Jaguares reencontram as vitórias no Super Rugby

ARTIGO COM VÍDEOS – Foram 7 derrotas seguidas, mas finalmente os Jaguares da Argentina se reencontraram com as vitórias e, nesta décima rodada, derrotaram os Kings em seu retorno a Buenos Aires: 73 x 27.

 

Nas demais partidas, o grande destaque ficou por conta do melhor time da temporada, o Chiefs, que colecionou sua nona vitória em dez jogos, batendo os Sharks por 24 x 22. O fim de semana foi na verdade perfeito para os neozelandeses, com Hurricanes, Highlanders e Blues vencendo também, enquanto os Crusaders folgaram na rodada juntos dos japoneses do Sunwolves. Em contrapartida, para os sul-africanos a jornada foi feliz apenas para os Bulls, pois Stormers, Cheetahs, Lions, além de Sharks e Kings, foram todos derrotados.

 
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Chiefs imparáveis

Décima jornada e nove vitórias para os Chiefs de Waikato, no ano que pode vir a ser deles se mantiverem este nível. Recepção à equipe dos Sharks, que só tinham “abatido” os Highlanders na jornada anterior (15-14) e o “sonho” de fazer nova desfeita a um rival do Super Rugby. O jogo foi passado num ritmo bem alto, com a defesa dos Chiefs a realizar uma excelente pressão que lhes permitiu recuperar a bola por 15 vezes… os da casa pouco defenderam, já que tiveram mais posse de bola (68-32), conseguindo chegar rapidamente ao primeiro try logo ao minuto 1’ por Tamanivalu, a furar a linha com a impulsão necessária para o primeiro try. Os Sharks não entraram bem no encontro, pois concederam demasiado espaço e somavam algumas penalidades que iam prejudicando o seu jogo. Aos 25’ já estavam a perder por 15-03, com novo try desta vez por Leitch, ao estilo de um ponta. Com o relógio a “correr” e o resultado assentado em 15-03, o público do Estádio Yarrow já esperava uma vitória confortável frente a uma das melhores formações sul-africanas (atrás dos Stormers e Lions). Contudo, estávamos todos enganados e explicamos porquê: entre os 25’ e 50’ o domínio territorial pode ter pertencido aos Chiefs, mas foram os Sharks a dar uma utilidade superior à bola, conseguindo obter pontos a cada momento que “nadavam” por dentro da área de 22 dos Chiefs. Aos 28’, um maul dinâmico da equipe de Durban derrubou a “muralha” dos chiefianos, conseguindo Kyle Cooper o primeiro try da sua equipe. Pouco depois, a equipe forasteira recuperou a bola num ruck e aos poucos foi avançado no terreno… com a vantagem de falta por fora de jogo, os Sharks empataram o encontro com G. April a furar a linha e a “dançar” por entre Chiefs para o seu primeiro try na competição deste ano (entrou a todo gás neste Super Rugby). 15-15 ao intervalo, com um ascendente dos “tubarões” perante alguma apatia e nervosismo por parte da equipe da casa, que tinha de voltar ao seu melhor rugby para arrancar uma vitória dos “dentes” da equipe de Durban.

 

Era necessário algum pragmatismo e aplicar “água na fervura”, impedindo a si próprios de tentarem fazer um jogo mais rápido, isto para os Chiefs… e foi exatamente o que fizeram. Sem try do seu lado, foram indo de ruck a ruck, de entrada curta a entrada curta até que arrancassem uma falta para apostar no “pé” de Cruden que respondeu – quase – sempre bem ao desafio lançado pelos seus colegas. Com menos bola e sem soluções para virar esta menor ousadia dos Chiefs, a equipe de Durban aplicou uma boa técnica no breakdown para chegar a um turnover que lhes permitisse arrancar em direção ao try. Quando tínhamos 24-15 no placar à passagem do minuto 71, a equipe dos Sharks lá voltou a dar uma “dentada” profunda no resultado, atingindo o 24-22 para o desassossego dos líderes do Super Rugby. Foi providencial os dois tackles de Sam Cane que resultaram em knock-ons dos Sharks, recuperando a bola, no qual não a perderam até ao final do encontro. A winit’salways a win, foi esta frase de Dave Rennie no final do encontro… e é verdade em absoluto. Um jogo que quase que lhes fugiu pelas “mãos”, que obrigou a outro tipo de estratégia no relançamento para a segunda parte. Sam Cane em evidência mais uma vez, com vários tackles (11) e um bom ritmo de liderança dentro de campo… acima de todos esteve Damian McKenzie, o nº15 está a dar notas máximas nesta edição do Super Rugby com mais 120 metros conquistados, uma organização de jogo imperial e um “bombeiro” de último recurso, isto em tempos que Dagg volta a tentar regressar às escolhas de Steve Hansen. Nos Sharks a exibição coletiva foi de primor, com uma solidariedade e capacidade de jogarem em prol da equipe muito alta… o par de centros, Esterhuizen e Jordaan foram responsáveis por 20 tackles cada, para lá de terem sido dos carriers principais da equipe (10 no total). Garth April merece uma nota pelo bom rugby que o abertura pratica, onde as fintas e velocidade são alguns dos detalhes deste jogador dos Sharks.

 

Bulls atropelam na Austrália

O Western Force volta a sucumbir em jogos em casa, numa série negra uma vez que a última vitória foi a 9 de maio de 2015, com a única vitória desta edição a ter se verificado fora frente aos Reds. Na recepção dos Bulls de Pretória, a equipe de Perth até efetuou uma boa primeira parte, chegando ao intervalo a perder por 11-18, com tudo em aberto para a 2ª. A fraca eficácia nas fases estáticas pode ser uma das explicações para o declínio de jogo dos australianos, uma vez que em 16 lineouts e 7 scrums, perderam 3 e 2 respectivamente, perturbando o seu processo ofensivo. As 16 penalidades que cometeram foram altamente prejudiciais para o desenrolar do jogo, especialmente na segunda parte, uma vez que Brynard Stander, o asa de 26 anos, recebeu ordem de expulsão temporária após nova falta no maul dos Bulls (Angus Cottrell cometeu 4 faltas, 2 delas em mauls). Ao somar todos estes elementos, é fácil concluir que a missão de jogo dos Force foi, no mínimo, complicada. Para além disto tudo, lembrar que os Bulls são sempre uma equipe que impera pelo seu jogo físico e destreza dos seus ¾’s. A primeira nota a ressalvar é a forma como Pieter Labuschange ataca os seus adversários, com grandes tackles e um jogo defensivo recheado de pormenores (18 tackles, já nas duas semanas anteriores tinha supera a dezena de tackles) e poderá ser uma das opções para a terceira linha dos Springboks (assim como o seu colega Arno Botha).

 

Duas partes distintas, com o tal equilíbrio na primeira, quando os Bulls chegaram ao try aos 14’ por Liebenberg, que aproveitou uma falha num ruck para sair disparado até à área de try. Nova falha de tackle (múltipla) e um apoio defensivo lento permitiu aos sul-africanos chegar, novamente, ao try desta feita pelo nº12, Jan Serfontein, isto aos 22’. A equipe australiana ainda deu uma boa réplica ao atingir à área de validação por uma vez graças a Matt Hodgson (de longe o jogador mais completo e em evidência dos Force) após um maul bem trabalhado. Haylett-Petty e Rasolea tentaram obter novos pontos para a equipe da casa, mas em vão, uma vez que os Bulls cerraram bem as “fileiras” e aguentaram a vantagem de 18-11. Na segunda parte, o somar de faltas deu o tal cartão amarelo, bem aproveitado pelos Bulls que conseguem somar mais 3 tries para um dos Force: aos 53’ por Serfontein (bom trabalho dos avançados), aos 60’ e 67’ por A. Strauss (está a tentar competir com Codie Taylor pelo hooker mais móvel do Super Rugby) e já quase com o tempo a esgotar-se foi KyleGodwin a dar o 2º try da sua equipe, num lance muito confuso, “trapalhão” e que deixou o treinador Nollis Marais visivelmente irritado. Neste início de tour pela Austrália, os Bulls começam com o melhor pé, seguindo-se visitas aos Brumbies e Waratahs. MattHodgson merece o MVP do jogo, uma vez que não é fácil ser-se capitão de uma equipe como os Force… 13 tackles, 2 turnovers, 1 try, 7 lineouts conquistados e 10 carries (só atrás de Haylett-Petty) demonstram a capacidade de sofrimento do capitão da equipe de Perth.

 

Rebels caem em visita a Auckland

Os Blues de Tana Umaga chegam à 4ª vitória em jogos de Super Rugby, algo novo em relação a 2015, época que só conquistaram três vitórias. Num jogo bem intenso que terminou com a “corda na garganta” da equipe de Auckland, o 36-30 dos Blues foi justo no final dos 80’. O encontro iniciou melhor para a formação australiana que aos 11’ já estava a ganhar por 08-00, com Reece Hodge a chegar à linha de “meta” (erro infantil do nº2 dos Blues). Na sequência deste lance, os Blues aumentaram a pressão, elevaram o seu jogo e deram os seus melhores 27 minutos de toda a competição, com 4 tries: James Parsons aos 14’ redimiu-se (esta época tem sido um ano de “redenções”), com um conjunto de fases bem trabalhadas; à passagem dos 19’ o capitão Jerome Kaino volta a somar novo try a partir de um pick and go (dos melhores jogos do asa All Black); um maul dinâmico aos 23’ resultou em try para Charlie Faumuina; e por fim aos 30’, da responsabilidade de I. West, que perante um passe de excelência de Bryn Hall não se ficou e lançou-se ao contato ultrapassando a linha de vantagem para o 24-11 (uma das melhores jogadas desta jornada). Os melhores 27 minutos da formação de Auckland, em que os avançados conseguiram dar um show de ataque e defesa, como demonstram os 4 tries (foram feitos por avançados ou construídos pelos mesmos) e as 69 tackles efetivas pelos 8 de Umaga. Os Rebels ainda deram um sinal de vida antes do intervalo, de Jordy Reid a completar um maul dinâmico curto (a ousadia dos australianos no lineout curto valeu 5 pontos).

 

Na volta dos vestiários, dois novos tries dos Blues, com Li e Visinia (41’ e 52’) para o 36-18… nada fazia prever que 25 minutos finais seriam uma loucura “pura”, uma vez que os Rebels lutaram pela reviravolta perante uns Blues que quebraram em termos físicos: aos 64’ numa boa movimentação à mão dos “rebeldes” a atirar a bola em offloads, permitiu ao nº20, Colby Fainga’a, receber o passe para o try; pouco depois aos 67’ chegou novos 5 pontos para os australianos num lance que demonstra bem o que é o rugby, Tevita Li dos Blues quebra a linha e fica a 5 metros da linha de tries dos Rebels, mas um mau offload é apanhado por S. Naivalu, com o ponta a correr 80 metros sem que nenhum jogador da equipe da casa o apanhasse. 36-30, 10 minutos de jogo pela frente e com os “nervos em franja”, a equipe dos Blues “cresceu” e garantiu a vitória… apesar do super susto final, quando os Rebels tinham um maul armado para chegar à linha de try, uma má execução do mesmo penalizaram-no com falta e bola para os Blues. A equipe da casa mereceu a vitória pelo que fez na maior parte do jogo, na categoria a defender com 125 tackles, 11 turnovers e na grande eficácia a atacar onde a resposta dos avançados foi muito positiva… para além disso, a exibição de Vinisia, West e Ioane  foram seguras, completas e de enorme qualidade. Do lado dos Rebels Tamati Ellison realizou novo grande jogo a defender, S. Naivalu com o grande try mas com um bom par de arrancadas e Sean McMahon que foi dos avançados que mais correu nesta jornada (60 metros conquistados). Será que há mesmo um poderio das equipes neozelandesas face às outras?

 

Brumbies segue sem vencer

Dos jogos mais táticos e físicos desta jornada e, talvez, do Super Rugby entre os campeões e uma das formações que esteve nas meias-finais na época passado. As duas equipes vêm de derrotas, por isso foi um jogo fundamental para as aspirações de cada um. O 23-10 final só dita parte dos acontecimentos, uma vez que só tivemos tries a partir do minuto 39’, e antes desse foi só um pontapé de C. Lealiifano para dar uma “magra” vantagem à formação de Canberra. Jack Wilson recebeu ordem de expulsão temporária, que bem podia ter sido um vermelho pela tackle com o ombro e braço acima dos ombros a Robbie Coleman, isto aos 10 minutos de jogo. Já tínhamos dito há várias jornadas atrás que a melhor defesa do Super Rugby podia morar em Dunedin, e neste jogo quase que ficou provado isso… em 200 tentativas de tackle, 187 foram eficazes e só umas 13 é que falharam o target final. Com os dois “gulosos” a defender a recair em Alex Ainley e Thoma Franklin, 43 na soma total, com o hooker Ash Dixon com 18. Vamos ser honestos e dizer que os Brumbies não são das melhores equipes a atacar, uma vez que em 18 formações são a décima com o melhor ataque (224 pontos). É assim que os Highlanders sentem-se melhores, a defender e a dar oportunidade ao adversário de atacar… depois recuperam a bola e em poucas fases chegam ao try. Aos 39’ Sopoaga chega à linha de try dos Brumbies a passe de Aaron Smith (outro jogo de categoria do nº9 dos All Blacks).

 

Após o intervalo, novo try da equipe da casa com Ben Smith a poder agradecer à capacidade de choque de Fekitoa para o 14-03. Cinco minutos depois a categoria da avançada dos “cavalos selvagens” deu-lhes um try que podia ter dado a esperança, com um bom maul finalizado por J. Mann-Rea. Até ao apito final os Brumbies trataram de dominar a posse de bola e território (mais de 70%), sem nunca conseguir pontos apesar de terem tido 8 penalidades (só 3 é que podiam ter servido para ir aos postes) a seu favor. Os Highlanders fizeram melhor uso das penalidades transformando três delas em pontapés que resultaram no 23-10. Os Highlanders fazem um mix entre o Hemisfério Norte e Sul, com uma defesa super dotada, equilibrada e bem organizada, onde o papel de Aaron Sith como voz de comando garante uma “muralha” a estes Highlanders. Depois o ataque é como manda a lei do Hemisfério Sul, com uma boa dose de imaginação, velocidade agressiva e eficácia bem ao estilo All Black. O regresso de David Pocock aos jogos foi importante, é sem dúvida alguma uma pedra base dos australianos, só que não basta… faltam tries, falta dar melhor lugar às jogadas de ataque e falta aquela “alma” de campeão que lhes falta.

 

Reds reencontra o sucesso

Brisbane volta a vestir-se de um vermelhão intenso, com a vitória dos Reds em casa frente aos Cheetahs. Ao fim de duas jornadas de derrotas, a equipe do estado de Queensland, superiorizou-se face a umas “chitas” bem atrevidas, num jogo que foi indo e voltando entre as duas equipes. Somente à passagem dos 33’ é que tivemos try, onde se destacava o empate a 3 com uma penalidade bem executada para cada formação. O primeiro try proveio de um maul e ruck com alguma confusão entre as duas equipes, empilhando “corpos” entre avançados e ¾’s, com Uzair Cassiem a chegar à linha da área de validação. Os Reds tinham bola, mas nunca fizeram um uso brilhante dela durante os primeiros 40’, com vários lances a terminarem com knock-ons e erros… porém, a avançada “vermelha” não falhou na última scrum da primeira parte, garantindo a estabilidade correta para C. Browning, nº8, saísse disparado para o empate. 10-10 e com mais 40’ pela frente… Samu Kerevi e Nich Frisby, jogadores da equipe da casa, não desiludiram os seus adeptos e saíram para uma segunda parte espetacular da formação australiana. Vale a pena perderem tempo para verem o primeiro try da segundaparte dos Reds, da autoria de Nick Frisby, onde em 6 passes os Reds completam uma movimentação de ataque de excelência. Aos 62’, Nick Frisby, o formação australiano, volta a chegar ao try a fazer uma “maldade” à equipe sul-africana que não conseguiu ler qualquer dos movimentos do formação que chega ao seu 4º try nesta temporada. As Cheetahs chegaram ao seu segundo try, com R. Rhule a aproveitar bem o lineout e a dar 27-17. Até ao final do encontro, nenhuma das equipes capitalizou qualquer jogada… os Reds viram Samu Kerevi a sair aos 64’ por lesão, estando à espera de novidades sobre a gravidade da mesma. Os Cheetahs tiveram uma quebra na scrum que os impossibilitou de chegar, pelo menos, a um try… neste nível, qualquer perda de bola ou erro pode resultar em perdas de pontos… os Reds mereceram a vitória que tiveram e seguem assim para uma época mais descansada.

 

Hurricanes não tomam conhecimento dos Lions em Jo’burg

Melhor resposta não existe, uma vitória com números bem altos por parte dos Hurricanes, com 7 tries e muito rugby com Beauden Barrett a ser certeiro na hora de apontar o pé aos postes (falhou um pontapé em 8). Nesta saída por terras africanas, os ‘canes apanharam os Lions, que estavam numa sequência de três vitórias consecutivas e o perigo era real… só que os Hurricanes não desiludiram os adeptos do Super Rugby e com um jogo esmagador da sua linha de ¾’s, carimbou uma vitória preciosa. Savea começou da melhor forma com um try aos 10’, fruto de uma boa combinação de passes e entradas da linha de Wellington; aos 13’, Cory Jane (está à beira da sua melhor forma… uma hipótese para os All Blacks?) intercepta a bola com facilidade, com os Lions a terem pouco cuidado e brilhantismo na hora de transmitir a bola; a partir de scrum, Barrett recebe a bola e dá a Matt Proctor aos 18’, com os Lions a não ter qualquer reacção positiva perante este furacão neozelandês. Com um 24-00 no marcador e a faltarem ainda 15 minutos para terminar a primeira parte, o encontro estava assumir números bem pesados… os Hurricanes até ao final do encontro somaram 500 metros conquistados e resolveram bem cada quebra de linha. Os “leões” fazem o seu try com A. Van der Merwe a guiar bem o maul dinâmico (25’). Cory Jane voltou a interceptar a oval aos 33’, a aproveitar mais um passe errado por parte dos “leões” de Joanesburgo.

 

A equipe dos Hurricanes divide bem tarefas, apostando numa estratégia bem delineada e que vai atrás dos tries… por vezes os riscos são grandes, sim… mas rugby a la Nova Zelândia é isto, é jogar para o try, para fomentar a velocidade, a construção de ataque em apoio. O 5º try da autoria de Rg Goodes demonstra bem isso, com um lineout que foge ao âmbito normal do maul, com o pilar a fugir pela linha e a dar um autêntico chega para lá ao nº11 dos Lions… como é que um “leão” pode se opor a um “furacão”? Não foi, de forma alguma, neste jogo que tivemos os Lions do costume, apesar de terem chegado a mais dois tries por Mapoe (45’) e Kriel (59’), no seu melhor período de jogo durante 20 mineutos da segunda parte. Até ao apito final, V. Aso e J. Savea voltaram a ultrapassar a linha de try e somaram novos tries para os ‘canes que estão na corrida ao primeiro lugar do Super Rugby… ainda algo longe dos Chiefs, que dominam esta temporada. Os irmãos Savea voltam a ser notabilizados por nós, com o The Bus a fazer dois tries e o New Thing a conseguir 10 tackles e 4 turnovers, para além de uma série de “malandrices” típicas deste asa neozelandês. Na guerra de centros Proctor e Mapoe, o neozelandês ganhou não pelo try mas pelo trabalho que fez a cada carrier seu, onde a conquista de metros e as quebras de linha ajudaram chegar a este resultado dilatado.

 

Grande triunfo dos Waratahs no Cabo

Waratahs a jogar contra menos um quase que deixavam a vitória fugir pela “janela”, não fosse Michael Hooper, o nº6 Wallabie a conseguir um try no último suspiro da partida. Os ‘Tahs tiveram em apuros em certos momentos do encontro, com uma série de bolas perdidas que foram bem aproveitadas pela equipe da casa, que também não teve um jogo “agradável”. É verdade que tivemos 62 pontos marcados, só que a confusão com que se bateram as duas formações deixou algumas dúvidas no futuro da classificação final. Em relação ao resumo do encontro os Waratahs chegaram à linha de try por Kurtley Beale, onde a boa entrada de W. Skelton e o passe final de Bernard Foley ditou esse 05-00. Os Stormers, a jogar em casa, responderam da melhor forma com Schalk Burger a conseguir o try aos 14’ e du Toit aos 23’ (boa jogada de Kolbe a conseguir “brincar” com a defesa dos australianos de Sydney). Antes que chegássemos ao intervalo, Kurtey Beale recebeu a oval de um lineout e entregou-a a Israel Folau, com o defesa a entrar desamparado para o 12-14.

 

Na segunda parte a indisciplina entrou em jogo, com mais de 12 penalidades marcadas em apenas 40 minutos, aproveitando Du Plessis e Foley para 9 e 6 pontos, respectivamente. Quando o ascendente era claramente da equipe da casa, Zas, o ponta sul-africano, recebe ordem de expulsão, com um cartão vermelho que pode dar alguma polêmica, contudo, tem sido a norma neste tipo de lances. Zas saiu a correr atrás de uma bola alta e lutando no ar com Foley, o ponta não saltou e acabou por colidir com o nº10 australiano, caindo desamparadamente no chão. Rob Horne aos 65’ fez o try que se pensava poder ser da vitória, mas, os Stormers mostraram um espírito de perseverança e vontade que lhes garantiu novo try de du Toit, com o segunda linha a aproveitar uma desatenção no ruck e a sair com a bola até ao try… no rugby, o ruck tem de ser um “porto seguro”, não pode existir falhas e nesta edição do Super Rugby já assistimos algumas formações a colocar não só poucos homens, como também os poucos que estão estarem desatentos e permitirem este tipo de tries. Aos 78’ veio o try final dos Waratahs, em que Hooper com um pick and go bem trabalhado dá a vitória por 32-30. Jogo entusiasmante, algo confuso, que prendeu os adeptos durante todo o encontro. Du Toit sai com o prêmio de melhor jogador, o segunda linha Springbok caminha na direção correta para se afirmar, cada vez mais, como a melhor solução para a camisola nº5 da África do Sul. Bernard Foley voltou às exibições mais completas, conquistando metros, efetuando bons passes e a conseguir mesmo assistir Beale. Jed Holloway foi outra unidade que trabalhou bem com a bola nas mãos… na tackle fez 10, assim como Hooper 15 e Dean Mumm 10, porém estes três falharam por 13 vezes (número em conjunto), algo que não é normal para jogadores da seleção australiana.

 

Enfim, alegria na Argentina!

Finalmente os argentinos conseguiram chegar à sua segunda vitória, com um jogo tão bem esmerado que podemos dizer: Porquê só agora? A ausência de Sánchez por várias jornadas, assim como Lavanini ou mesmo Landajo tirou alguma da profundidade e capacidade de resposta dos argentinos. O choque com a realidade do Super Rugby pode ser outra explicação… há que afirme que estes Jaguares em um par de anos estarão a lutar pelo título… dúvidas em relação a esse ponto, uma vez que o rugby neozelandês não pára de crescer e mesmo a renovação nas formações australianas podem ser problemas de maior para os Jaguares conseguirem se “enfiar” na luta pelo cetro de campeão do Super Rugby. Voltando a jogar em Buenos Aires, os Jaguares tiveram os Kings pela frente, que pela segunda semana consecutiva sofreram uma derrota pesada (semana passada frente aos Lions por 45-10). A jogar no Jose Amalfitani à frente de 20 mil pessoas, os Jaguares não pararam de marcar tries e de quebrar linhas… 800 metros com bola na mão, 25 offloads e 11 tries ditaram a vitória por 73-27. Não vamos descrever todos os tries pelas proporções que o resumo poderia atingir, deixamos a nota só dos melhores, como o primeiro de Juan Martín Hernandez, ao seu estilo, com um belo pontapé por cima a captar a bola e a deixar-se cair dentro da área de validação ao primeiro minuto de jogo; Cordero (8’), Senatore (14’), Sánchez (18’), Creevy (30’), Montero (37’, destaque para o passe de classe de Landajo só com uma mão) foram os marcadores de pontos da equipe da casa. O hooker, Agustin Creevy, chega ao seu 5º try e parece-nos ser dos jogadores que melhor se adaptou ao Mundo do Super Rugby, uma vez que jogava em Inglaterra na temporada passada. A defesa dos Kings teve num dia bastante negativo, com a primeira tackle a ser pouco efusiva ou clara, o que permitia aos Jaguares desferindo novas “feridas” no marcador… o melhor que os sul-africanos conseguiram foram dois tries por Cloete (25’) e Watermeyer (39’), que pouco lhes serviu.

 

Na segunda parte mais do mesmo, com Landajo a mexer bem a sua equipe, com uma série de passes bem medidos que os Kings pouco ou nada conseguiam fazer nada contra. Alemanno (41’), Boffelli (49’), Landajo (53’), Senatore (62’ e 69’). Realizando uma breve análise ao jogo dos Jaguares, podemos dizer o seguinte: voltaram a cometer mais de dez penalidades, igualando os Kings nesse registro… só que no toca à segurança nos rucks, ao entendimento ofensivo e ao equilíbrio defensivo, os Jaguares cresceram e souberam garantir uma boa estratégia de jogo. São das equipes que mais metros conquista, só que os tries não acompanham, na maioria das vezes, essa vontade atacante. Menos “cabeça quente” e mais frieza na luta pela oval, este tem de ser a leitura que os Jaguares têm de fazer do seu jogo. O MVP fica bem entregue a Senatore ou Sánchez, já que o nº10 marcou 1 try, assistiu três tries e facturou 17 pontos com recurso a pontapé. O nº8 dos Pumas, tem também gozado de uma boa temporada, com 4 tries em 8 jogos… há que dar destaque ao T. Lavanini, o “gigante” segunda linha… já tínhamos algumas saudades do papel que desempenha nas scrums, lineouts, rucks e no apoio ao portador de bola. É difícil destacar alguém dos Southern Kings, uma equipe que está na mesma situação que o Western Force com só uma vitória no boletim. A equipe dos Jaguares agora descansa até dia 14 de Maio, altura que recebem os Sharks em casa. Terão mais fome de desferir patadas nos seus adversários? Ou estas vitórias acontecem só de 5 em 5 semanas? Curiosidade, é que as duas vitórias neste Super Rugby foi sempre contra equipes sul-africanas… seguem-se os “tubarões”… alguém aposta na terceira?

 

Griquas na liderança da Currie Cup

Na Currie Cup, o Campeonato Sul-Africano, após quatro rodada a liderança é dos Griquas, que seguem invictos no torneio após derrotarem o Boland Cavaliers fora de casa. Enquanto isso, o Welwitschias da Namíbia segue na lanterna, sem vitórias.

 

Super Rugby logo

Super Rugby – Liga de Argentina, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Japão

Chiefs 24 x 22 Sharks

Force 20 x 42 Bulls

Blues 36 x 30 Rebels

Highlanders 23 x 10 Brumbies

Reds 30 x 17 Cheetahs

Lions 17 x 50 Hurricanes

Stormers 30 x 32 Waratahs

Jaguares 73 x 27 Kings

 

Equipe Conferência* País Cidade Jogos Pontos
Grupo Australásia
Hurricanes Neozelandesa Nova Zelândia Wellington 15 53
Highlanders Neozelandesa Nova Zelândia Dunedin 15 52
Chiefs Neozelandesa Nova Zelândia Hamilton 15 51
Crusaders Neozelandesa Nova Zelândia Christchurch 15 50
Brumbies Australiana Austrália Canberra 15 43
Waratahs Australiana Austrália Sydney 15 40
Blues Neozelandesa Nova Zelândia Auckland 15 39
Rebels Australiana Austrália Melbourne 15 31
Reds Australiana Austrália Brisbane 15 17
Force Australiana Austrália Perth 15 13
Grupo África do Sul
Lions África 2 África do Sul Joanesburgo 15 52
Stormers África 1 África do Sul Cidade do Cabo 15 51
Sharks África 2 África do Sul Durban 15 43
Bulls África 1 África do Sul Pretória 15 42
Jaguares África 2 Argentina Buenos Aires 15 22
Cheetahs África 1 África do Sul Bloemfontein 15 21
Kings África 2 África do Sul Porto Elizabeth 15 09
Sunwolves África 1 Japão Tóquio 15 09

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Vencer marcando 3 ou mais tries que o oponente = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

Classificam-se às quartas de final:
– o 1º colocado de cada uma das 4 conferências*;
– mais três equipes de melhor campanha no Grupo Australásia;
– mais a equipe de melhor campanha no Grupo África do Sul;

 

Currie_cup_logo2016

The Currie Cup – Fase Qualificatória – Campeonato Sul-Africano

Eagles 26 x 21 Leopards

Falcons 26 x 49 Griffons

Cavaliers 14 x 30 Griquas

Bulldogs 03 x 28 Pumas

Welwitschias 18 x 31 Kings

Western Province 27 x 24 Golden Lions

 

Equipes Cidade principal Filiação no Super Rugby Jogos Pontos
Western Province* Cidade do Cabo Stormers 14 61
Griquas Kimberley Cheetahs 14 56
Boland Cavaliers Wellington Stormers 14 54
Mpumalanga Pumas Nelspruit Lions 14 51
Golden Lions* Joanesburgo Lions 14 47
Free State Cheetahs* Bloemfontein Cheetahs 14 44
Blue Bulls* Pretória Bulls 14 38
Leopards Potchefstroom Sharks 14 37
Griffons Welkom Cheetahs 14 36
Natal Sharks* Durban Sharks 14 33
SWD Eagles George Kings 14 30
Falcons Kempton Park Bulls 14 30
Border Bulldogs East London Bulls 14 26
Eastern Province Kings* Porto Elizabeth Kings 14 13
Welwitchias Windhoek (Namíbia) 14 01
* classificados automaticamente à fase final

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Anotar 4 ou mais tries = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

* Western Province, Kings, Sharks, Cheetahs, Lions e Bulls já têm vaga assegurada na fase final. Os 3 melhores entre os demais times também avançarão à fase final.

 

Escrito por: Francisco Isaac

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